A Órfã (“Orphan”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

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Muitas vezes, mais importante do que se faz é como se faz. “A Órfã” pertence àquela classe de terror / suspense que conta com uma criança, literalmente tocando o terror, seja por conta do sobrenatural (vide “A Profecia“) ou por ser má mesmo, como em “Joshua – O Filho do Mal” ou até em “Colheita Maldita“.

Aqui, um casal que já tinha dois filhos, decide adotar uma terceira menina já mais crescidinha. Isso porque a mulher (Vera Farmiga de “O Menino do Pijama Listrado“) teve um aborto alguns meses antes, além de diversos problemas com bebida e seu marido (o sempre competente Peter Sarsgaard de “Usina de Sonhos“) dá todo o apoio à idéia. Eles encontram num orfanato Esther de nove anos (a novata Isabelle Fuhrman, que na verdade tem doze anos). Inicialmente boazinha, Esther vai se revelar ardilosa e traiçoeira num crescente eletrizante.

Mas para trabalhar um tema quase saturado, o diretor Jaume Collet-Serra do bom “A Casa de Cera” utilizou duas ótimas cartas na manga. A primeira tem a si próprio no mérito com uma ótima mão para construir cenas tensas. Apesar de algumas desnecessárias no início, ele já acerta logo na cena do parquinho onde Esther se defronta com uma amiguinha. E daí a tensão só faz aumentar, muito bem ajudado pela trilha de John Ottman, o qual já experiente em terror com crianças, tendo feito um bom trabalho no regular “Amigo Oculto“.

A outra carta, e é aí que o nível do filme se eleva, é o ótimo roteiro. Ele já se inicia com a premissa de uma rejeição inicial dos irmãos postiços e dos amigos da escola à nossa pequena vilã. Dessa maneira ele consegue criar uma certa afinidade entre o espectador e Esther de forma a, pelo menos no princípio, aparentar uma certa justiça em determinados atos da personagem. Sim, contém alguns clichês do gênero, como por exemplo as atitudes do casal que, mesmo sendo crível, favorecem de forma quase absurda a psicopata mirim (o pai se embebedar diante de uma situação tão delicada é duro de engolir). Além que ocorre a mesma dualidade de todas as produções semelhantes, onde um dos cônjuges começa a descobrir o que há por trás da carinha linda da filha adotada, enquanto o outro não acredita em nenhuma palavra de sua companheira. Além disso, ele ainda se rende a complacência sendo politicamente correto com as crianças (poderia ser bem diferente e melhor).

Mas ganha todos os louros na revelação final. Ele consegue encontrar a solução ideal na famosa pergunta que assola e geralmente arrasa as pretensões de filmes com esse tema alçarem um vôo maior: como uma menina tão nova consegue ser tão má e manipuladora? A saída foi não menos que genial. Destaque para Isabelle Fuhrman que parece ser mais um prodígio mirim, encarando em um de seus primeiros papéis um personagem tão complexo. E são esses e outros detalhes em como se faz “A Órfã” que o torna um terror obrigatório que dá um nível de tensão de gelar os ossos, mesmo que você já tenha visto vários outros tratando do assunto.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Vera Farmiga
Peter Sarsgaard
Isabelle Fuhrman
CCH Pounder
Jimmy Bennett
Margo Martindale

Direção:
Jaume Collet-Serra

Produção:
Susan Downey
Leonardo DiCaprio
Jennifer Davisson Killoran
Joel Silver

Fotografia:
Jeff Cutter

Trilha Sonora:
John Ottman

 

5 Comments

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  • Jazz @brabul
    on

    Maravilha essa resenha \o/ mas eu daria 5 estrelas auahuahua

  • silvio3611
    on

    Qd fui ao cinemo ver esse filme, fui pensando: putz, mais um no estilo ”anjo malvado” até pelo esquema da ne ve e talz … mas me surpreendi, sobretudo com o final do filme … MARAVILHOSO … e pra mim este merce 5 estrelas

  • saullo
    on

    o filme é bom mesmo! ultimamente os filmes de terror tem andado meio fraquinhos, mas esse nao.
    o filme prende vc do inicio ao fim, sem ficar monotono, e com um final surpreendente!!
    a pirralha má trabalhou muito. e bem q achei alguma coisa de amigo oculto nele, apesar de ser apenas as musicas, mas lembrou.
    filme fodastico, recomendo!! =)

  • Clayton
    on

    Perturbador! Ainda mais com o nome de Leonardo DiCaprio na produção. Falando sério, beira a excelência, poucas pontas soltas o que garante ao filme coerência do início ao fim. Mas além de tudo que já foi descrito pelo Aldo e pelo demais comentaristas em relação ao filme, dou uma menção honrosa a Aryana Engineer, a atriz mirim que interpreta a Max Colleman. Está irretocável e faz o contraponto de Esther com louvor. incrível como transparece todo medo e tensão necessárias as suas cenas sem poder ter o rescurso da palavra. Torcemos e sofremos por ela durante todo o filme, muito mais até do que pela personagem de Vera Farmiga, mesmo que esta tenha sido correta em sua interpretação. Suspense para contar no Top 10 de muita gente, e proibido para quem planeja adotar uma criança.

  • Daniel BzRRA
    on

    Filme sensacional para quem gosta de ficar tentando descobrir o final. Eu assiste o filme duas vezes na segunda vez que eu assiste percebe diversas dicas no decorrer do filme mas ignoramos elas simplesmente porque confiamos mas nos nossos olhos. Eu nunca soube q esse filme tinha uma produção de Leonardo Di Caprio.

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