O Ritual (“The Rite”, EUA, 2011) ***NOS CINEMAS***

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O Exorcista” foi um clássico aterrorizante que levou a platéia em 1973 a sentir asco, medo e tensão como nunca antes e ainda ganhou o Oscar de melhor filme! De lá pra cá a sociedade mudou e o público ficou mais cético. Tanto é que a produção foi relançada em 2000 com onze minutos adicionais e, apesar de continuar uma obra prima, ficou longe de obter o mesmo sucesso. A conclusão daí é que filmes de exorcismo hoje em dia devem ser feitos com extremo cuidado para não caírem no ridículo e, ao invés de vermos uma pessoa exorcizada, o público tudo uma palhaçada.

Por esse prisma, “O Ritual” se sai razoavelmente bem. Nem tanto pelos bons e moderados sustos ou pelas cenas chocantes, mas nem tanto. Mas sim por ter dado ao protagonista e herói da história o mesmo ceticismo da sociedade atual. Ele é Michael (o novato Colin O’Donoghue) que para fugir do destino de ser assistente mortuário na funerária de seu pai, iniciou o seminário mesmo tendo suas crenças seriamente abaladas. Com relutância foi a Roma fazer um curso de exorcismo e conheceu o pouco ortodoxo Padre Lucas (Anthony Hopkins de “O Lobisomem“) que realiza exorcismos na sua casa ou a domicílio e daí passa a acompanhá-lo. Um dos casos desencadeia uma série de acontecimentos que vai por a prova a fé de Michael e da jornalista que o acompanha (a nossa Alice Braga de “Repo Men – Resgate de Órgãos“).

Por sinal a personagem de Alice funciona também como o lado racional do público e o roteiro incita a premissa de que se eles acreditam então é crível para quem está assistindo ao filme. Hopkins também é outro trunfo justamente por não estar afetado a partir do terceiro ato e sempre lembrando nosso amigo Dr. Hannibal Lecter.

Tem uma boa continuidade, suficientemente ágil para que o espectador não entre numa espiral de tédio, mas ainda assim, pausada para que se possam absorver todos os detalhes. E é por essa absorção que o público notará alguns deslizes do roteiro, como por exemplo, a disparidade sobre a descrição de como um exorcismo é feito e como o terceiro ato é praticado, ou até mesmo fica difícil engolir a história de como se faz pro demônio dizer seu nome e como parece ter sido relativamente fácil no final.

Baseado no livro de Matt Baglio, jornalista que conviveu com esses padres exorcistas (ou seja, como no personagem de Alice Braga) “O Ritual” já conta com a vantagem de não cair em lugares comuns, mesmo que careça de certas amarras narrativas e nem seja tão apavorante quanto é vendido. Mas para um gênero que apanha tanto por ter sua qualidade por muitas vezes jogada ao léu, esse já é um exemplar acima da média.

[rating:3]


Ficha Técnica

Elenco:
Anthony Hopkins
Colin O’Donoghue
Alice Braga
Ciarán Hinds
Toby Jones
Rutger Hauer
Marta Gastini

Direção:
Mikael Håfström

Produção:
Beau Flynn
Tripp Vinson

Fotografia:
Ben Davis

Trilha Sonora:
Alex Heffes

 

1 Comment

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  • Juliano
    on

    Gostei bastante do filme.
    Acho que o grande diferencial é ter sido baseado no livro escrito pela “jornalista que conviveu com esses padres exorcistas”, isso sim causou medo.
    E preguiçoso em escolher as palavras, concordo totalmente: “é um exemplar acima da média”

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