Tão Forte e Tão Perto (“Extremely Loud and Incredibly Close”, EUA, 2011) ***NOS CINEMAS***

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Hollywood aborda pela milionésima vez os ataques terroristas do 11/09. Se fosse com outros atores e realizadores, provavelmente o filme iria direto para as prateleiras das locadoras. Oskar é um garoto de 11 anos que é portador da Síndrome de Asperger – basicamente ela faz com que o paciente não saiba lidar com tudo o que é subjetivo, como sentimento, emoções, etc – e acaba de perder o pai (ninguém menos que Tom Hanks tentando se redimir do fiasco “Larry Crowne”) nos atentados ao World Trade Center, deixando-o apenas sob a tutela da mãe (Sandra Bullock de “Um Sonho Possível”). Sem saber como reagir e para tentar, em suas palavras, manter o pai vivo na memória, ele acha uma chave misteriosa no armário dele e percorre a cidade inteira em busca da fechadura que pode (ou não) guardar uma surpresa.

Interessante a gritante coincidência desta produção com “A Invenção de Hugo Cabret”: ambos os protagonistas são crianças e perdem o pai num acidente; ambos ficam com uma parte de um enigma a ser descoberto que envolve uma chave e uma fechadura (no caso de Hugo, ele tem a fechadura); e ambas as jornadas os levarão por um caminho de auto-descobrimento que por fim tem quase nada a ver com o mistério em si.

Tão Forte e Tão Perto” tem dois aspectos que o elevam à condição de destaque: o primeiro é seu protagonista, o ator mirim Thomas Horn, com um carisma e seriedade que estão a anos-luz na frente de Asa Butterfield, o Hugo Cabret. Muita gente talvez torça o nariz para algumas de suas atitudes, justamente porque não entende o que é a Síndrome de Asperger e até porque ela foi citada apenas superficialmente (talvez um equívoco do roteiro). A segunda é a emocionante trilha de Alexandre Desplat (“Árvore da Vida”) que desde já se firma como um dos melhores compositores de trilhas sonoras da atualidade e que injustamente não foi agraciado com uma indicação ao Oscar desse ano.

De resto, o filme mantém um belo padrão de qualidade, mas sem elogios gritantes. Hanks e Bullock emprestam mais sua credibilidade como atores do que entregam um grande desempenho. Há uma longa subtrama envolvendo a relação de Oskar com misterioso senhor, interpretado magistralmente por Max von Sydow de “Solomon Kane”, o qual inclusive é indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante pelo papel, mas que pouco acrescenta.

E seu desfecho, apesar de conter a maior parcela de emoção de todas as mais de duas horas, parece ser longo demais para a direção de Stephen Daldry (“O Leitor”) que mesmo com muitos acertos, peca pela irregularidade em seu ritmo, escondendo um segredo que tem um impacto inferior ao esperado. “Tão Forte e Tão Perto” pode ser considerado um ótimo drama sobre um tema muito batido, mas não é lá tão forte como o próprio título propaga.
[rating:3]

Ficha Técnica

Elenco:
Tom Hanks
Thomas Horn
Sandra Bullock
Zoe Caldwell
Dennis Hearn
John Goodman
Max von Sydow
Stephen Henderson
Viola Davis
Jeffrey Wright

Direção:
Stephen Daldry

Produção:
Scott Rudin

Fotografia:
Chris Menges

Trilha Sonora:
Alexandre Desplat

 

1 Comment

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  • Rafaella
    on

    Nossa…. descordo totalmente do que vc tah falando. O filme é incrível. O que é aquela cena do menino brigando com a mãe… caraca… e todas as horas q ele “explode”… o Thomas Horn realmente esta muito bem…. E como o Max von Sydow ajuda ele a lidar com os traumas e medos dele…
    Discordo. O filme é excelente.

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