Um Lugar Qualquer (“Somewhere”, EUA, 2010)

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Sofia Coppola gosta de trabalhar com o cinema sensitivo, aquele em que se pretende que o espectador não só veja, mas viva a experiência do personagem. Ela fez assim na chatíssima jornada musical de “Maria Antonieta”.

Se saiu bem melhor em “Um Lugar Qualquer” que apresenta Stephen Dorff (“Felon”) como Johnny Marco, um alter ego do ator genérico de Hollywood (talvez até ele próprio), o qual vive de forma vazia em um hotel no meio de festas e badalações e só parece criar vida própria quando visitado pela sua filha Cleo (Elle Fanning de “Super 8”).

A comparação entre esta produção e o trabalho passado de Coppola faz sentido: aqui também temos 98 minutos de cenas contemplativas e algumas muito arrastadas. Só que dessa vez a cineasta consegue passar uma profunda mensagem. Com a ajuda essencial da brilhante competência da dupla de protagonistas, ela cria cenas que mostram o brilho nos olhos de Johnny ao brincar corriqueiramente com a filha e o gradativo cansaço para as festas que passam a minar sua própria sanidade. Por outro lado, expressam a passividade que chega à submissão aos estúdios quando enquadrado fazendo uma maquiagem que dura horas e resulta numa também longa tomada, mas cheia de significado. Da mesma forma seu início com a cena de seu possante carro dando voltas, mas sem sentido algum.

Segundo a própria diretora “Um Lugar Qualquer”, reflete sua própria infância com seu pai, o também diretor Francis Ford Coppola. Emplaca um ótimo drama, mesmo que desafie o espectador de produtos mais comerciais a acompanhá-lo. É o cinema experimental em boa forma.
[rating:3.5]

Ficha Técnica

Elenco:
Stephen Dorff
Benicio del Toro
Michelle Monaghan
Elle Fanning
Chris Pontius

Direção:
Sofia Coppola

Produção:
G. Mac Brown
Roman Coppola
Sofia Coppola

Fotografia:
Renato Falcao

Trilha Sonora:
Phoenix

 

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