Sinédoque, Nova York (“Synecdoche, New York”, EUA, 2008)

Genre :

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Sinédoque é uma figura de linguagem que exprime um todo através da citação de uma parte dele ou vice versa. Por exemplo, na frase “bonitas pernas passaram por aqui“, estamos exprimindo uma mulher através de parte dela, suas pernas.

Sinédoque, Nova York” do tão talentoso roteirista Charlie Kaufman do ótimo “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças“, é sua estréia como diretor. Aqui ele leva a metalinguagem ao limite do aceitável e, por pouco, não tem um efeito oposto a seu objetivo. É o tipo de filme que deveria vir com manual de instruções e um dos poucos que se digere melhor depois de ler uma boa crítica a respeito (e espero ajudar com essa).

Caden Cotard (o glorioso Philip Seymour Hoffman de “Dúvida“) é um escritor de peças de teatro hipocondríaco que, após ser abandonado pela esposa resolve se jogar de cabeça num novo projeto: uma peça que conta a sua vida. Só que, como sua vida sempre continua, os ensaios da peça se tornam intermináveis e chega um momento em que ele não consegue mais diferenciar o teatro da sua própria vida. Isso já é quando Kaufman atinge seu auge nas figurações de sentido.

Feito para aquele seleto público que pára após o filme para uma reflexão cuidadosa do que acabou de ver (não é fácil), está é uma produção que cresce horas após ser vista, mesmo que ao sair do cinema este público esteja perto da exaustão, pois tem uma duração excessiva. Além disso, o diretor carrega na metalinguagem às vezes desnecessariamente e daí se constata a diferença de se ter um intermediário como Michel Gondry em “Brilho Eterno…“, pois ele filtra algumas viagens do roteirista. Talvez o modo com que se figura a passagem do tempo tenha sido uma das melhores sacadas do diretor para exprimir a fragilidade psicológica e a falta do sentido de vida do protagonista.

Por mais que um grande elenco tenha embarcado nessa fantástica aventura (e fantástico aqui tem o sentido de surreal), “Sinédoque, Nova York” é de Hoffman que, com sua interpretação sensacional, o que já lhe é peculiar, dá alma ao desolado Caden, insatisfeito e deprimido por natureza que somatiza numa hipocondria refletida em discretos recursos lingüístico-visuais, até sua completa decadência na velhice onde estes recursos saltam compulsivamente da tela. Ele já vale o filme inteiro.

Mas fica complicado dizer que esta é uma ótima obra quando existe cinema de escapismo com roteiros inteligentes tão bons, mas sem precisar de tamanha licença poética usada por Kaufman. Para os bem alternativos, é uma alternativa.

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Philip Seymour Hoffman
Catherine Keener
Sadie Goldstein
Robin Weigert
Tom Noonan
Josh Pais
Daniel London
Robert Seay
Michelle Williams
Stephen Adly Guirgis
Samantha Morton
Frank Girardeau
Jennifer Jason Leigh
Paul Sparks
Rosemary Murphy
Emily Watson
William Ryall
Dianne Wiest
Hope Davis

Direção:
Charlie Kaufman

Produção:
Anthony Bregman

Fotografia:
Frederick Elmes

Trilha Sonora:
Jon Brion

 

1 Comment

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  • Curare
    on

    Olá. Talves eu não esteja num bom dia! . Mas mal consigo ler a crítica.To achando que esse filme é tipo Skylab, pra quem não lembra,. o skylab era muito pra cabeça!
    Aldo. Assistiu o episódio 1 da 6ª temporada de Dr. House? Vale a pena!
    Um abraço!

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