O Clã das Adagas Voadoras (“Shi Mian Mai Fu”, China, 2004)

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Tal qual o clássico de William Shakespeare, este exemplar do cinema oriental tipo exportação conta uma história de amor impossível. Mas, dessa vez o casal se encontra em lados opostos da lei. Pode parecer bobagem para nós brasileiros, mas na China do século passado (e talvez até atualmente) esses valores são levados a sério. E justamente no fato de nos colocar essa realidade sem parecer ridículo, encontra-se o primeiro ponto positivo do filme.

O clã das adagas voadoras é um movimento revolucionário contra o governo chinês. Ao prender Mei (Zhang Ziyi de “Herói”), uma das garotas que fazem parte do clã, Jim (Takeshi Kaneshiro), um policial guerreiro, traça um plano para libertá-la somente para acompanhá-la a chefe do clã e assim ter a chance de prender a todos. Porém, no meio do caminho, ele se apaixona pela sua “presa”, o que acaba fazendo ter sentimentos conflitantes sobre o dever a cumprir.

Anos-luz à frente de “O Tigre e o Dragão”, o filme mostra batalhas belíssimas com técnicas inéditas. Ao contrário de “O Tigre e o Dragão”, onde era clara a intervenção de fios para segurar os atores, desta vez os efeitos especiais fazem com que o peso dos atores seja sentido na tela. Até os efeitos digitais satisfazem o espectador, que não repara nas manobras improváveis de flechas e adagas.

As batalhas, entretanto, não seriam as mesmas não fosse pela espetacular fotografia que mistura cores como numa pintura quinhentista. Ao atravessar as florestas em buscas do esconderijo do clã, enfrentando em várias ocasiões os soldados do general chinês, tem-se a nítida impressão de estarmos percorrendo diferentes mundos, dado à mudança e ao contraste de cores que inundam a tela com uma complexidade e harmonia pouco vistas antes.

Quem pensa que este filme se limita a belas imagens para disfarçar o pouco conteúdo se engana. Além de contar uma linda história de amor, seu terceiro ato é recheado de reviravoltas surpreendentes. Ainda, seus roteiristas se deram ao ótimo luxo de deixar seu final dúbio com a última batalha entre a polícia e o clã por acontecer. Já para os protagonistas, o fim é shakespeareano e surreal, com efeitos digitais de neve convincentes permeando o ambiente.

O diretor Zhang Yimou conseguiu fazer um filme melhor do que o seu também ótimo “Herói” onde maior mérito é no contraste de lutas de sangue com o sublime amor. Um produto de exportação com a mais alta qualidade made in Japan.

[rating:4.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Takeshi Kaneshiro
Andy Lau
Zhang Ziyi
Song Dandan

Direção:
Zhang Yimou

Produção:
William Kong
Zhang Yimou

Fotografia:
Zhao Xiaoding

Trilha Sonora:
Shigeru Umebayashi

 

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