Educação (“An Education”, Inglaterra, 2009) ***NOS CINEMAS***

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Agora que o Oscar de melhor filme pode ir para um de dez candidatos – até o ano passado eram cinco – “Educação” parece ser uma escolha óbvia, não para concorrer, mas apenas para engrossar a fila de possibilidades.

Passado em 1961, somos apresentados a Carey Mulligan, que fez uma ponta em “Inimigos Públicos” como Jenny, com 16 anos (na vida real 24), uma jovem inglesa que sonha em ir a Paris e estudar na Universidade de Oxford. Numa volta pra casa, ela conhece David (Peter Sarsgaard de “A Órfã“), um homem mais velho, requintado e sedutor que apresenta a mocinha, a vida noturna e um mundo de possibilidades o lado de um outro casal de amigos. Também acaba por conquistar os pais, os quais, manipulados, aceitam o relacionamento, o qual deve trazer sérias conseqüências.

Os dois primeiros atos, onde se passa a conquista e o auge do relacionamento chegam a ser de extremo interesse, pois aos poucos vamos conhecendo os segredos de David e sua capacidade sem igual de manipulação. E aí, Sarsgaard dá seu habitual desempenho como um ótimo ator, revezando com Alfred Molina (“O Pequeno Traidor“), o qual tem uma performance sensacional como pai de Jenny, sendo ora cômico, ora dramático.

Tecnicamente, há um ótimo trabalho de reconstituição de época e de fotografia (repare no uso de reflexos em certaz cenas), incluindo a cena da viagem em Paris feito com câmera na mão, dando um toque levemente turístico com uma música, clichê, mas que se encaixa perfeitamente.

Infelizmente “Educação” tem um imenso deslize no último ato, a partir da descoberta de um grande segredo, quando Jenny deve passar por um processo de superação. Este processo que, de certa forma é da maior importância na narrativa, é tratado de forma tão desleixada que quase não vemos acontecer. O que deveria ser a parte mais “suada” da vida de Jenny se tornou quase banal. Pra piorar, o diretor comete o pecado mortal nos últimos cinco minutos de manipular a mente do espectador colocando uma cena com uma atitude falsa de um personagem pra levar o público a pensar por um caminho, apenas pra segundos depois poder surpreendê-lo no caminho oposto. Tudo isso sem o mínimo de naturalidade do roteiro.

Entre erros e acertos, “Educação” consegue ter um conjunto da obra digno, pelo menos técnico, para uma vaguinha entre os candidatos ao Oscar. Aliás, a corte inglesa parece ter acreditado tanto que ainda colocaram pontas de luxo de Emma Thompson (“Tinha que Ser Você“) e Sally Hawkins (“Simplesmente Feliz“) Mas daí a ganhar, é outra história.

[rating:3]


Ficha Técnica

Elenco:
Carey Mulligan
Peter Sarsgaard
Alfred Molina
Dominic Cooper
Rosamund Pike
Olivia Williams
Cara Seymour
Matthew Beard
Sally Hawkins
Emma Thompson

Direção:
Lone Scherfig

Produção:
Finola Dwyer
Amanda Posey

Fotografia:
John de Borman

Trilha Sonora:
Paul Englishby

 

3 Comments

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  • Jéssica Macêdo
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    Se eu não tivesse assistido ao filme (e com você ainda) iria só pela resenha. Muito detalhada e convidativa. Você é ótimo!

  • silvio3611
    on

    filmes ingleses são sempre bons … Aldo, e o meu prêmio?

  • Clayton
    on

    Educação é um drama que não faz mal a uma mosca. Parece uma afirmação cruel, mas trata-se de um resumo pessimista de um bom filme. Os aspectos técnicos beiram a impecabilidade, desde as edificações e figurino até os costumes da época. Os atores conduzem com grandeza a obra, Carey Mulligan (crível na aparência física), Peter Sarsgaard (prova que não precisa ser gesticuloso para transmitir o que pensa) e Alfred Molina (esse faz papel até de pedra se for preciso, encarna bem o personagem de pai que embora preze pela boa educação da filha, quase que como um investimento, mas nem de longe é uma pessoa de má índole) destacam-se. O filme corre todo de forma a instigar o espectador a sempre querer saber a cena seguinte, o que está por vir, enfim, aonde tudo aquilo vai dar. Por mais romântico que uma pessoa seja, tem se sempre a impressão de que tudo aquilo vai dar em algo muito ruim para a personagem Jenny. Dito e feito, justamente isto que acontece, tudo rui de uma só vez, mas e daí? Exatamente isto mesmo que escrevi, e daí? O mundo anunciou o seu final e o sol amanheceu mais bonito do que se pôs. Fora a questão física, Jenny apenas tem que demonstrar que aprendeu a lição, sequer tem que provar amadurecimento. Típico filme que peca por não saber como terminar, então entrega-se a clichês e nem isso ocorre de forma convincente. Vale como assunto para debates sobre a época, e para exercício de cineastas brincantes, como eu, para imaginar como seria um final digno a trama.

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