O Leitor (“The Reader”, EUA / Alemanha, 2008) ***NOS CINEMAS***

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Às vezes filmes são feitos de detalhes. E são esses detalhes que fazem uma trama brilhar. É o caso de “O Leitor“, não a toa, um dos grandes indicados ao Oscar. Na Berlim Oriental, pós Segunda Guerra Mundial, um adolescente (o novato David Kross) conhece uma balzaquiana reclusa, Hanna (Kate Winslet de “O Amor Não Tira Férias“) e ambos têm um tórrido romance durante o verão, após o qual ela desaparece. Anos depois ele, um estudante de direito, encontra Hanna num julgamento onde ela pode ser culpada por crimes de guerra da época do nazismo.

Primeiro que Winslet está primorosa como essa alemã com estranhos princípios e uma intensa instabilidade. Além disso, ela não se furtou de um forte erotismo em suas cenas de paixão. Ralph Fiennes (de “A Duquesa“) interpreta o adolescente já na fase adulta. Apesar de ser um papel médio, era necessário um ator com o calibre emocional de Fiennes para transparecer todo o conflito de seu personagem.

E é aí que chegamos ao ponto alto de “O Leitor“. Esse conflito se deve a um segredo que até seria besta se não fosse a extrema relevância para o destino do casal. Salvo às devidas proporções, pode-se até comparar o segredo com aquele de “Sexto Sentido“, já que ele sempre está lá, mas o espectador só perceberá, com surpresa, no momento certo. E a maneira que o roteiro arranjou o momento já valia uma indicação ao Oscar.

E mais, “O Leitor” ainda provoca uma importantíssima discussão sobre os crimes de guerra: os coniventes com o nazismo seriam tão culpados quanto os criminosos? E em que base as acusações de crimes de guerra se firmam ao se condenar tão poucos, quando milhares de pessoas trabalharam diretamente para Hitler. Um filme para pensar e se emocionar.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Ralph Fiennes
David Kross
Kate Winslet
Lena Olin

Direção:
Stephen Daldry

Produção:
Donna Gigliotti
Anthony Minghella
Redmond Morris
Sydney Pollack

Fotografia:
Roger Deakins
Chris Menges

Trilha Sonora:
Nico Muhly

 

1 Comment

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  • saullo
    on

    realmente um filme emocionante. mas nao achei o “segredo” tao interessante assim, até pq, já dava p saber do que se tratava logo na primeira cena.

    o q mexeu mais comigo foi a questao do tempo, e o quanto podemos transformar nossas vidas com um simples ato. também dá p refletir sobre o orgulho…doeu em mim quando me imaginei na situaçao dele…na hora em que volta para encontra-la depois de uma semana…tipo…ele teve a chance dele, depois de muitos anos, de demonstrar o amor que ainda sentia por ela, mas ele preferiu manter o orgulho…

    também atentei para a questao de quem seria de fato o culpado pelos crimes de guerra. é todo um contexto, nao dá p julgar com as leis atuais, nao dá p tentar enxergar o que aconteceu com a nossa visao simplista de hoje.

    filme excelente, vale muito uma conferida!

    destaque para a Kate Winslet. ela está incrivel neste filme, e posso até dizer q tive um certo “preconceito” na hora de assisti-lo, justamente por ela ser a principal. nunca gostei muito do trabalho dela. mas aqui ela está fodastica!!

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