O Efeito da Fúria (“Winged Creatures”, EUA, 2008)

Genre :

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Numa lanchonete americana (tinha que ser lá), um indivíduo aparentemente normal entra e começa a atirar em que está lá. Este drama depressivo ao extremo conta a história dos efeitos que o episódio teve nos sobreviventes. E só sobreviventes do primeiro escalão de Hollywood: da garçonete (Kate Beckinsale de “Temos Vagas“) que perde os cuidados com o filho, criando uma obsessão pelo médico que também estava lá (Guy Pearce de “Um Faz de Conta que Acontece“), o qual quer dar uma de Deus e coloca sua esposa como cobaia para novos experimentos; do azarado (Forest Whitaker de “Os Reis da Rua“) que pensa ter muita sorte por ser sobrevivente e abandona a filha para ir aos cassinos de Las Vegas; da garotinha (Dakota Fanning de “Heróis“) que perdeu o pai no tiroteio e se transforma numa subida devota da religião. E por aí vai.

A produção tem dois problemas crônicos: o primeiro é que por mais chocante que seja a situação e por mais diferente que sejam os seres humanos, é muito, mas muito difícil imaginar reações tão adversas e quase tão sem sentido dos personagens. Porque a garotinha ficou religiosa? A resposta no final passa longe de ser convincente. Porque o azarado deixa os agiotas o machucarem quase no desfecho? Impossível de saber. E porque o menino que emudeceu após o crime (Josh Hutcherson de “Viagem ao Centro da Terra“) faz tudo o que a garotinha manda?

O outro problema são as atuações artificiais: Fanning força uma barra da intelectualidade do espectador pra convencê-lo de uma conversão religiosa absurda; Whitaker com sua cara depressiva por natureza parece estar mais bêbado do que propriamente entorpecido com o choque; Beckinsale não muda o disco. Quem se salva é mesmo Pearce com uma interpretação mais contida (por mais que o roteiro não ajude a justificar seus atos) e Jackie Earle Haley de “Watchmen“, este sim que tem apenas uma ponta, mas que é marcante pela intensidade. Jeanne Tripplehorn (“Os Maiorais“) também se destaca como mãe da recém fanática religiosa, menos pela atuação e mais pelo personagem, o qual parece ser o único que também não engole essas reações amalucadas.

Os melhores momentos da narrativa ficam pela decisão acertada de mostrar o que realmente aconteceu na lanchoete aos poucos. Infelizmente o resultado é frustrante e deve gerar um impacto inverso ao que seus realizadores previram.

Talvez toda essa loucura pode realmente acontecer. E ela até se torna um pouco mais digerível pela boa trilha sonora de Marcelo Zarvos, o qual, pasmem, trabalhou na trilha do brasileiro “Última Parada 174“. Ainda sim, o espectador com um pouco mais de senso analítico não deve se deixar levar pelas lágrimas e constatar que o roteiro escrito foi extremamente burocrático transformando o que poderia ter sido um curioso estudo da psique humana, num amontoado dramático com muita depressão e pouca explicação.

[rating:2]


Ficha Técnica

Elenco:
Forest Whitaker
Kate Beckinsale
Guy Pearce
Dakota Fanning
Josh Hutcherson
Jennifer Hudson
Jackie Earle Haley
Jeanne Tripplehorn
Embeth Davidtz
Troy Garity

Direção:
Rowan Woods

Produção:
Robert Salerno

Fotografia:
Eric Edwards

Trilha Sonora:
Marcelo Zarvos

 

3 Comments

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  • saullo
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    impressao minha ou a dakota ta ficando mais chata a cada filme?

    como vc disse, o filme tinha tudo p ser um “curioso estudo sobre a psique humana”, mas
    pelas interpretaçoes ruins e principalmente pela lentidao (tive q correr com o filme em alguns momentos de tao chato q estava), acabou por se tornar so mais um filme de prateleira.

  • andre
    on

    i love DAKOTA FANNING
    ela e uma estrela
    FABULOSA

  • Mariana Drumond
    on

    Adorei o resumo do filme, parece ser muito bom. Ainda mais com a minha diva Dakota Fanning e o gatinho do Josh Hutcherson .

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