Sem Saída (“Eden Lake”, EUA / Inglaterra, 2008)

Genre :

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Casal de férias num fim de semana na floresta é atormentado por um grupo de delinqüentes. Sim, você já pode ter visto algo semelhante aqui e aqui. Mas talvez esse seja um dos mais chocantes e trágicos filmes do gênero por expor a natureza humana de forma tão aterradora.

Seus realizadores conseguem tomar quase todas as decisões acertadas. Começam por estabelecer a dinâmica entre o casal protagonista Jenny e Steve (Kelly Reilly de “Bonecas Russas” e Michael Fassbender de 300) e definem bem a personalidade de cada um a ponto do espectador se importam com o destino deles. Daí ele aumenta gradativamente a tensão entre as inteirações entre eles e a gangue de adolescentes que conhecem no Lago Eden, o qual dá o título do filme. E finalmente, quando a tensão chega a seu clímax, fazem o possível para que as situações envolvidas tenham a maior verossimilhança possível. A platéia assim não se sente enganada.

Mas não se enganem, pois muita gente vai sair dessa sessão revoltada com a cadeia de acontecimentos que se desenrolam na tela. Até porque o grande vilão, o novato Jack O’Connel dá um show de maldade sem parecer caricato, por mais que o roteiro tente forçar a barra nessa direção. Cheio de cenas marcantes, como o diálogo da lua de mel na África ou até mesmo os últimos cinco minutos de filme, as quais têm um impacto de um soco no estômago, “Sem Saída” pode não ser irrepreensível – tem suas falhas aqui e ali – mas conta com muito mais virtudes e se coloca como um excelente suspense mesmo explorando um tema tão batido.

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Kelly Reilly
Michael Fassbender
Jack O’Connell
Thomas Turgoose
Finn Atkins
James Burrows

Direção:
James Watkins

Produção:
Christian Colson
Richard Holmes

Fotografia:
Christopher Ross

Trilha Sonora:
David Julyan

 

1 Comment

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  • Anselmo Heidrich
    on

    Nota 10. Porque trata de um dos principais problemas da atualidade, na maioria dos países, ricos e pobres onde a noção de espaço público se esvazia cada vez mais. Gangues de jovens britânicos que sentem prazer em torturar psíquica e fisicamente quem age com polidez? Isto não é novidade, mas assusta saber que o fenômeno cresce como cogumelos após um período de chuvas. Mas, talvez, o mais tenebroso de tudo seja perceber que já reconhecemos esta situação e a vemos com normalidade. Sabe… Acredito muito em condicionamento, uma palavra mais seca para o que alguns chamam de educação. Fica evidente desde o início do filme, a falta que faz uma boa e rígida educação que condicione o infante para regras de convivência em um espaço público. Leis funcionam quando são acatadas, de preferência inconscientemente, pela sociedade. Se, ao contrário, temos uma grande soma de leis que se sobrepõem, estamos dando provas da ineficácia das mais gerais e enxutas porque, justamente, não são acatadas pela cultura hegemônica e hodierna. É fácil criticar qualquer proposta educacional efetiva, como a feita no Reino Unido, alguns anos atrás, propondo a punição (processo) dos pais pelo mau comportamento dos filhos. Mas, quando é recorrente significa que nenhuma medida sancionadora foi adotada em casa. Se os pais não aceitem que a escola puna seus filhos, então devem arcar com a total responsabilidade de educá-los, o que inclui assumir um contrato com o poder público, no sentido de se responsabilizar pelos atos de seus filhos. Quem acha exagero é porque não conhece (e, provavelmente, não se interessa) a realidade brutal de indisciplina, desprezo e humilhação à condição humana nestes antros chamados de ‘escolas’. O filme mostra uma realidade brutal que só é pior do que a imaginada em um Laranja Mecânica porque neste, ao menos, se tratava de uma ficção.

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