O Lenhador (“The Woodsman”, EUA, 2004)

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Para certos filmes não deveria haver trailer ou sinopse, o expectador deveria entrar no cinema sem nenhuma informação. Fosse assim, “O Lenhador” seria um dos maiores choques do cinema em 2005. Mas talvez aí resida o maior motivo para se assistir ao filme: mesmo com a história principal revelada, ainda é surpreendente sua trama.

Walter (o espetacular Kevin Bacon de “Sobre Meninos e Lobos“) foi recentemente libertado da prisão pelo crime de pedofilia (é isso mesmo, uma das maiores atrocidades que um ser humano pode cometer). Na busca por ser normal, seu passado o persegue e ele parece a cada dia estar mais próximo de ceder à terrível tentação. Nesse meio tempo, ele conhece Vickie (Kyra Sedgwick de “Morrendo e Aprendendo” e esposa de Bacon na vida real), uma mulher que guarda alguns segredos e aos poucos se apaixona por Walter, tentando fazer o possível para que ele se mantenha na linha.

Além disso, Walter enfrenta o preconceito da polícia (Mos Def de “Um Golpe de Mestre“), de seus colegas de trabalho e até da sua família. O filme mostra o leque de pontos de vistas de outros coadjuvantes sobre a pedofilia: seja achar que é doença, ou índole ou monstruosidade.

A força do filme se baseia primeiro na atuação de Bacon. É impressionante como um personagem tão introspectivo consegue gerar tanta tensão a cada potencial recaída, pena, ódio, dor, tudo junto, já que Walter se mostra um personagem tão complexo.

Outro destaque é a direção de fotografia que, apesar de enfocar basicamente o ambiente urbano, nos dá alguns presentes visuais, como a cena de Walter entrando em seu apartamento e fechando a porta, vista pelo olho mágico, entre outras.

Porém nada podia nos preparar para o último ato. É lá que o roteiro mostra a que veio, com uma surpresa que talvez seja mais chocante que a vista em “Sexto Sentido” devida à sua crueza. Talvez seja um dos raros momentos do cinema em que sentimentos tão contraditórios conseguem vir em turbilhão ao expectador. Mas essa surpresa é só pra quem ver o filme.

Tão surpreendente quanto seu final é saber que a diretora Nicole Kassell é estreante na função, a qual parece dominar tão bem! Produzido também por Kevin Bacon, o filme nos mostra uma visão imparcial de uma das maiores monstruosidades da terra. Um filme obrigatório, feito em 2004, que só mesmo por causa de politicagem não concorreu ao Oscar. Para ver de olhos bem abertos.

Nota 9,5


Ficha Técnica

Elenco:
Kevin Bacon
Kyra Sedgwick
Eve
Mos Def
David Alan Grier
Benjamin Bratt

Direção:
Nicole Kassell

Produção:
Lee Daniels

Fotografia:
Xavier Pérez Grobet

Trilha Sonora:
Nathan Larson

 

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