A Caixa (“The Box”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

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Você tem em mãos uma caixa com apenas um botão. Se você aperta esse botão, leva 1 milhão de dólares, mas alguém que você não conhece vai morrer. Caso contrário, não tem direito ao dinheiro. Esse é o dilema que o casal formado por Norma (Cameron Diaz de “Uma Prova de Amor“) e Arthur (James Marsden de “Vestida Para Casar“) estão passando. Um misterioso senhor (Frank Langella de “Frost/Nixon“) bateu em sua porta, fez a oferta e deu-lhes 24 horas para pensar. Achando um trote inicialmente, o casal começa a ter provas da veracidade da proposta. Ao escolherem, uma série de desdobramentos macabros começa a se abater sobre os dois e eles devem correr para descobrir o mistério que envolve a caixa se quiserem continuar vivos.

Baseado no episódio “Buttons Buttons” da antiga série de TV “Além da Imaginação” e reimaginado pela mente quase doentia do diretor Richard Kelly – sim, o autor de um dos maiores cults da década, “Donnie Darko“, mas que escorregou em “Southland Tales: O Fim do Mundo” – “A Caixa” consegue com um mínimo de efeitos especiais e uma trilha apenas orgânica, passar ao espectador um nível de tensão quase insuportável.

Colocando elementos abstratos em toda a teia que tece a narrativa (Kelly é mestre nisso), ele consegue que, mesmo sem entender detalhes da mecânica de como toda a experiência envolvendo a caixa funciona (vai desagradar os mais puristas), ainda sim fazer o público ter o total panorama, mesmo que visto de longe, do propósito tão magnânimo dessa experiência. O roteiro é cheio de surpresas, referências e simbolismos onde tudo parece se encaixar com perfeição e ainda traz luz à velha discussão de que quanto mais próximo o homem da ciência, mais se chega à conclusão de que nada se pode ter sido criado sem Deus. Ao mesmo tempo em que é um filme de terror com todos os elementos que compõe o gênero, também traz uma profunda reflexão da natureza humana e do que significa se sacrificar para o bem do próximo.

Com várias reviravoltas, seu desfecho anda se dá ao luxo de plantar uma questão na cabeça dos mais observadores sobre a relação entre causa e conseqüência: apertar o botão faz com que alguém morra ou tudo já era pré-definido? Existe mesmo o livre arbítrio? Muito melhor do que responder a essas perguntas, “A Caixa” nos deixa ainda com mais dúvidas. O que nesse caso em particular é bem melhor. Imperdível.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Cameron Diaz
Gillian Jacobs
James Marsden
Frank Langella
Michael Zegen
Lisa K. Wyatt
Ryan Woodle
Basil Hoffman

Direção:
Richard Kelly

Produção:
Richard Kelly
Dan Lin
Kelly McKittrick
Sean McKittrick

Fotografia:
Steven Poster

Trilha Sonora:
Win Butler
Régine Chassagne
Owen Pallett

 

5 Comments

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  • Jazz
    on

    COMENTÁRIO SPOILER, NÃO LEIAM SE NÃO ASSISTIRAM O FILME!!!

    Acho que existe o livre arbítrio. O mensageiro continua em busca de alguém que NÃO APERTE o maldito botão. Lembra da mulher falando que “só uma pessoa pode lhe salvar?” Acho que se a outra não apertasse, eles seriam perdoados.

    adorei o filme. Muito bem feito e com uma mensagem LINDA por trás de tanta maldade vista. Causa e efeito. Seja egoísta e se dê mal. Faça o bem e viva com a consciência limpa

    E a humanidade só terá salvação no dia em que pensar no bem de todos, como uma equipe. Enquanto formos egoístas, continuaremos colocando nossa própria raça em extinção.

  • Juliano
    on

    Para mim, o melhor deste filme foi a sua crítica Aldo.

    Sério mesmo, seu texto ficou ótimo, tão gostoso de ler, ressaltou tantos pontos positivos, transmitiu muita emoção. Sinceramente, seu texto me fez sentir vontade de assistir ao filme novamente…

    Mas foi só lembrar do filme que a vontade passou.
    Ao final, sinto que me falta algo (aliás, muito desse algo), para que eu possa apreciar um filme tão bom.

  • mario
    on

    LIXO nao assistam

    gastaram um porrilhão de dolares para regravar um episodio de além da imaginação

  • marcos
    on

    Nossa! não estou acreditando nessa crítica podre. gente esse filme é uma DECPÇÃO! simplesmente sem pé nem cabeça, completamente maluco e sem sal. PERDA DE TEMPO.

  • saullo
    on

    nao achei sem pé nem cabeça, mas achei um pouco sem sal sim.

    tinha ouvido as criticas de uns amigos, e nao eram nada boas, mas até que o filme é bom, apesar de deixar muitas perguntas sem respostas.

    as questoes filosoficas e espirituais também sao bastantes válidas e interessantes, apesar de nao serem nenhuma novidade, mas acho q o filme pecou bastante nas partes mais “viajadas”, como quando o cara entra no portal e depois está em cima da cama, olhando para a sua mulher e tudo se transforma em água…mas…num todo…o filme é bom sim e vale a pena assistir!!

    ps: eu nao mataria minha mulher. na verdade, tava é torcendo para o muleki morrer desde o começo. muleki chato da porra. entrou e saiu do filme e nao serviu pra nada, além de foder a vida dos pais.

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