Menina de Ouro (“Million Dollar Baby”, EUA, 2004)

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Logo no lançamento de “Menina de Ouro” nos cinemas ianques, este colunista leu o seguinte comentário de um crítico americano: “…o filme que passa de um ótimo drama de boxe nos dois primeiros atos, para o provável ganhador do Oscar em seu último ato“. Talvez este tenha melhor descrito esta incursão de Clint Eastwood (já premiado com “Os Imperdoáveis“) no cinema. Já sabemos que o drama sobre a aspirante à boxeadora Maggie (Hilary Swank oscarizada duas vezes e a última por este filme) treinada com relutância pelo dono de uma academia decadente Frankie (Eastwood) ganhou quatro Oscars. Cabe-nos então responder se os Oscars foram merecidos.

Morgan Freeman (de “Antes de Partir” mereceu ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante? Sim. Na verdade ele já merecia ter ganhado outras vezes, porém agora o que chamou atenção é a química sobrenatural entre Freeman e Eastwood, sendo seus diálogos feitos com uma naturalidade impressionante. Provavelmente foi essa química que deu o Oscar a Freeman, o qual interpreta Scrap, um funcionário da academia de Frankie.

Hilary Swank mereceu ganhar o Oscar de Melhor Atriz? Sim, porém fica claro que o Oscar vai mais para o papel em si do que para a atriz. Esse é daqueles papéis que toda atriz gostaria de ter para concorrer ao Oscar. Interessante lembrar que os dois Oscars que Swank ganhou são das duas únicas produções acima da média que ela participou e ainda por cima interpretando papéis masculinizados (a exemplo de Teena / Brandon em “Garotos não Choram“).

Clint Eastwood mereceu o Oscar de Melhor Diretor? Sim. Sem Scorsese no caminho (difícil entender porque ele era tão favorito com um filme sem foco como “O Aviador“), ficou fácil para Eastwood. E ele conduziu muito bem os 135 minutos de filme, sendo cada minuto justificável. Não apelou para o choro fácil e preferiu cuidar do desenvolvimento dos personagens. Talvez a única falha tenha sido no tratamento dos coadjuvantes os quais se tornaram bastante clichês, seja a família de Maggie ou o boxeador Shawrelle dono do pedaço, representando o eixo do mal ou o palerma Danger como o alivio cômico do filme (mesmo assim é um dos poucos filmes onde a parte cômica vem bem a calhar devido a sua carga emocional durante a projeção).

E finalmente, “Menina de Ouro” mereceu ganhar o Oscar de Melhor Filme? Com certeza. Algo chama atenção na reação da crítica especializada com o resultado: durante o ano de 2004 (e antes) falou-se que não se faziam filmes ganhadores de Oscar como antigamente, nas décadas de 50 e 60. Quando finalmente vemos um filme feito à moda antiga ser premiado, a crítica diz que a Academia está se prendendo a antigos valores e deveria mover em direção ao futuro. Parece que a crítica especializada não sabe o que quer.

É um filme triste, que deixa o expectador arrasado e deprimido ao sair do cinema. Mas com o atual descaso de Hollywood com os bons filmes, qualquer um que produzisse o sentimento que seja no expectador já deveria ser agraciado com um prêmio. E este merecidamente levou o Oscar.

Nota 10


Ficha Técnica

Elenco:
Clint Eastwood
Hilary Swank
Morgan Freeman

Direção:
Clint Eastwood

Produção:
Clint Eastwood
Paul Haggis
Tom Rosenberg
Albert S. Ruddy

Fotografia:
Tom Stern

Trilha Sonora:
Clint Eastwood

 

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