Legião (“Legion”, EUA, 2010)

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O anjo Miguel (Paul Bettany de “Coração de Tinta“) desce à Terra para proteger um bebê que ainda está pra nascer, cuja mãe Charlie (a bela Adrianne Palicki do seriado “Friday Night Lights“) mora e trabalha numa lanchonete de beira estrada no meio do nada. Quando literalmente Deus e o mundo enviam seus emissários para matar o bebê, Miguel e as pessoas que se encontram dentro da lanchonete naquele momento devem fazer de tudo pra sobreviver.

A produção é deveras cuidadosa, com aquela trilha sonora arrasa quarteirão, efeitos especiais de ponta e conta com ação em boa dose, típica de filmes onde um grupo de pessoas fica isolado com uma ameaça lá fora (podem ser zumbis, monstros, etc).

o único problema é que esqueceram de um detalhe: do roteiro. A história contada não se encaixa em nenhum conceito religioso e, mesmo que fôssemos subverter tudo o que sabemos de religião, o roteiro não se encaixaria em nenhum conceito lógico. Então Deus quer que a criança morra. Não basta ele pensar nisso pra criança morrer? Não basta ele piscar os olhos pro mundo acabar? Ok, vai que ele (no filme) não tenha tanto poder assim. Mas ele tem milhares de anjos (pelo menos é o que aparece). Porque não mandar só algumas dezenas pra destruir o bebê ao invés de mandar seres humanos? Porque no final, mandar só um anjo pra duelar com Miguel se tem uns mil na reserva? Ah, e pra que serve mesmo o bebê? Em momento algum é falada da importância dele. Ele vai ser o novo Jesus? Mas Jesus não é a encarnação de Deus? Mas não é Deus que quer destruir o bebê? O mais provável é que quem escreveu o roteiro tenha algum tipo grave de transtorno bipolar ou de personalidade, pois não conseguiu refletir essas simples questões, nas quais o mais leigo espectador no quesito religião pensaria na hora.

Acaba que o dinheiro gasto em “Legião” com algo requintado foi praticamente jogado fora por não se ter o mínimo de lógica ou coerência ou sentido na narrativa. E sem isso, fica até desnecessário discutir outros aspectos. Que Deus o tenha.

[rating:2]


Ficha Técnica

Elenco:
Paul Bettany
Lucas Black
Tyrese Gibson
Adrianne Palicki
Charles S. Dutton
Dennis Quaid
Jon Tenney
Kevin Durand
Willa Holland
Kate Walsh
Jeanette Miller

Direção:
Scott Stewart

Produção:
David Lancaster
Michel Litvak

Fotografia:
John Lindley

Trilha Sonora:
John Frizzell

 

4 Comments

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  • Juliana Maffia
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    Putz esse post me desestimulou tanto… queria muito ver o filme pelo Paul Bettany, adoro ele! E pelo filme me lembrar um pouco (beeeem pouco) de Constantine. Mas muita gente anda reclamando… É bom (e raro) ler uma crítica que dá tanto os pontos positivos quanto os negativos.

  • Leda Zanini
    on

    Gostei mais ou menos. Um filme bem feito, com trilha ótima, efeitos super legais, deveria ser mais bem aproveitado se tivesse algum conceito religioso. Dá mais emoção! Concordo plenamente com os questionamentos da crítica, e ainda levanto outras: por que se as pessoas eram possuídas por anjos, ficavam com caras e corpos de demônios ou algo do gênero (o que era aquele sorveteiro, pelo amor de Deus!!!)?? Se eles eram tão fortes assim, pq não simplesmente invadiram a lanchonete sem fazer terror e levaram a moça? Porque as pessoas possuídas sempre pendiam para o lado do mal? Por que uma pessoa foi crucificada de cabeça para baixo? Essas coisas não são sinais de Deus! Não tem nada a ver com o Livro do Apocalipse, sinto dizer! Não seria mais fácil ele dizer que eram realmente demônios e criar uma guerra “bem contra o mal” como vários filmes que vemos por aí? Com certeza, o roteirista tem transtorno bipolar e não teve nenhum embasamento religioso. Abs!

  • Clayton
    on

    Acho que se espera demais de “Legião”. E realmente não tudo isso para se oferecer. Li a crítica antes do filme, então fiquei com uma sensação diferente, pois acabei por esperar por menos do que me foi apresentado. Paul Bettany desbota como ele só consegue mesmo que com certa displicência transmitir o peso que é ser Miguel. O diálogo com Lucas Black é de longe seu ponto alto no filme. Quaid, que ostenta o selo de garantia de qualidade da produção, está descaradamente no automático, mas é dele o único diálogo que vi, em qualquer filme já produzido, em que um pai consegue dar sutentação com exemplos próprios a um conselho ao filho. Quanto a Adrianne Palicki… bom… pra mim, basta ela existir, já estou satisfeito. Efeitos especiais irretocáveis, a luta de Gabriel e suas asas com Miguel impressiona, e a missão mais difícil, vou tentar defender o roteiro e levá-lo pelo menos a categoria de “bom”. Esqueça as questões religiosas, concentremo-nos apenas na fé. Sim, bastaria Deus pensar e puff… o bebê sumiria. Mas ele só age através de seus instrumentos, os anjos. Um bebê é uma missão simples, basta um anjo, e ninguém melhor para executar a função do que o rebelde Miguel, que assim demonstraria seu amor incondicional ao Pai. Mas este, mostra que realmente tem livre arbítrio e passa a defender os humanos. Os cães que deveriam por fim a humanidade, agora tem que se concentrar no bebê, pois este parece representar o tempo extra que o homem teria para provar que pode se redimir. Como Miguel não facilita as coisas, Gabriel puxa-saco se oferece para dar conta do recado. Aí fica provado que lutando por sua própria existência, mesmo que seu Deus o tenha virado as costas, o homem é digno de clemência, graças ao sacrifício pelo qual está disposto a passar os personagens de Paul Bettany e Lucas Black, que lutam pela vida do recém nascido, que aí sim, diante disto, parece atender a algum texto profético. Mas a humanidade ainda está sob júdice e nada pode acontecer ao bebê, o que justifica o arsenal mostrado ao final do filme. Apenas uma coisa não tem salvação. Como o bebê e Adrianne Palicki saem ilesos do acidente de carro, essa nem Steven Seagal e olha que ele é fera!

  • Risalva
    on

    Uma versão bastante interessante do nascimento do filho de Deus. Para os adeptos da família tradicional é uma ótima lição. O Salvador nasce de uma mãe solteira viciada em cigarro e sabe se mais lá o que pobre e sem o apego maternal pela criança. Bem interessante.

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