O Exterminador do Futuro – A Salvação (“Terminator Salvation”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

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A mais recente continuação da saga de ficção científica iniciada em 1984 pelo ainda não tão famoso James Cameron é um avanço se compararmos com a mais fraca terceira parte dirigida por Jonathan Mostow em 2003. O ano é 2018 no meio da guerra entre homens e máquinas, tal qual Sarah Connor havia previsto no início da série. John Connor (Christian Bale, também conhecido como “Batman – O Cavaleiro das Trevas“) é um guerrilheiro e líder espiritual da resistência (sabe lá o que isso quer dizer), apesar de não comandá-la de fato. Ele está atrás de Kyle Reese (Anton Yelchin de “Star Trek“) que será seu pai ao voltar pro passado para proteger Sarah Connor. Logicamente, as máquinas também o querem. O rumo da história muda com o aparecimento de Marcus (Sam Worthington ator em ascensão de “Morte Súbida“), um misterioso homem que teve seu corpo colocado em estado criogênico para a ciência no passado.

É possível fazer algumas interessantes analogias com a série “Matrix“. Tal qual a última parte, “Revolutions“, “Exterminador do Futuro – A Salvação“, muda completamente o foco dos últimos três filmes, onde o exterminador é um mero acessório. Porém isso não afeta em nada as cenas de ação, as quais são orquestradas com maestria (a cena do helicóptero no primeiro ato é sensacional), sendo a própria produção um exemplar de ação praticamente ininterrupta.

Lógico que isso também interfere no desenvolvimento dos personagens: Connor aparece como um mero herói do gênero sem nenhum grande conteúdo. Aliás, ao contrário de “Matrix” com Neo, o filme não dá a mínima pista da importância de Connor no meio da guerra, já que ele parece não ter nenhum dom ou habilidade especial que se diferencie dos outros soldados. Talvez não à toa, logo no início a introdução põe em dúvida a profecia que afirma ser Connor o salvador da humanidade. Kate Connor, que na terceira parte foi interpretada por Claire Danes de “Ao Entardecer” e foi substiuída agora por Bryce Dallas Howard de “Homem-Aranha 3” depois que Danes sabiamente recusou o papel, é apenas uma apagada personagem. Yelchin faz o que pode para tornar Reese interesante e de certa forma consegue. Cabe a Marcus o personagem mais complexo e, porque não dizer, o verdadeiro protagonista.

O excesso de ação também esconde algumas inconsistências de roteiro como o fato das máquinas não exterminarem Reese quando tiveram chance, já que, segundo a trama, ele é a peça chave para o nascimento de John Connor. Agora algumas coisas não tem preço, como as referências e homenagens que o diretor MCG (“As Panteras“) faz à série, eternizando mais uma vez a frase “I’ll be back” ou com a trilha de Guns’n’Roses, entre outras.

Exterminador do Futuro – A Salvação” está a anos-luz de suas duas primeiras partes dirigidas pelo mestre Cameron, porém ainda sim é um filmaço. Talvez tenha faltado um pouco mais de alma e um cuidado com o roteiro e o desenvolvimento de Connor. Obrigatório para quem acompanha a saga. E que venha a próxima parte!

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Christian Bale
Sam Worthington
Moon Bloodgood
Helena Bonham Carter
Anton Yelchin
Jadagrace
Bryce Dallas Howard
Common
Jane Alexander
Michael Ironside
Ivan G’Vera
Chris Browning
Dorian Nkono
Beth Bailey
Victor J. Ho
Buster Reeves
Kevin Wiggins
Terry Crews

Direção:
McG

Produção:
Derek Anderson
Moritz Borman
Victor Kubicek
Jeffrey Silver

Fotografia:
Shane Hurlbut

Trilha Sonora:
Danny Elfman

 

4 Comments

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  • Zuba
    on

    Aldo Alves, sobre o que vc disse:

    “O excesso de ação também esconde algumas inconsistências de roteiro como o fato das máquinas não exterminarem Reese quando tiveram chance, já que, segundo a trama, ele é a peça chave para o nascimento de John Connor.”

    Bom, o fato de não terem exterminado Kyle foi porque as maquinas são lógicas; como saber se matando Kyle, Connor tbm morreria? Seria melhor usar Kyle para capturar Connor tbm, mas não contavam com a revolta do protótipo “infiltrador”.

    Não acho que Connor teve sua imagem apagada por qualquer outro personagem. Isso foi proposital, para nos levar à raciocínios e reflexões sobre ligações e influências que um exerceria sobre o outro. Pra mim, a questão é meio “quem veio primeiro:o ovo ou a galinha”. Explico: se o exterminador tivesse sucesso em sua primeira missão, matando Sarah, John não existiria. Também não sobrariam evidências da tecnologia do futuro naqueles tempos (lembrando que a skynet só começou a desenvolver tal tecnologia com residuos do 1º exterminador). Dessa forma, nem as máquinas existiriam. Se não enviassem o infiltrador, talves Connor nunca conhecesse Kyle, que nunca voltaria no tempo, e não evitaria a morte de Sarah.

  • Aldo Alves
    on

    Olá Zuba!
    Obrigado pelo seu comentário, o qual foi tão pertinente que resolvi responder por aqui. Sem dúvida, o que você escreveu é uma maneira de ver as coisas. Talvez o grande problema foi a parte do roteiro que fala qe o próprio exterminador serviu de matéria prima para o desenvolvimento dessa nova tecnologia. Bem que eles podiam ser menos paradoxais nesse sentido.

    Ainda não engoli direito o fato das máquinas não quererem matar o Kyle. Veremos o que acontece no próximo.

    Grande abraço!

  • Orlando Augusto stock
    on

    Ainda não percebi a real importância de John Connor como líder da Resistência.Porque é que ele é tao importante?Por ter uma aura messiânica?Por ser um general com habilidades incomuns para desenvolver brilhantes estratégias militares?Se ele morresse no futuro,a resistencia não teria outro líder?O facto de Connor ser Líder da resistência não significa que ele seja um grande estrategista militar.

  • Clayton
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    Ê polêmica! É assim que eu gosto!
    Filme que mexe muito com o presente e o futuro tende a desandar ou ficar incoerente em algumas de suas películas, mudando o diretor e o roteirista então, nem se fala! A mudança de atores no caso não vão influenciar muito, afinal Mr. Arnold era “esforçado” mas convenhamos, que argumentos interpretativos um exterminador precisar ter? Tanto é que foi possível cloná-lo digitalmente (Os outro brucutus estão com o emprego ameaçado), o que rendeu uma bela homenagem ao primeiro filme além de causar uma grata surpresa.
    Pra quem acompanha a estória chega a ser frustrante ver John Connor em papel secundário no comando da Resistência, mas no decorrer do filme entende-se a situação, pelo menos em minha ótica. Connor não recebeu o treinamento militar que sua mãe recebeu, ele tem dela no máximo as gravações que no filme mais o confundem do que o ajudam. É visto como um profeta pois devido seu contato com os primeiros exterminadores alertou sobre a situação atual da Terra, mas tal qual hoje em dia, é difícil se dar a liderança do que quer que seja a alguém que diz ter visto o futuro em seu passado, por mais que isto seja provado sistematicamente. Embora destituído de comando, seu carisma o coloca como líder informal, espiritual mesmo como diz o Aldo, da resistência, mas sabiamente relegando para um outro episódio o que poderia dar a Connor o seu valor real que justificasse a perseguição das máquinas especificamente a sua figura.
    Aqui, em a Salvação, o “salvador” e o moralmente “salvo” é Marcus, que diga-se de passagem, é o único personagem da trama com 3 dimensões, ou seja, com conteúdo e interpretação. Cada vez que Sam Worthington entra em cena dá sentido a estória e traz pra si a responsabilidade de levar o filme no que tange a ter um roteiro.
    No mais, a ação frenética é praticamente irretocável, com as máquinas espetacularmente mortíferas, com destaque para as motos. Pra 4º episódio está bem acima da média e se seguir pelo menos esse nível de qualidade teremos coisa boa pela frente.
    Agora só um adendo, quem é esse agente do Bale? Esse é dos bons! Todos os papéis de herói em blockbuster caem pro Christian… Assim o “boca mole” vai ficar cada vez mais esnobe.

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