Os Mercenários (“The Expendables”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Para alguns pode parecer mais um filme descerebrado de Hollywood com quilos de clichês e toneladas de mentiras. Mas é muito mais. Sylvester Stallone, o eterno Rambo e Rocky, hoje com mais botox do que músculos, teve uma sacada genial: fazer uma produção com todos os astros de ação desde os anos 80 até os mais atuais. A genialidade já começa pelo título original The Expendables: pobremente traduzido como “Os Mercenários“, na verdade quer dizer Os Descartáveis, o que faz a perfeita alusão aos gloriosos astros que, quando jovens povoam o gênero ação, mas ao envelhecerem são simplesmente jogados fora sem piedade por Hollywood, dando lugar a novas caras.

E ele conseguiu reunir quase todo mundo mesmo, comandando uma trupe de mercenários formada por Jason Statham (“Adrenalina 2“), Jet Li (“O Reino Proibido“), Dolph Lundgren (um dos desprezados por Hollywood que estreou justamente como antagonista em “Rocky 4“), Mickey Rourke (“O Homem de Ferro 2“), o lutador Randy Couture (“Cinturão Vermelho“) e o comediante brutamontes Terry Crews (“Gamer“). Eles são contratados por ninguém menos que Bruce Willis (“Substitutos“) para tirar uma cidadezinha da América Latina do domínio de um general, o qual é sustentado pelo grande vilão Eric Roberts (“Batman – O Cavaleiro das Trevas“) – veja que Sly até pensou num vilão que era figurinha carimbada nos thrillers oitentistas.

Repararam que eu não coloquei o nome de nenhum personagem? É porque não interessa, já que a homenagem está nos próprios atores. A esperteza de Stallone é tanta que ele abraça todos os clichês possíveis, sabendo que tudo é desculpável numa reunião tão querida pelos fãs. Ele inclusive faz de propósito e chega às raias da paródia com diálogos hilariantes: a hora que Jet Li diz que deve ganhar mais porque é o menor da turma – isso no meio de uma perseguição – é impagável; A ponta magnífica de Arnold Schwarzenegger pra completar a trinca com Stallone e Willis e a piadinha no final da cena faz a platéia bater palmas.

Os Mercenários” também tem muito sangue digital, membros amputados, pancadaria e claro, uma mocinha latina, interpretada pela brasileiríssima e caliente Giselle Itiê. Lembrando que muitas cenas foram filmadas no Rio de Janeiro. De resto, apenas fica a dica de não se levar a produção a sério. Quem levar a sério nem precisa entrar no cinema. É uma grande e deliciosa brincadeira da qual apenas não participaram Jean Claude Van Damme e Steven Seagal porque, segundo consta, não gostaram dos papéis. Eles perderam a festa. Quem ganhou é o espectador. Mas pelo andar da carruagem e da ótima bilheteria, podem aguardar uma segunda parte, quem sabe com toda a galera.

[rating:3]


Ficha Técnica

Elenco:
Sylvester Stallone
Jason Statham
Jet Li
Dolph Lundgren
Eric Roberts
Giselle Itiê
Randy Couture
Steve Austin
David Zayas
Terry Crews
Mickey Rourke
Bruce Willis
Arnold Schwarzenegger

Direção:
Sylvester Stallone

Produção:
Kevin King
Avi Lerner
Kevin King Templeton
John Thompson
Les Weldon

Fotografia:
Jeffrey L. Kimball

Trilha Sonora:
Brian Tyler

 

2 Comments

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  • saullo
    on

    tae um filme do caraleo!! muita açao…muleki, que cena foi aquela do porto?! que ideia essa de colocar um cara metralhando geral da ponta de um aviao em pleno voo?!

    o filme, em se tratando de açao, é perfeito, mas também tem seus pecados, como a mina nao beijar o rambo no final so pq ele ta velho…e…tipo…ele parece q nem fazia muita questao mesmo…so quase morreu e matou todo mundo por ela, mas na hora…nem ligou pra mina. se bem q deu mesmo a entender é q ele so queria um pé pra poder entrar em guerra, como se isso fosse a vida e a diversao de todos ali, independente do motivo.

    bom…tem muita comedia no meio, o q deixa o filme bem leve e divertido.

    o russo q espancou o rock trabalhou muito bem, primeiro trabalho bom q eu vejo dele.

    jet lee q pareceu um amador…nao entendi o q aconteceu…dava até pena das cenas dele…mas…valeu a participaçao.

    bom…o filme é bom, o rambo ta bombado de novo, nao ta mais gordo, o careca continua careca, o jet lee continua batendo pra caraleo na galera, e o arnold continua espantando toda vez q aparece mais e mais velho e acabado.

    filme que merece pelo menos umas 2 olhadas.

    ps: destaque para alguns efeitos especiais que estavam uma merda, principalmente os de imagem de rua visto de dentro dos carros. será q faltou dinheiro? vai saber…

  • Clayton
    on

    Stallone voltou ás origens e descobriu o caminho das pedras. A definição de “Mercenários” deveria ser “o mais fiel e delicioso revival dos filmes de ação dos anos 80”. Todos os clichês e roteiros rasos estão lá, mas dessa vez prestam um serviço a película. Stallone parecer ter redescoberto no fim de carreira a mesma boa forma com a qual concebeu Rocky. Visivelmente de forma proposital busca em seu passado todo o conhecimento de quem foi o astro de uma década, e mata a saudade de todos, aproveitando o clima nostágico desta época. O melhor elenco de brucutus já reunido e devidamente mesclados com suas versões 2010 nos apresenta excelente doses de ação, diálogos engraçadíssimos e tudo no maior clima de descontração. Nem adianta julgar a interpretação deste ou daquele, até porque ninguém ligou pra isso, estão todos se divertindo e muito, prova disso é a atuação descomprometida de Jet Li, que costumeiramente é sempre focado na caracterização de seus filmes apesar do gênero ação. A maioria das trocas de palavras são realizadas de forma caricata e um “sacaneando” o outro no bom sentido. O triálogo Willis, Stallone e Schwarzenegger é o maior e melhor exemplo disso. Se perdessemos alguns segundos para entender as interpretações veríamos que apenas dois atores tiveram certo destaque, Dolph Lundgren, supreendente com seu personagem desequilibrado e viciado, sua presença causa tensão em toda cena em que participa, e Mickey Rourke, sobre o qual já escrevi anteriormente em “Homem de Ferro 2”, não é pra qualquer um pintar e ao mesmo tempo descrever a história mais triste de sua vida, sem perder o foco ou mudar a torpe postação de voz, o cara “é” ator, porém tomou muitas decisões erradas e agora sobrevive de suas amizades que sabiamente o convidam a manter-se em cena, porém não há mais feições para que ele possa interpretar papéis diferentes dos apresentados atualmente.
    Mudando radicalmente de assunto, Giselle Itié na realidade é mexicana, nem por isso menos bonita, digamos que é uma junção competente das duas américas, porém sua sensualidade é pouco explorada. Mas o Brasil se fez presente com o Rio de Janeiro, e a presença dos lutadores de MMA, os gêmeos Minotouro e Minotauro, como guarda-costas do General.
    Enfim, filme pra se divertir sem sobrecarregar nem um neurôncio sequer, e ainda desejar uma sequência nos mesmos moldes. Van Damme e Seagal, vamos acordar hein?! Só estão faltando vocês e o Capitão Nascimento pra integrar o elenco.

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