Venom: Tempo de Carnificina (“Venom: Let There Be Carnage”)

O primeiro feito que a continuação do bonzinho “Venom” é, pela primeira vez, conseguir fazer um vínculo com o universo dos “X-Men” e “Os Novos Mutantes” através do contexto de uma determinada personagem e, lá pelos créditos finais, fazer a tão sonhada relação com o MCU (vários spoilers já na rede).

O segundo feito, por outro lado, é ser um filme bestinha. Rapidinho (menos mal) e bestinha. Parece ter sido escrito nas coxas mesmo.

A relação entre Venom e Eddie Brock (Tom Hardy), pouco evoluiu e agora está mais desnecessariamente cômica do que nunca. Foge demais de um mínimo de seriedade que o anti-herói pediria, estando mais para o clássico “O Estranho Casal” de 1968 do que ara um filme da Marvel.

Pior ainda é a origem do vilão Carnificina que se cola no corpo do também vilão Cletus (Woody Harrelson de “Estrada Sem Lei”): não apenas chega a ser risível a maneira como o simbionte “chega” em Cletus, como também não há a mínima explicação dele ser vermelho (seria por causa do cabelo pintado?), muito menos dele ter aparentemente mais poderes que o Venom. O espectador apenas tem que engolir e deixar ser levado por uma torrente de eventos que acontecem tão rapidamente que não dá nem tempo de digerir. É como se o diretor Andy Serkis do ótimo “Uma Razão Para Viver”) estivesse compressa ou não quisesse deixar que ninguém percebesse os diversos furos no roteiro.

Já a parte gráfica melhorou bastante, seja com algumas sacadas que fizeram em forma de desenho animado, seja na própria coreografia da luta entre Venom e Carnificina no último ato, onde, ao contrário do antecessor, o cenário é mais iluminado e a luta ganha cores mais quentes o que possibilita distinguir o que está acontecendo. Ainda assim, não se entende o que é necessário para se vencer a luta, isto é, o roteiro não explica quem seria o mais forte e porque, mas acaba desenhando um artifício que, mesmo interessante para se definir o vencedor, pouco agrega em qualquer explicação sobre a natureza da criatura.

Enquanto o primeiro “Venom” era consistentemente OK, este é um OK um pouco piorado, mas com extremos muito bons e outros bastante questionáveis, desnecessários e preguiçosos. Agora é ver o futuro da franquia quando esta se juntar ao MCU.

Curiosidades:

– Na cena em que Eddie entra na loja da senhora Chen, Venom ajeita algumas revistas e numa delas, a capa traz ninguém menos que Stan Lee.
– Segundo menos filme do universo Marvel, depois de “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”.
– De acordo com o final, o próximo vilão da franquia será o Toxina.

Ficha Técnica

Elenco:
Tom Hardy
Woody Harrelson
Michelle Williams
Naomie Harris
Reid Scott
Stephen Graham
Peggy Lu
Sian Webber
Rob Bowen
Laurence Spellman
Little Simz
Jack Bandeira
Olumide Olorunfemi
Scroobius Pip
Brian Copeland
Stewart Alexander
Sean Delaney

Direção:
Andy Serkis

Produção:
Avi Arad
Tom Hardy
Kelly Marcel
Hutch Parker
Amy Pascal
Matt Tolmach

Fotografia:
Robert Richardson

Trilha Sonora:
Marco Beltrami

 

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