Liga da Justiça de Zack Snyder (“Zack Snyder’s Justice League”)

Quando fiz a crítica de “Liga da Justiça” dirigida por Joss Whedon, frisei que ele fez o melhor que pôde com o material que tinha e que mesmo com algumas cenas absurdamente mal feitas como a cara do Superman sem o bigode através de porcos efeitos digitais, ainda assim, a produção era digna. Ledo engano o meu.

Mas vamos pelo começo: em 2017, no meio das filmagens a filha de Zack Snyder, Autumm, cometeu suicídio, devastando a vida do diretor e sua família, o que o forçou a se afastar, passando a direção para Whedon, na época celebrado pelo seu trabalho na Marvel nos dois primeiros “Os Vingadores”. Eis que desde o fim de 2019 Synder, descontente com o resultado do filme (mesmo sem nunca ter visto), pegou todo material não mostrado, juntou com o que havia sido feito, deletou boa parte, praticamente mudou a essência da trama, fez algumas cenas extras importantes, mudou o formato de tudo, tornando mais quadrado ao invés de wide screen, mudou a paleta de cores, trocou toda a trilha sonora, desenvolve mais seus personagens, acrescenta novos, faz um desfecho completamente diferente e lançou essa versão de quatro horas.

Desnecessária? Talvez. Longa demais? Com certeza. Vale a pena? MUITO!

Diferentemente da versão anterior, o início começa com a morte de Superman em “Batman vs. Superman” e vincula isto ao despertar das caixas-mãe, objeto de desejo do vilão Lobo de Estepe (com o rosto totalmente reformulado), o que leva Bruce Wayne a tentar reunir potenciais heróis para lutar em equipe e destruir a ameaça.

O arco emocional de todos é maior – é claro, também com 4 horas… – e muito mais esclarecedor e ainda mais assertivo, principalmente com o Cyborg, mas sem deixar de acrescentar importantes passagens aos outros personagens.

A violência gráfica está deliciosamente mais presente e mesmo que, com as proporções de um filme família, dá para ver algumas mortes bastante violentas e intuir outras, inclusive de inocentes, o que dá um toque obscuro e realista. A interação entre os personagens está maior e melhor, inclusive nas cenas de ação, com algumas lutas redesenhadas do zero para um resultado mais atraente. E só o fato do Superman estar mais humano, irreverente e sem nenhuma cena sem retoques digitais já é uma vitória.

Eis que chegamos quase ao final com a cena mais esperada – a do pesadelo – e confesso que talvez uma das mais desnecessárias porque, por um lado, sabemos que não vai haver uma continuação. Por outro lado, o filme do Flash está chegando em 2022 e pode pelo menos ensaiar um desfecho como se numa linha alternativa do tempo. Aliás, Snyder colocou tantas deixas para uma continuação que é quase injusto saber que ela não acontecerá. Mas no mundo de Hollywood ninguém sabe ao certo o destino de grandes franquias e tudo – e todos – tem seu preço.

O que se sabe é que Liga da Justiça de Zack Snyder veio para se sobrepor por completo à versão anterior e que mesmo sendo um beco sem saída tem um frescor e originalidade que quase nenhum filme dessa franquia conseguiu alcançar.

Curiosidades:

– Essa versão não teve nada filmado por Joss Whedon. Ou foram filmadas por Snyder que não entraram na primeira versão (a maior parte) ou foram refilmagens.
– Snyder fez esse filme sem nunca ter visto a primeira versão de Whedon. E nunca vai ver, segundo o próprio.
– O personagem de Ryan Choi, cientista que assume os estudos da tecnologia alienígena no fim do filme, é o que nos quadrinhos será conhecido como Átomo.
– Lembrando que a citação da remoção do bigode do Superman se deve ao fato de que nas refilmagens de Whedon em 2017, Henry Cavill está filmando também “Missão: Impossível – Efeito Fallout” e, por contrato, ele teria que usar um bigode que não poderia ser mudado. Então Whedon fez um péssimo trabalho retirando o bigode do ator digitalmente.
– A jovem que o Flash salva no início é Iris West, o interesse amoroso do herói nos quadrinhos.
– Filme mais longo lançado em 2020 e o filme mais longo da DC de todos os tempos.
– O diretor Zack Snyder faz uma participação especial como um dos clientes da cafeteria onde Louis Lane compra seu café no início do filme.
– Na cena em que o caixão do Superman é desenterrado, Flash fala o nome “Mulher Maravilha” sobre Diana e essa é a única vez em todo universo cinematográfico DC em que o nome da heroína como conhecemos é pronunciado.
– A cena do pesadelo foi toda filmada em separado, ou seja, os artistas estavam em lugares diferentes e foram colocados juntos digitalmente.
– Na placa do Asilo Arkham, está escrito que sua fundação foi em 1974, ano em que ele aparece pela primeira vez nos quadrinhos.
– O ator que interpreta o policial para quem Louis Lane entrega o café é ninguém menos que Marc McClure, que interpretou Jimmy Olsen no clássico “Superman: O Filme” de 1978.
– Com Jared Leto no filme, é a primeira vez que um ator interpreta o Coringa em mais de um longa metragem.

Ficha Técnica

Elenco:
Ben Affleck
Henry Cavill
Amy Adams
Gal Gadot
Ray Fisher
Jason Momoa
Ezra Miller
Willem Dafoe
Jesse Eisenberg
Jeremy Irons
Diane Lane
Connie Nielsen
J.K. Simmons
Ciarán Hinds
Ryan Zheng
Amber Heard
Joe Morton
Lisa Loven Kongsli
David Thewlis
Ann Ogbomo

Direção:
Zack Snyder

Produção:
Charles Roven
Deborah Snyder

Fotografia:
Fabian Wagner

Trilha Sonora:
Junkie XL

 

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