A Encarnação do Demônio (Brasil, 2007) ***NOS CINEMAS***

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Se não há grande valor cinematográfico nessa mais recente reencarnação do Zé do Caixão, pelo menos existe o valor histórico, já que este quase folclórico personagem aparece pela primeira vez em 1964 em “À Meia Noite Levarei a Tua Alma” na pele do mesmo ator e diretor José Mojica Marins. Por motivos que desconheço, ele teve um estrondoso reconhecimento no exterior e ainda levou a carinhosa alcunha de Coffin Joe.

Sendo mais do mesmo, Zé do Caixão sai da prisão 40 anos depois e continua com a obsessão de ter o filho perfeito. E seguem-se mais matanças e – aí sim os fãs do trash vão adorar – com direito a mulheres nuas, cabeças decepadas, escalpelamentos, torturas (no melhor estilo Hellraiser) e até um rato entrando no canal vaginal de uma vítima.

Contudo o filme tem um problema que só fez aumentar desde a década de 60: não dá pra levar o Zé do Caixão a sério. Ele não fala, apenas declama. E com a idade avançada, não dá pra entender como ele constitui um mundinho só dele com todo esse poder. Pra piorar, ele ainda se torna mais vulnerável quando as suas vítimas passadas retornam para atormentá-lo. E isso ainda dá numa seqüência chatíssima de uma visão dele no purgatório. Tanto é que a seqüência mais tensa não é protagonizada por ele, mas sim por Luis Melo logo no início, sendo que a tensão vai pro ralo quando o Zé aparece.

É o trash pelo trash, mas que deve ter devotos a assistir com fervor e ainda devem comentar sobre a ótima atmosfera surrealista da obra (e sim, ela existe). Para os demais deve ser uma piada. Daqueles filmes de terror que são ótimas comédias.

[rating:2]


Ficha Técnica

Elenco:
José Mojica Marins
Raymond Castile
José Celso Martinez Corrêa
Milhem Cortaz
Cristina Aché
Luís Melo
Rui Resende
Jece Valadão
Adriano Stuart
Giulio Lopes

Direção:
José Mojica Marins

Produção:
Caio Gullane
Fabiano Gullane
Débora Ivanov
Paulo Sacramento

Fotografia:
José Roberto Eliezer

Trilha Sonora:
André Abujamra
Márcio Nigro

 

1 Comment

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  • Rafael Marinho
    on

    Passam os anos e ainda assim predomina em criticos como você o puro prazer em criticar coisas absolutamente fora do contexto da obra analisada. O que você queria afinal de um filme como Encarnação do Demonio, senhor critico: que fosse um filme de terror com teor ateu, blasfemo, radical e perverso com uma conotação realista em relação ao mundo no qual eu e vc vivemos? Não é assim pobre critico, ali o Mundo não é o meu ou o seu, é o MUNDO DE JOSEFEL! Atente-se, o mundo ali não pretende ser nada alem daquele criado para ser de JOSEFEL! Como Gotham City é a cidade do Batmam ou como a ESCOLA DO PROFESSOR XAVIER é o Mundo dos X-MEN! Querer simplesmente mais uma tentativa de recriar o clima de um CIDADE DE DEUS ou TROPA DE ELITE, só que com teor realista, é isso que queria você?
    Uma critica assim como a sua é desprezivel mas sintomatica: mostra como a frustração de um sujeito por não saber nada de cinema leva à tentativa de parecer grande conhecedor do assunto sendo um mero TAGARELA!
    Lamentavel sua critica, e mais lamentavel ainda é sua pretensão!

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