Pinóquio (“Pinocchio”)

A primeira aparição se deu em 1883, no romance As Aventuras de Pinóquio escrita por Carlo Collodi, e que desde então teve muitas adaptações. Uma delas – a animação da Disney feita em 1940 – ficou tão famosa que é comum as pessoas associarem o personagem com os estúdios de Walt Disney.

Essa nova adaptação do diretor italiano Matteo Garrone do mediano “O Conto dos Contos” é sem dúvida uma das piores.

Tentando fazer uma transposição direta das páginas do conto original com toques do Irmãos Grimm para as telas, ele esquece (ou ignora) que como são duas linguagens diferentes, há uma série de ajustes de narrativa que como não são feitos, abrem crateras na história que faz o espectador perder totalmente o interesse.

Coincidentemente, o personagem Gepeto é interpretado pelo ator e diretor Roberto Benigni que dirigiu e estrelou (como Pinóquio, pasmem) outra adaptação homônima em 2012.

Sem uma introdução mínima sobre o esquisito mundo mágico em que os personagens habitam, Gepeto cria Pinóquio que já sai falando e correndo por aí e se mete em um monte de desventuras pela sua completa falta de bom senso. Nesse ponto o personagem é tão mal desenhado que não é possível entendê-lo, nem suas atitudes, nem suas motivações.

O elenco coadjuvante tem algumas vergonhas alheias, seja na atuação ou na caracterização, como é o caso do Grilo Falante de relevância incipiente e fraco na composição, ou até mesmo os bonecos do circo que parecem tão mágicos quanto Pinóquio, mas tem cordas “simbólicas” como se tivessem um dono que na verdade não existe. Temas icônicos como as mentiras do boneco de madeira fazendo seu nariz crescer aqui não passam de um mero detalhe com menos de 5 minutos de duração e esquecido no resto da projeção.

Os eventos transcorrem quase sem a mínima ligação entre si, como em esquetes separadas, apenas com o protagonista em comum. Não há nenhuma explicação para os acontecimentos, evolução dos personagens, deslocamentos geográficos, como se tudo fosse jogado na tela sem a intenção de fazer sentido. O próprio Pinóquio dessa adaptação chega a ser irritante e torci diversas vezes para ele se dar mal e o filme acabar. Mas nem isso o roteiro ajuda, pois em todas as encrencas que se mete, ele sai como um passe de mágica e passa a percepção de que ele nunca esteve em perigo real.

O desfecho é tão súbito e chato quanto o início e coroa o heroísmo de quem conseguir ver até o final. Nunca Pinóquio foi tão maltratado por um diretor… Ou talvez, quem sabe, pelo próprio Gepeto, ou melhor Benigni em sua tentativa como diretor há 18 anos.

Curiosidades:

– O filme só foi lançado no Brasil nos formatos dublado em português ou dublado em inglês com legendas em português, mas não teve as cópias originais em italiano. O que esse povo tem na cabeça?
– A maquiagem de Pinóquio demorava cerca de 3 horas para ser aplicada todos os dias.
– No conto original Gepeto escolhe o nome Pinóquio por ser bastante conhecido e que chama a sorte.

Ficha Técnica

Elenco:
Federico Ielapi
Roberto Benigni
Rocco Papaleo
Massimo Ceccherini
Marine Vacth
Gigi Proietti
Alida Baldari Calabria
Alessio Di Domenicantonio
Maria Pia Timo
Davide Marotta
Paolo Graziosi
Massimiliano Gallo

Direção:
Matteo Garrone

Produção:
Paolo Del Brocco
Matteo Garrone
Anne-Laure Labadie
Jean Labadie
Jeremy Thomas

Fotografia:
Nicolai Brüel

Trilha Sonora:
Dario Marianelli

 

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