Os Limites do Controle (“The Limits of Control”, Japão / Espanha / EUA, 2009)

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Pra quem gosta de cinema como uma boa diversão e odeia aqueles filmes ditos de arte, podem parar de ler agora. O cineasta independente Jim Jarmusch, responsável pelos ótimos “Ghost Dog” (1999) e “Flores Partidas” (2005) faz um trabalho praticamente experimental. A sinopse é simples: um espião sem nome (o ator africano Isaach de Bankolé) parte para uma missão desconhecida pro espectador, onde ele deve coletar mensagens de outros agentes até chegar ao seu destino final.

Parece um filme de espionagem como qualquer outro, mas o diretor quis levar a narrativa para uma realidade onde, ao contrário das produções de ação tantas vezes vistas no cinema, o espião de “Os Limites do Controle” é acompanhado todo o tempo por uma câmera, principalmente quando não há ação nenhuma. Então o público vê o herói contemplar paisagens, entrar em recintos que nada tem a ver com a trama, dormir, acordar, fazer exercícios, trocar de roupa, viajar de trem, sem que praticamente nada aconteça. A experiência aí é se colocar no lugar do espião em todos os momentos e entender que na maioria do tempo em determinada missão, pouco se faz.

Ao mesmo tempo, mostra o protagonista como um discreto obcecado por controle que não deixa que nada atrapalhe sua missão, nem uma bela mulher que aparece todo o tempo nua (Paz de la Huerta de “A Lista“), nem por telefones celulares os quais faz questão de destruir, além de manias como sempre pedir duas xícaras de café e engolir as mensagens cifradas que recebe.

Cheio de simbolismos (repare quantas vezes a frase “Você não fala espanhol, não é?” é repetida), o filme se transforma numa “A Praça é Nossa”, pois em cada destino intermediário, o momento de coletar mensagens se dá geralmente com atores conhecidos do público transfigurados em personagens quase cômicos que declamam breves discursos sobre o nada. Dentre eles aparecem Tilda Swinton (“Queime Depois de Ler“), Gael García Bernal (“Cartas para Julieta“) e um constante parceiro de Jarmusch, Bill Murray (de “Zumbilândia” e que também protagonizou “Flores Partidas”).

Os Limites do Controle” poderia muito bem ser um filme do final dos anos 60 ou início dos anos 70, no auge do surgimento da contracultura, rivalizando com produções similares, como “Blown-Up: Depois daquele Beijo“. Mas em 2010 chega a ser um teste próprio de controle tanto para o agente sem nome, quanto para o cinéfilo fissurado pela sétima arte e que consegue tirar da metalinguagem, material suficiente para sua satisfação com o resultado. O teste é assistir ele inteiro sem apelar para o fast-foward. Por isso, para os outros 99% da população, melhor deixar isso pra lá.

[rating:2.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Isaach de Bankolé
Hiam Abbass
Gael García Bernal
Paz de la Huerta
Alex Descas
John Hurt
Youki Kudoh
Bill Murray
Jean-François Stévenin
Tilda Swinton
Luis Tosar

Direção:
Jim Jarmusch

Produção:
Gretchen McGowan
Stacey Smith

Fotografia:
Christopher Doyle

Trilha Sonora:
Boris

 

3 Comments

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  • Sheila
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    POis achei o filme excelente. Apesar da aparente calmaria, passa uma tensão permanente e deixa transparecer os momentos em que o espião é levado a uma certa emoção ao contemplar pássaros voando, ao assitir à dança flamenca…ou seja, os limites do controle.
    Quem não entendeu, perdeu…

  • Antonio Urbino
    on

    Este filme é de fato excelente. Vi em outro site um monte de gente falando que o filme é muito ruim. Até dá para entender a posição desse pessoal, uma vez que não é filme para qualquer um. Somente pessoas com com um certo nível de inteligência e conteúdo é que saberão apreciar um filme como este

    • Fátima
      on

      Amo cinema , adoro filme de arte, cult, europeu, oriental e pela minha idade (58), com certeza já devo ter visto mais filmes que você, tenho um bom nível de inteligência,sou professora de Língua Portuguesa e no entanto, não gostei do filme, embora tenha apreciado detalhes e atuações.Acho desrespeitoso e preconceituoso o seu comentário sobre a inteligência das pessoas caso não tenham apreciado esse filme e isso vai na contramão de quem é inteligente.Ser modesto é muito importanteme e educado.

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