Qualquer Gato Vira-Lata (Brasil, 2011) ***NOS CINEMAS***

Genre :

Qualquer Gato Vira-Lata” é uma adaptação da peça de Juca de Oliveira “Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Melhor que a Nossa“, a qual teve seu título reduzido provavelmente para caber no cartaz. A peça foi escrita em 1998 e talvez lá a premissa de ver um professor de biologia defendendo uma tese de sociologia de que os homens foram sim feitos para reproduzir com o maior número de fêmeas possíveis e isso gerar uma comédia romântica talvez poderia ser plausível. Porém transpor essa tese (mais pra antítese) direto para 2011 soa absurdo, para não dizer ridículo.

Mas é isso que prega o professor Conrado (Malvino Salvador) no momento em que uma caricata Cléo Pires (“Meu Nome Não é Johnny“) no papel de Tati entra no auditório, desolada pelas constantes traições do namorado playboy Marcelo (Dudu Azevedo). Tati e Conrado se conhecem e resolvem trocar experiências para que o docente complete sua tese de doutorado. Sim, a tese de doutorado dele é essa. Charles Darwin deve ter dado dez voltas no caixão a essa hora. Ou melhor, Darwin é um cachorro. Mais precisamente o cachorro de Conrado.

Tentando emular as comédias românticas americanas (as piores), o desenrolar é óbvio, inclusive com supostas reviravoltas mais previsíveis ainda. De quebra, há uma trilha sonora romântica de oito notas que um tal de Pedro Bromfman compôs, a qual toca até a exaustão completa.

Entretanto nem tudo são pedras. Com uma irregularidade pouco vista em 95 minutos de projeção, a obra reveza momentos constrangedores (alguns já citados) com momentos inspiradíssimos onde piadas genuínas conseguem arrancar facilmente gargalhadas do público. E na tela, o principal responsável por esse mérito é o jovem ator Dudu Azevedo. Seu Marcelo é hilário e rouba todas as cenas de tal forma que talvez fosse melhor fazer um filme onde ele fosse o protagonista. Destaque também para Álamo Facó que interpreta Magrão, seu melhor amigo; e para raros momentos onde Cléo Pires parece encarnar uma boa comediante como na cena em que ela força um sorriso ao abrir a porta.

Assim, “Qualquer Gato Vira-Lata” escapa de ser mais uma frustrada tentativa brasileira de fazer cinema, para se tornar um filme leve e razoável, apesar do roteiro jogar contra com suas premissas canalhas. As risadas podem até ser esparsas, mas são verdadeiras.

[rating:2.5]

Ficha Técnica

Elenco:
Cléo Pires
Malvino Salvador
Dudu Azevedo
Álamo Facó
Letícia Novaes
Rita Guedes

Direção:
Tomás Portella

Produção:
Pedro Carlos Rovai
L.G. Tubaldini Jr.

Fotografia:
André Modugno

Trilha Sonora:
Pedro Bromfman

 

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