Closer – Perto Demais (“Closer”, EUA, 2004)

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*Essa crítica é mais longa porque foi escrita anteriormente para outro veículo que tinha esse formato.

A sensação de ter visto um extraordinário filme sobre as relações humanas ao sair da sessão de “Perto Demais” não é mero acaso. O culpado: um homem que atende pelo nome de Mike Nichols. E pensar que ele começou sua carreira de diretor justamente com outra pérola que também trata de relações humanas, “Quem tem medo de Virginia Wolf” de 1966, também não é apenas coincidência. Pela sua filmografia, vemos que é isso que ele faz melhor.

Quadriláteros amorosos nunca foi novidade no cinema americano. Porém, este tem tantos diferenciais que ofusca qualquer tentativa passada de retratar tal situação. Nenhum resumo ou sinopse poderia contar direito a história, mas tentando: Daniel (Jude Law de “Alfie – O Sedutor“) é um escritor de obituários que conhece Alice (Natalie Portman de “Star Wars“, sensual como nunca), uma ex-stripper fugindo do passado e os dois se juntam. Mais tarde, Daniel conhece Anna (Julia Roberts, “Uma Linda Mulher”), uma fotógrafa por quem se apaixona. Numa brincadeira de Daniel, talvez uma cena genuinamente engraçada em meio ao drama, Anna acaba conhecendo o médico Larry (Clive Owen de “Rei Arthur“), que se apaixona instantaneamente por ela. E o quadrilátero está formado.

O primeiro ponto positivo do filme encontra-se nas atuações de Portman e Owen, seguida de perto por Jude Law. Julia Roberts acaba sendo o elo mais fraco da corrente. Fica claro que eles são pessoas absolutamente normais, sem os clichês ou estereótipos Hollywoodianos dando completa veracidade à história. Seus personagens chegam a ser tão complexos que fica difícil escolher pra quem torcer. Aliás, o expectador conseguirá passar do amor ao ódio, da decepção ao choque sobre algum personagem em questão de minutos. O próprio Jude Law talvez seria um “Alfie” (seu filme anterior) mais convincente se tivesse a personalidade de Daniel.

O roteirista e autor da peça de teatro que deu origem ao filme, Patrick Marber, se superou em diálogos afiadíssimos e, melhor, dotados de uma franqueza absurda. É quase um tapa na cara do expectador (no bom sentido). Só para citar um dos exemplos, quando Daniel e Larry se confrontam no consultório, um deles fala algo do tipo: “Eu a amo e a roubei de você. Utilizei as armas que eu tinha para isso. Conforme-se“.

Mas nada faria sentido se não fosse a direção de Nichols. Logo no início ele mostra Daniel e Anna como as frutas podres da cesta, mas quando ameaçados Larry e Alice começam a tomar atitudes nada éticas para se defenderem. E mostrar a natureza dúbia dos personagens, igualando-os aos seres humanos comuns, com maldade e bondade, com receios, preocupações, paixões e amores, o diretor torna o filme acima de qualquer outro.

Um recurso bastante interessante usado por Nichols foi não demonstrar a passagem do tempo. Em algumas tomadas, o expectador só fica sabendo que se passaram meses ou até anos da tomada anterior através dos diálogos e logo depois com as cenas subseqüentes, o expectador vai juntando as peças do que aconteceu no tempo entre uma cena e outra.

Com ainda uma surpresa no final, “Perto Demais“, não é um simples passatempo para a juventude, mas um filme que nos faz questionar e reavaliar nossa realidade e relacionamentos. Mike Nichols funciona aqui como um Nelson Rodrigues americano, menos erótico e bem mais incisivo ao assunto, provando que uma verdade valem por mil clichês.

Nota 9


Ficha Técnica

Elenco:
Natalie Portman
Jude Law
Julia Roberts
Clive Owen

Direção:
Mike Nichols

Produção:
Cary Brokaw
John Calley
Robert Fox
Mike Nichols
Scott Rudin

Fotografia:
Stephen Goldblatt

 

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