Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme (“Wall Street – Money Never Sleeps”, EUA, 2010)

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Em “Wall Street –Poder e Cobiça” de 1987, Gordon Gekko (Michael Douglas) liga de madrugada para Bud Fox (Charlie Sheen) para falar de negócios e, ao perceber que Fox tinha acabado de acordar, dispara: “O Dinheiro Nunca Dorme!” e daí vem o subtítulo desta continuação dirigida pelo mesmo Oliver Stone 23 anos depois.

Gordon Gekko sai da prisão 15 anos depois como o reflexo de um dinossauro já ultrapassado pela tecnologia, como mostra a cena onde, ao coletar seus pertences no instituto presidiário, pega seu telefone celular da época, um trambolho paleozóico. Sua família foi toda separada só sobrando sua filha Winnie (Carey Mulligan de “Em Busca de uma Nova Chance“), a qual não fala mais com ele há anos. Ela namora Jacob (Shia LaBeouf de “Transformers“), um funcionário de um banco de investimento que está falindo por conta de especulações vindas do infame e poderoso trader Bretton James (Josh Brolin de “W“). Após o suicídio do dono do banco e mentor de Jacob, Lewis (Frank Langella de “A Caixa“), o jovem procura vingança contra Bretton, juntando-se Gekko, o qual se converteu num escritor sobre finanças. Tudo isso sem Winnie saber.

A trama parece trabalhosa e, na verdade é. Com um roteiro bem menos focado no cenário econômico atual (o que dava todo o contexto do original) e mais centrado nas relações interpessoais entre os envolvidos, o novo “Wall Street” perde parte de seu charme. Chega a ser confuso ao ponto de Jacob se manter numa relação de amor e ódio com Bretton que mesmo sendo compreensível pelo magnetismo e inteligência do crápula (como já fora em Gekko e Fox), dessa vez soa artificial.

Com algumas histórias paralelas que diluem ainda mais o centro da narrativa – como exemplo, a relação entre Jacob e sua mãe – o que salva a produção sem dúvida é Douglas. Coincidentemente (ou não) seu papel vai muito ao encontro do que fez em seu filme anterior, “O Solteirão“, como um homem já na terceira idade que teve tudo, jogou tudo fora pela falta de caráter e, mesmo mudado, ainda conserva vícios nocivos de personalidade. E é nisso, mais do que em “O Solteirão“, que o carisma de Douglas tem de melhor.

Seu Gordon Gekko é ainda mais complexo do que no clássico de 1987, já que percebeu o valor de bens intangíveis como o amor e a família, mas não consegue deixar de ambicionar voltar a ser o poderoso especulador que um dia já foi. É palpável o gosto pelo poder no jogo de interesses com Jacob ou na cena em que cumprimenta um antigo colega que quando o vê praticamente não o reconhece, demonstrando o ostracismo em que Gekko se encontra. Os demais personagens, incluindo Bretton, seguem o estereótipo vilão / mocinho / vítima de sempre.

Destaque para a ponta de Charlie Sheen, o qual hoje é mais famoso que antes na série de maior sucesso do planeta “Two and a Half Men“, como um Bud Fox que parece ter se rendido aos encantos do poder. Poderia ser melhor trabalhada. Outra ponta, repetindo o que fez no anterior, é a do próprio diretor Oliver Stone como um especulador.

Aliás, ele acerta nos aspectos técnicos, principalmente ao reproduzir as conduções de câmera análogas à obra antecessora, bem como se utiliza de modernos recursos visuais para exprimir a loucura em números da bolsa de valores.

A melhor forma de aproveitar “Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme” é deixar a maioria de suas tramas de lado e focar na jornada pessoal de Gordon Gekko, com a ressalva que é melhor degustado se o espectador tiver visto e lembrado do primeiro. E gostado também.

[rating:3]


Ficha Técnica

Elenco:
Michael Douglas
Shia LaBeouf
Frank Langella
Carey Mulligan
Josh Brolin
Susan Sarandon
Eli Wallach
Austin Pendleton
John Bedford Lloyd

Direção:
Oliver Stone

Produção:
Eric Kopeloff
Edward R. Pressman

Fotografia:
Rodrigo Prieto

Trilha Sonora:
Craig Armstrong

 

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