Os Homens que Não Amavam as Mulheres (“Män Som Hatar Kvinnor”, Alemanha / Dinamarca / Suécia, 2009)

Genre : ,

Essa produção escandinava é um bem vindo retorno ao tradicional suspense, gênero que atualmente tinha por costume ser distorcido com inúmeros artifícios tais quais infindáveis flashbacks, idas e vindas em sua cronologia, entre outros.

Contado de forma linear, mas sem burocracia, nos apresenta Mikael, um jornalista investigativo acusado de calúnia e difamação por uma de suas matérias e que é contratado por um velho milionário que vive com sua família numa ilhota isolada para resolver o seguinte mistério: há 36 anos sua sobrinha desapareceu sem deixar vestígios, porém desde então ele recebe encomendas de vários cantos do mundo com um tipo de arte em quadro que só a sua sobrinha sabia fazer. Desconfia que alguém da família que mora da ilha pode tê-la matado. Ao mesmo tempo uma hacker profissional, Lisbeth, investiga a vida de Mikael e os dois vão acabar se juntando para solucionar o caso.

Com 152 minutos, o filme não tem pressa de chegar aos pontos mais importantes, porém não enrola o espectador. Ao contrário, desenvolve subtramas que agregam valor na narrativa como de como Lisbeth foi molestada pelo seu tutor e o próprio escândalo ao qual Mikael se envolve ao escrever uma determinada matéria. Muito mais do que acessórias, essas tramas são fundamentais para seu desfecho que, caso você não saiba, deu origem já a duas continuações feitas no mesmo ano: a chamada trilogia Milenium.

De qualquer maneira, no fim, tudo gira em torno do mistério. E é aí que “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” ganha seus pontos: ele e sua solução são muito bem elaborados, as pistas que levam ao caminho da resolução são consistentes e não apenas plantadas pelo roteiro de qualquer jeito e mais, a razão pelo qual ele não foi resolvido durante esses 36 anos é extremamente convincente. E melhor do que reviravoltas forjadas, o roteiro constrói um crescente caminho inesperado. É torcer para que seus próximos dois capítulos sejam tão intrigantes e instigantes como esse.

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Michael Nyqvist
Noomi Rapace
Lena Endre
Peter Haber
Sven-Bertil Taube
Peter Andersson
Ingvar Hirdwall
Marika Lagercrantz
Björn Granath
Ewa Fröling

Direção:
Niels Arden Oplev

Produção:
Soren Staermose

Fotografia:
Jens Fischer
Eric Kress

Trilha Sonora:
Jacob Groth

 

5 Comments

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  • anderson
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    Este é o tipo de filme que vi sem esperar nada…. e gostei.
    Recomendo a quem gosta de suspense

  • Daniel BZ
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    Ola Aldo esse filme eh muito bom. com atuacoes bem feitas. O filme eh baseado no livro Millenium que como sempre por causa dos detalhes do livro q tem 528 pg deixou um pouco a desejar na adaptacao mas nao tirando o merito do filme. Si for escolher entre ler ou ver o filme eu aconselho le-lo.

  • Daniel BZ
    on

    Mas si tiver preguica de ler as 528 pg assista ao filme e esqueca o livro. Como eu li o livro antes do filme eu ja sabia tudo que ia acontecer. Mas teve uma dica que foi modificado que no livro seria bem mas interessante.

  • Daniel BZ
    on

    Aldo ja foi lancado os dois outros filmes da trilogia em alguns paises. Todos os filmes foram feitos no ano de 2009 a inicio de 2010.

  • Clayton
    on

    Filme para poucos, pois pode ser taxado de longo, mas é bom aproveitar enquanto não chega a versão americana que deve desvirtuar e muito a originalidade deste filme. Esta é mais uma das películas que se dá ao trabalho de roteirizar o livro de origem, o que torna a narrativa ás vezes detalhista e portanto morosa, mas que acima de tudo, busca responder a todas as questões levantadas durante sua exibição. Interessante como consegue buscar as respostas onde uma investigação criminal comum não alcançaria, e nada melhor para isso que um jornalista e uma hacker, pois fica crível a obsessão de cada um pelo caso, baseada em sua própria história. Essa virtude do livro foi bem interpretada pelos protagonistas o que também torna plausível o romance improvável a príncipio que deu-se a seguir. Talvez o único clichê utilizado, e perdoável por sinal, foi o de um dos menbros da dupla estar em um lugar e o outro em outra localização descobrindo o mistério e percebendo que o primeiro está em perigo, mas até isto foi feito de forma positiva, pois o intercalar de imagens deu um dinanismo todo especial a revelação que ocorreu em seguida. Filme pra quem aprecia a arte feita fora dos olhos e da influência do “Tio Sam”.

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