John Carter: Entre Dois Mundos (“John Carter”, EUA, 2012) ***NOS CINEMAS***

É uma miscelânea de muito o que você provavelmente já viu. Tem referências claras e “Stargate”, “Star Wars”, “Conan”, “Avatar”, “Cowboys x Aliens” e até mesmo “Os Agentes do Destino”. Não deixa de ser uma ótima diversão se e apenas se, não houver uma análise mais profunda, coisa que faremos a seguir.

Taylor Kitsch de “Wolverine” está inspirado como John Carter, um cowboy que só pensa em ouro e despreza os ideais da independência americana. Nessa sua busca, ele entra numa caverna e lá é transportado para Marte. O que ele não sabia (e nem nós), é que em Marte há oxigênio e há civilizações das mais diversas criaturas. Duas delas são bem parecidas com seres humanos e estão em guerra pelo domínio do planeta. E pasme: no planeta vermelho, uma das línguas faladas é o inglês! Ele descobre que lá possui uma habilidade de dar grandes saltos, cuja explicação que une a força gravitacional e a estrutura óssea do terráqueo não tem a menor base científica. Então acaba se tornando um guerreiro (tipo um “Conan” de Marte) que vai lutar para garantir a liberdade do povo da bela princesa Dejah (Lynn Collins que também trabalhou com Kitsch em “Wolverine”). Toda essa seqüência de eventos é meticulosamente monitorada pelos Therns que funcionam exatamente como “Os Agentes do Destino”. Apesar que ao contrário destes, os Therns parecem não fazer muita idéia do que eles realmente querem dentro do contexto.

O diretor Andrew Stanton, do perfeito “Wall-E”, faz uma fábula que mistura de forma competente muitos lugares comuns como a redenção do mocinho, salvamento de princesas, união de povos. Tudo isso através um roteiro com ótimo fluxo de narrativa, efeitos especiais sem parâmetros de tão espetaculares (ok, o 3D podia ser melhor) e uma trilha de Michael Giacchino de “Super 8” que não por acaso lembra o que de melhor foi feito no gênero nas décadas de 80 e 90, principalmente sob a baliza de Spielberg. Destaque também para o elenco que não só possuem uma química afinada, como também um ótimo timing cômico que, por incrível que pareça, não compromete a seriedade da situação.

Só que como toda fábula, e ainda mais da Disney, é necessário que o espectador esqueça toda e qualquer lei da física, química, biologia e até do amor. Não existem leis que expliquem como John consegue saltar sem quebrar os ossos nas suas inúmeras quedas ou como ele aprende a andar rapidamente quando lhe é conveniente; e como ele bebe uma opção mágica que o faz entender a língua dos tarks (como a tribo de “Avatar” só que mais troglodita), sendo que os habitantes de Helium também falam inglês e os entendem; como John aprende em segundos a andar numa espécie de pod espacial saído de “Star Wars”, tornando-se mais hábil do que Luke Skywalker em tanto tempo de treinamento Jedi; e ainda tem o famoso efeito amor a primeira e mais rápida vista com a princesa Jedah, tornando esse talvez o clichê mais gritante do roteiro.

Baseado no personagem criado em 1912 por Edgar Rice Burroughs, o qual inclusive é um personagem também, “John Carter: Entre Dois Mundos” é o que de melhor uma Sessão da Tarde teria para oferecer. Um passatempo com garantia de qualidade, mesmo que pra isso tenha que sacrificar as leis que regem o universo, incluindo a lógica.

Obs: Como os nossos modernos telescópios já mapearam Marte e não encontraram vida, quer dizer que de lá pra os bandidos devem ter vencido e destruído o planeta. Ou não.
[rating:3]

Ficha Técnica

Elenco:
Taylor Kitsch
Lynn Collins
Samantha Morton
Willem Dafoe
Thomas Haden Church
Mark Strong
Ciarán Hinds
Dominic West
James Purefoy
Bryan Cranston
Polly Walker
Daryl Sabara

Direção:
Andrew Stanton

Produção:
Lindsey Collins
Jim Morris
Colin Wilson

Fotografia:
Daniel Mindel

Trilha Sonora:
Michael Giacchino

 

1 Comment

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  • saullo
    on

    pow,cara, concordo com sua critica, aldo.esse filme nao tem pé nem cabeça. Mesmo que os ossos do cara fossem feitos de isopor isso nao significaria poder controlar a gravidade, pq é isso que acontece, ele tem esse controle.
    o amor desesperado pela princesa chega a ser constrangedor.é muuuuito rápido e sem sentido.
    os agentes do destino declaradamente nao sabem o que fazem no filme, e eles confessam isso quando o carter pergunta “qual o proposito de vcs?” e o cara responde “nao temos proposito” ausaushauhsauhaus…que tosco, véi.
    ta, tem uns efeitos especiais legalzins, mas nem tanto assim. alguns cenarios sao tao artificiais que parecem mais aquelas fotos que tiramos quando somos criança.com aquele quadro de paisagem atras.
    ta, nao posso negar que o filme tem um final bem interessante, mas que deixa muita curiosidade.é bom!
    vale a pena ser visto,mas nem tanto. e nao gostei da quimica do elenco, nao. galera tava mais preocupada em ser bonita do que em representar.

    destaque para o cachorro monstro alienigena. =)

    ps:o filme seria bem melhor se tivesse mais 5 minutos de final.

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