Distrito 9 (“District 9”, Nova Zelândia / Africa do Sul, 2009) ***NOS CINEMAS***

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Alguns filmes são tão bons que se melhorar estraga. “Distrito 9” é um exemplo de filme que, se o diretor Neill Bloomkamp tivesse colocado ainda mais algum ingrediente, o resultado poderia ser azedo. Mas é na medida.

Há 20 anos uma nave espacial pairou sobre Joanesburgo, na África do Sul. Por conta do problema com a nave, os alienígenas passaram a viver entre os humanos. Diversos conflitos entre as raças obrigaram o governo a formar uma área exclusiva para os ET’s, chamando-a de Distrito 9. Com o passar dos anos, virou uma grande favela, tal qual o pior dos subúrbios. O interesse maior do governo é estudar o DNA extraterrestre, pois eles são capazes de criar armas infinitamente mais potentes que as atuais. Quando um pacato agente visita a favela para uma ordem de despejo, é contaminado com um líquido misterioso e passa a ser a chave de uma conspiração que pode mudar o rumo dessa história.

A grande sacada dessa ficção científica é fazer uma clara analogia entre o que o racismo já representou entre os humanos e como seria com seres de outro planeta. Não é à toa que o local escolhido para a história é a Àfrica do Sul, berço do Apartheid. O próprio protagonista, o agente Wikus (o novato Sharlto Copley) passa por uma transformação psicológica enorme, indo de um inocente vilão até ter a epifania – ainda que forçada – sobre a igualdade entre as raças. E acreditem, ele passa por tudo da pior maneira possível.

Com um elenco totalmente desconhecido, o filme começa em caráter documental – o que foi até desnecessário, de tão rica que é a trama – e aos poucos vai se ajustando num híbrido entre o falso documentário e uma ficção propriamente dita. Os efeitos especiais são de primeira linha e, a ação, assim que começa, é implacável e não deixa o espectador desgrudar os olhos da tela, com uma violência no nível exato pra atrair dos mais exigentes até os fãs do puro gore. As criaturas e sua interação com os atores é feita de maneira não menos que primorosa. Chritopher e seu filho, os personagens alienígenas principais tem feições que conseguem transmitir a mesma emoção que qualquer ator de carne e osso.

De tão interessante, o público é obrigado a engolir algumas perguntas que ficam sem resposta, desde a facilidade como Wikus escapa da quarentena, até (a questão mais gritante) o estranho funcionamento da nave mãe, visto que fica difícil entender o que realmente a fez funcionar depois de tanto tempo.

Tirando a atenção desses meandros do roteiro, “Distrito 9” se revela uma das ficções científicas mais subversivas de todos os tempos, mudando completamente o conceito de invasão e do comportamento dos seres humanos, as vezes mais cruel do que qualquer alien sanguinário.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Sharlto Copley
Jason Cope
Nathalie Boltt
Sylvaine Strike
Elizabeth Mkandawie
John Summer
William Allen Young
Greg Melvill-Smith
Nick Blake
Jed Brophy
Louis Minnaar
Vanessa Haywood
Marian Hooman
Vittorio Leonardi

Direção:
Neill Blomkamp

Produção:
Peter Jackson

Fotografia:
Trent Opaloch

Trilha Sonora:
Clinton Shorter

 

3 Comments

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  • Charlene
    on

    Vi o fime e fiquei com milhares duvidas na cabeça! O filme realmente é bom, a história consegue te prender mais fica aquela expecativa de uma continuidade pra tentar explicar as dúvidas cruciais do filme. Só vendo mesmo..

  • Clayton
    on

    Já discordei algumas vezes do Aldo em relação aos filmes que ele considera ruins, porém nunca discordei daqueles em que sua opinião valiam a pena serem assistidos. Não foi diferente com “D9”. De trama primorosa, surpreende como ficção científica com uma estória envolvente. Vale muito destacar a interação entre o que não é real (alienígenas) e o que é real (seres humanos e cenários). Por vezes você esquece disso, tal qual é a forma como torna-se crível toda a situação. O “alien” Cristopher recebe de cara nossa torcida, sua empatia é tocante. O inferno do Agente Wikus o força a abrir os olhos, mas fica mais verossímel a opção de fazê-lo apenas nos últimos momentos, o que difere essa produção e a afasta da pieguice de sempre. As perguntas (iiiiiiiiiiiiiiiih), essas sim são muitas, mas prefiro pensar que foram propositais para que cada um dê as respostas que melhor lhe convenham. Porém gostaria muito de que houvesse sido acrescida a cena da chegada da nave mãe, só de imaginar a situação você já tem idéia do qual realmente é possível que as dúvidas implantadas no filme sejam intencionais. Inclusive aquela de quem é mais perigoso no mundo real, a sogra ou o sogro?

  • saullo
    on

    filme muito bom mesmo!! as perguntas que acabam sem respostas também acredito q tenham sido intencionais para que cada um acredite no que quiser, e até acho q ficou legal assim.

    cara, em relaçao a “igualdade das raças”, discordo, pois, pelo menos no meu entender, o que pareceu foi que quanto menos humano ele se tornava, mais “humano” ele ficava, tanto q ele só foi tomar a decisao de ajudar mesmo já com a transformaçao quase completa.

    resumindo, nós humanos somos todos lixos.

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