Blade Trinity (EUA, 2004)

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Lembro como se fosse hoje: antes do início da atração principal no cinema, foi exibido o trailer de “O Filho de Chucky”, 5ª parte de “Brinquedo Assassino”. A pergunta que talvez permeasse na cabeça de todos nesse momento: como um terror tão acima da média foi se transformar numa máquina de caça-níqueis sem roteiro, sem senso de ridículo, destruindo tudo o que a primeira (e talvez a segunda parte) construiu? É uma pena. Porém, mal sabíamos que estávamos prestes a assistir a mais 114 minutos de algo parecido.

Com uma trama que beira o absurdo e contradiz muito do que já se havia mostrado nas duas primeiras partes, os vampiros inimigos de Blade (Wesley Snipes) despertam ninguém menos que o próprio Drácula ou Drake (cujo visual mais parece ter saído da banda Backstreet Boys) para acabar com o protagonista. Após ter seu esconderijo destruído e capturado pela polícia, Blade é libertado pelos Nightstalkers, grupo que há anos caça vampiros, para que juntos consigam deter o mal.

Parece que nesta terceira parte, Blade funciona apenas como coadjuvante e inclusive Wesley Snipes parece tão incomodado com o fato do dinheiro ter falado mais alto no momento de aceitar o script, que notamos claramente sua falta de vontade em interpretar o papel.

Como filme de terror-aventura, Blade Trinity é uma comédia. Tudo e todos funcionam como alívios cômicos. A dupla principal dos Nightstalkers é formada por Hannibal King (Ryan Reynolds, de “Apenas Amigos”), que é o piadista, aquele que não importa o quão desesperadora é a situação, sempre tem uma piada na manga; e Abigail Whistler (Jessica Biel de “O Ilusionista”), filha bastarda de Whistler (Kris Kristofferson). Aliás, além do personagem de Kristofferson ter uma injusta ínfima participação, ainda colocam o coitado como marido infiel, somente para que a tal Abigail faça parte da trama. Até os vampiros são engraçados! Principalmente a líder Danica (Parkey Posey, de “Leis da Atração”).

Sua trama segue de forma estapafúrdia e esdrúxula. Desde a tal arma secreta dos humanos até a luta final copiada de “Star Wars”. Da mesma forma que Blade não aparece mais como um herói que sustente o filme, também não há um vilão à altura. O tal Drake nada tem demais, pois se ele é tão poderoso, porque passou todo o filme se escondendo de Blade? Pra que se cansar num chato duelo de espadas se ele tem tanto poder? Só para citar mais crateras no roteiro: se a arma-secreta dos humanos é tão poderosa e capaz de matar todos os vampiros, como no final do filme é dito que a luta continua? Será que agora Blade lutará contra o terrorismo no Oriente Médio?

Mais apavorante de tudo é saber que o mesmo homem responsável pelos ótimos roteiros das duas primeiras partes, David Goyer, também é o responsável, não só pelo roteiro, como pela direção desta enganação. Não é recomendado nem para os fãs de ação já que a melhor parte são os primeiros cinco minutos. Só para curiosidade, o subtítulo Trinity significa Tríade ou Trindade, provando que Blade era apenas mais um dos três patetas.

[rating:1]


Ficha Técnica

Elenco:
Wesley Snipes
Kris Kristofferson
Ryan Reynolds
Jessica Biel
Parker Posey

Direção:
David S. Goyer

Produção:
David S. Goyer
Lynn Harris
Wesley Snipes

Fotografia:
Gabriel Beristain

Trilha Sonora:
RZA
Ramin Djawadi

 

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