O Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (“Prince of Persia: The Sands of Time”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Depois que o produtor Jerry Bruckheimer conseguiu o feito assombroso de transformar uma simples atração da Disney, “Piratas do Caribe“, num mega sucesso de bilheteria com direito a uma trilogia e ainda mais dois filmes que estão a caminho, ele tenta fazer o mesmo com um dos antigos e mais cultuados jogos de PC, “O Príncipe da Pérsia“.

Logicamente a história foi toda remontada, sobrando do jogo as locações, as quais fariam Glória Perez e sua novela “O Clone” tremerem de inveja, e as acertadas decisões de tornar a movimentação do personagem próxima do que se vê no jogo. E falando nisso, Dastan (Jake Gyllenhaal de “O Suspeito“) é um órfão que parece ter nascido com uma clara aptidão para ser malabarista de circo, ao mesmo tempo que poderia ter sido o escolhido para o novo Neo de “Matrix” de tão absurdas habilidades que possui.

Ele é adotado pelo rei da Pérsia, cujo trono é cobiçado pelo seu irmão (Richard Coyle que fez uma ponta em “O Justiceiro Mascarado“) e seu tio Nizan (Ben Kingsley de “Ilha do Medo“). Ao ser vítima de uma conspiração que resultou na morte do pai adotivo, sendo acusado como assassino, Dastan deve provar sua inocência e para isso contará com um artefato sagrado – uma adaga com o poder de voltar no tempo – e da princesa guardiã Tamina (Gemma Arterton de “Fúria de Titãs“).

O que acontece daí em diante é uma sucessão dos mais óbvios clichês de todos os gêneros: Dastan e Tamina começam se odiando e obviamente vão terminar se amando, como nas mais pueris comédias românticas; nosso herói parece nunca ser atingido por nenhuma flecha ou espada, mesmo que ele seja praticamente “metralhado” por uma tropa inteira; haverá um improvável beijo em meio a uma cena de ação com perigo de morte; também mesmo com todas as ameaças do planeta sobre os mocinhos, eles terão tempo e cabeça para contar piadinhas e tirarem sarro um da cara do outro; e o final será mais óbvio que palavras cruzadas infantis. Enquanto Arterton tem muito mais beleza do que talento, os demais apenas atuam no nível que um blockbuster enlatado de Hollywood precisa.

Mesmo assim, é inacreditável constatar que a produção até que funciona. Isto é, Bruckheimer e o experiente diretor Mike Newell (“Amor nos Tempos de Cólera“) conseguem fazer a platéia sair do cinema realizada, com aquele sorriso de que valeu o dinheiro investido. Como isso? Fazendo os clichês trabalharem ao seu favor, deixando-os sempre como acessórios para o principal que é a aventura em si e fazendo uma mistura de elementos de filmes tão bem aceitos de outrora ao relembrar claramente “Indiana Jones” e até mesmo o novo “Fúria de Titãs“.

Um detalhe que chama atenção é a crítica escancarada que o roteiro faz aos EUA quando mostra o exército da Pérsia invadindo uma cidade sagrada sob o pretexto de eles esconderem armas, porém na verdade eles estariam atrás da adaga sagrada (alguém ouviu Iraque, Saddam e petróleo?); e também ao apresentar os hassassins como uma organização secreta do reino com propósitos mais do que obscuros (CIA?).

Só não funcionou melhor porque “Príncipe da Pérsia” não tem um Johnny Deep, como Capitão Sparrow, o qual conciliava talento inigualável com um personagem de uma acidez e profundidade ímpares. E, convenhamos, Gyllenhaal é um bom ator, mas só, e seu Dastan nada mais é que o estereótipo do herói de ação. A temporada de verão 2010 ganha pontos com uma aventura bem humorada que esconde seus defeitos através de ação ininterrupta e se transforma num destaque, ainda que mediano. E sim, vale o ingresso.

[rating:3]


Ficha Técnica

Elenco:
Jake Gyllenhaal
Gemma Arterton
Ben Kingsley
Alfred Molina
Steve Toussaint
Toby Kebbell
Richard Coyle
Ronald Pickup
Reece Ritchie
Gísli Örn Gardarsson

Direção:
Mike Newell

Produção:
Jerry Bruckheimer

Fotografia:
John Seale

Trilha Sonora:
Harry Gregson-Williams

 

2 Comments

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  • Daniel BzRRA
    on

    Parabens Aldo gostei da sua critica a esse filme. Pois pelo menos você não detonou o filme como muitos criticos tem feito. Eu partticularmente adorei o filme talvez por ser fã da trilogia The Sand of Time que já zerei duas vezes. Só valoriza o filme quando si conhece o jogo e a fidelidade a ele deixado bem claro no filme. Como as acrobacias de Parkour do Dastan, a sua imaturidade ( Jake soube colocar muito bem isso no personagem ), os dialogos de sarro e piada com a princesa, o racicionio rápido para resolver problemas e o poder da Adaga que ficou muito melhor do q eu imaginava. Agora sem dúvida o roteiro original ( do jogo ) é superior ao do filme e mesmo si fosse igual o filme tambem seria previsivel para quem conhece o jogo. Sem dúvida a melhor adaptação de Video Game para o cinema. Que venha o segundo vou assiste sem medo si, Jordan Mercher conseguir colocar as reviravoltas do roteiro original no filme com certeza será excelente principalmente para quem nao conhece o jogo.

  • Daniel BzRRA
    on

    É muito provavel esse filme não haver uma continuação. Pelo fiasco que o filme foi nos EUA.. Eu fico bastante triste e creio que foi uma grande burrice da disney ter investido tanto nesse filme, sendo que no final o filme não parece que esteticamente foi esse valor todo. Outra burrice que provavelmente deve ter feito os americanos ter fugido dos cinemas é a historia da invasão do Iraque imbutido no roteiro. Pensando meses depois sobre o filme aquele roteiro deveria ser melhor explorado pelo original. E acho que o aparecimento de Dahaka pelo menos nos ultimos segundos do filme ( nem que fosse nos creditos ) irá dá mais estimulo para quem quer assiste o filme. Assim com o Homem de Ferro 2 fez com o aparecimento de Thor. Para quem não sabe Dahaka é o Deus Guardião do tempo que aparece no segundo jogo para matar o Principe por ter alterado os acontecimentos. A historia do segundo jogo é fantastica um dos melhores roteiros de jogos q ja vi. E si virasse filme e fosse real ao roteiro iria ser um filmaço.

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