O Nevoeiro (“The Mist”, EUA, 2007) ***NOS CINEMAS***

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Adaptação de um livro do mestre do suspense Stephen King, o qual já gerou o filme “A Bruma Assassina” em 1980 de outro mestre, John Carpenter. Pois bem, esse remake consegue ser melhor que os dois. Um nevoeiro cai sobre uma cidade no interior dos EUA e deixa várias pessoas ilhadas num supermercado. O problema é que existem estranhas criaturas dentro névoa que não deixam barato para a turma presa e mata quem sair.

Mais do que o terror em si, das criaturas bem feitas ao extremo e de uma tensão crescente, “O Nevoeiro” é um estudo do ser humano ou do que acontece com um grupo de pessoas quando o medo e o desespero tomam conta, acentuado seu lado mais primitivo seja para melhor ou para pior. Essa temática já foi trabalhada de forma razoável, em filmes como “Guerra dos Mundos” e “O Amanhecer dos Mortos“, mas não com tanta intensidade.

Destaque para os dois personagens que se colocam em extremos diferentes: Thomas Jane finalmente bem no papel de pai de família (o qual sua atuação no último ato é sensacional), e principalmente a oscarizada Marcia Gay Harden (“Na Natureza Selvagem“) como uma fanática religiosa, a qual consegue converter e incitar a violência descabida em vários integrantes do grupo preso.

O diretor Frank Darabont (do perfeito “Um Sonho de Liberdade“) constrói todo o clima de tensão e terror de forma gradativa o que pode exigir um pouco de paciência dos expectadores mais apressados. Mas reparem como a ausência de trilha sonora na maioria do filme e a câmera manual engradecem o clima de suspense. E tudo termina com um dos finais mais implacáveis de todos os tempos, o que pode gerar até certa revolta, mas que serve de reflexão do que acontece quando o desespero chega ao limite. Prova de uma vez por todas que, mesmo com todos os monstros o terror vive dentro de nós.

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Thomas Jane
Marcia Gay Harden
Laurie Holden
Andre Braugher
Toby Jones

Direção:
Frank Darabont

Produção:
Liz Glotzer
Martin Shafer

Fotografia:
Rohn Schmidt

Trilha Sonora:
Mark Isham

 

4 Comments

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  • Passageirodealgumtrem
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    Só podía ser Stephen King, que há tempos não tinha uma adaptação tão bem montada para o cinema. A maioría das pessoas que apontam críticas sem entrar em maiores detalhes, ou não conhecem nada dos livros de Stephen King, ou não conhecem nada de filmes de horror do gênero fantástico. Mas não julgo ninguém, cada um tem sua opinião; mas expresse sua opinião, baseado em algo, além de “merda”, “ruim”, “não gostei”. Opinião assim, minha sobrinha de 8 anos também sabe dar. E o roteiro? E a fotografia, a iluminação, os efeitos, a trilha sonora, a interpretação?
    Achei tudo ótimo, mas como era de se esperar, o final foi pessimista demais. Mas o final, não procura agradar nenhum gosto particular, é apenas a história do livro, e ponto final. Tenho o hábito de ler os livros que inspiram os filmes antes de assistir os filmes, ou pelo menos, procuro saber a opinião pessoal de quem leu antes. Assim, não falo “pro vento”.
    Realmente, foi detestável o final, mas na minha opinião pessoal, eu mesmo tinha acertado um tiro na testa daquela beata logo na primeira meia hora do filme, ela foi quem mais me deixou irritado o filme inteiro. Quem não entendeu, assista de novo, as explicações estão todas lá, até em excesso, a meu ver. Ou leia o livro “Skeleton Crew”, que é mais fácil de pegar a moral do filme, apesar de ser ligeiramente diferente no conto ( o filme centra mais a história na beata, e o final, também têm diferenças).
    Os monstros são mero pano de fundo, para mostrar a reação das pessoas, diante de situações absurdamente inesperadas. Aqui, a clausura, o medo e as diferenças pessoais, que vão desde a rixa entre os “locais” e os “visitantes” até as diferenças religiosas, criam um clima hostil, onde muitas vezes ficamos em dúvida se é mais perigoso permanecer dentro do prédio ou tentar a sorte no nevoeiro. É essa a moral do filme.
    Vale cada centavo gasto, independente do final.

  • francisco lopes
    on

    Não consigo entender por que as pessoas se incomodam tanto com o final desse filme. É simplesmente lógico, dadas as premissas da história. O filme é excelente, construído com habilidade, e, diferente da maior parte das adaptações cinematográficas dos livros de Stephen King, que são mero lixo de horror para adolescentes descerebrados, este é um filme em que os personagens nos interessam, não estão lá apenas para serem ceifados um após outro por algum monstro ou monstros. Marcia Gay Harden está simplesmente sensacional, e, claro, não a odiaríamos tanto se não fosse tão boa atriz.
    Achei Darabont corajoso do começo ao fim, mantendo a mesma coesão trágica e sendo capaz de afrontar as banalidades sentimentalóides do cinema comercial.
    A estrutura em crescendo de horror do filme lembra a de “Os pássaros”, de Hitchcock.

  • saullo
    on

    filme bom demais! efeitos ótimos, interpretaçoes incriveis, ate as cenas gore foram bem medidas.
    clima tenso o tempo todo, apesar de lento em alguns momentos, o q lembra um pouco “a tempestade do seculo”, acho q é esse o nome, baseado no king também, se nao estou enganado.
    o final até que surpreende, apesar do king ser beeeeeeeeeeeem previsivel nos finais.

    e por falar em final, confesar q nao sabia se ficava puto ou se me espocava de rir. ô situaçao escrota p carai, em? XD

  • Clayton
    on

    Ratifico a maioria das afirmações a cerca do filme. Stephen King é um escritor de mãos cheias, mas parece ser complicado transferir suas histórias para o cinema, pois ninguém acerta a mão, com exceção (na minha opinião) de Sonâmbulos e It. Finalmente, O Nevoeiro, entra pra lista de ótimas adptações. Um filme tem grande probabilidade de sucesso quando apresenta coerência, ritmo e boas interpretações, ainda mais se ao invés de utilizar astros “blockbusters”, prestigiar atores do segundo escalão (mas com atuações de primeiro) e assim priorizar o entendimento do roteiro. Não digo com isso que este é uma obra-prima, um cinco estrelas, mas é bem acima da média, e vale o aluguel do dvd sem dúvidas. Sempre em ritmo crescente, com lados bem definidos e emoções extremas como somente o isolamento exacerba, o filme foca em questiopnar de que lado do vidro estão os “monstros” e ainda consegue colocar em xeque o tema da fé (quem será que realmente pode ter a visão certa do mistério da fé, a fanática, a impecável Sra. Harden, que incita a violência insana agarrada ao doentio conceito de que é um instrumento de Deus, ou o eticamente correto, Thomas Jane o sósia de Cristopher Lambert, que ao se defrontar com o teste mais difícil de sua crença se vê no dilema de cumprir ou não sua promessa, tendo em vista que uma visão de 15m de altura esmagou sua esperança). Trata-se de mais um filme que te pergunta: E se fosse com você?

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