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Tudo por Você (”My One and Only”, EUA, 2009)

Aldo Alves

Renée Zellweger de “Caso 39” volta ao gênero ‘dramédia’ água com açúcar em 1953 como Ann Devereaux e pega seu marido boêmio (Kevin Bacon de “Frost / Nixon“) com outra na cama. Ela é uma péssima mãe, fútil, superficial (pra não dizer uma ‘loira burra’), mas mesmo assim pega seus dois filhos e parte de carro com o dinheiro que achou em casa numa jornada por várias cidades americanas, procurando entre seus antigos e novos namorados, alguém com quem ela possa casar e sustentar a família.

Baseado nas memórias do ator George Hamilton – retratado como um dos filhos de Ann – o filme tem um bom esmero na reconstituição de época, principalmente por mostrar os subúrbios americanos como contraponto às demais requintadas produções do gênero. Aliás, os quesitos técnicos estão bastante equilibrados, inclusive com a previsível, porém necessária trilha sonora de Mark Isham (”A Vida Secreta das Abelhas“). Aliás, a canção My One and Only que dá o título ao filme é muito bonita e consegue capturar a atmosfera do enredo.

Zellweger está apenas correta, mas cercada de tipos caricatos, inclusive com um Kevin Bacon com sotaque engraçado. Destaque para Mark Rendall (”Charlie, Um Grande Garoto“) que faz o filho gay de Ann, o qual funciona como alívio cômico, mas sem nunca denegrir ou parodiar a homossexualidade. Já o mesmo não se pode dizer de Logan Lerman (o famoso “Percy Jackson“), pois parece ter saído dos Backstreet Boys para entrar na escola de interpretação de Malhação. Passa sempre uma artificialidade e aquela sensação de que ele está representando que está representando.

Pena que a narrativa passe por situações repetitivas como as sucessivas tentativas frustradas de Ann, as quais não resultam numa evolução da trama e sequer faz com que a protagonista tenha alguma epifania ou algo do tipo. Seu crescente altruísmo já no terceiro ato não acontece de forma orgânica e muito menos há algum apelo de redenção, fora a última narrativa em off feita pelo próprio George.

Richard Loncraine de “Firewall – Segurança em Risco” fez um drama que até parece equilibrado, porém peca em detalhes que são essenciais, como narrativa (principalmente a forçada de barra no final) e atuações que, do contrário, fariam toda a diferença. Serve apenas a amantes da Sessão da Tarde ou admiradores de Renée Zellweger, se é que sua base de fãs está ainda com essa bola toda.

Cotação: ★★½☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Renée Zellweger
Kevin Bacon
Logan Lerman
Mark Rendall
Chris Noth
Steven Weber
Nick Stahl
Eric McCormack
David Koechner
J.C. MacKenzie
Molly Quinn
Robin Weigert

Direção:
Richard Loncraine

Produção:
Norton Herrick
Ara Katz
Aaron Ryder

Fotografia:
Marco Pontecorvo

Trilha Sonora:
Mark Isham

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Medidas Extremas (”Extraordinary Measures”, EUA, 2010)

Aldo Alves

“Medidas Extremas” quer ser “O Óleo de Lorenzo” de 2010. Brendan Fraser, deslocado de seu habitat natural, leia-se filmes de ação descerebrados como “Viagem ao Centro da Terra“, é John pai de um casal que possui uma rara doença congênita chamada Síndrome de Pompe, a qual faz os músculos atrofiarem e os órgãos internos incharem a ponto de sua expectativa máxima de vida ser até os nove anos de idade. Inconformado, ele descobre um cientista, o Dr. Stonehill (Harrison Ford de “Território Restrito“) que parece ter a chave para um medicamento eficaz. Excêntrico e com problemas sérios de relacionamento Stonehill se une a John para levantar fundos e continuar a pesquisa lutando contra o tempo que seus filhos não têm.

A produção acerta quando, fugindo do caminho de exemplares semelhantes, não mostra apenas um simples drama familiar, mas todo um processo do desenvolvimento de um medicamento, desde a parte mais científica até as questões corporativas, expondo o às vezes cruel procedimento de ricos laboratórios.

Só que erra quando desvia o gênero da narrativa, tentando expor certo humor cáustico ao personagem de Ford. Parece sempre uma tentativa a aproximá-lo dos tipos engraçados e cínicos que os consagrou como Han Solo e Indiana Jones. Já Fraser tem sérios momentos de canastrice aguda, sendo o filme uma prova cabal que ele tem mesmo é que contracenar com personagem da classe do Looney Tooney ou digitais como “A Múmia“.

“Medidas Extremas” tem diálogos previsíveis e um roteiro burocrático que funciona na medida em que o assunto (doença, morte) atinge a cada espectador, mas também nada que seja extraordinário aos olhos. Incrível mesmo é saber que essa foi uma história real. E por isso já vale uma olhada.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Harrison Ford
Brendan Fraser
Keri Russell
Courtney Vance
Meredith Droeger
Diego Velázquez
Sam M. Hall
Patrick Bauchau
Jared Harris
Alan Ruck
David Clennon
Dee Wallace
Ayanna Berkshire
P.J. Byrne

Direção:
Tom Vaughan

Produção:
Carla Santos Shamberg
Michael Shamberg
Stacey Sher

Fotografia:
Andrew Dunn

Trilha Sonora:
Andrea Guerra

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Vencedores do Emmy 2010!!!

Aldo Alves

Melhor série dramática
“Mad Men”

Melhor ator de drama
Bryan Cranston, “Breaking Bad”

Melhor atriz de drama
Kyra Sedgwick, “The Closer”

Melhor ator coadjuvante de drama
Aaron Paul, “Breaking Bad”

Melhor atriz coadjuvante de drama
Archie Panjabi, “The Good Wife”

Melhor série cômica
“Modern Family”

Melhor ator de comédia
Jim Parsons, “The Big Bang Theory”

Melhor atriz de comédia
Edie Falco, “Nurse Jackie”

Melhor ator coadjuvante de comédia
Eric Stonestreet, “Modern Family”

Melhor atriz coadjuvante de comédia
Jane Lynch, “Glee”

Melhor minissérie
“The Pacific”

Melhor filme para TV
“Temple Grandin”

Melhor ator em minissérie ou filme para a TV
Al Pacino, “You Don’t Now Jack”

Melhor atriz em minissérie ou filme para TV
Claire Danes, “Temple Grandin”

Melhor ator coadjuvante em minissérie ou filme para TV
David Strathairn, “Temple Grandin”

Melhor atriz coadjuvante em minissérie ou filme para TV
Julia Ormond, “Temple Grandin”

Melhor reality show de competição
“Top Chef”

Melhor programa de variedades, música ou comédia
“The Colbert Report”

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Maldito Futebol Clube (”The Damned United”, Inglaterra, 2009)

Aldo Alves

A mesma equipe que fez o premiadíssimo “Frost / Nixon” se junta novamente para conta a trajetória do polêmico técnico inglês Brian Clough, interpretado por Michael Sheen, o qual levou o Derby, lanterna da terceira divisão para a vitória, porém depois quase destruiu o grande Leeds United por causa de sua maneira pouco ortodoxa de treino e de sua arrogância com jogadores, parceiros e até os dirigentes dos clubes.

O pano de fundo é uma rivalidade pessoal que ele tinha com seu antecessor no Leeds, Don Revie (Colm Meaney de “Código de Conduta“) e o contraponto de sua amizade com Peter Taylor (Timothy Spall de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe“), seu maior colaborador e dito por muitos o melhor caçador de talentos da Inglaterra, sendo o temperamento de ambos diametralmente opostos.

Os dois trunfos da produção inglesa se concentram na atuação de Sheen e na direção. Sheen mais uma vez demonstra ser um ator camaleônico que, quando escolhe bem seus projetos, consegue carregar um filme inteiro nas costas, como o faz aqui. A direção de Tom Hooper (”Sombras do Passado“) consegue dar um arco dramático para um ‘filme de esportes’ que foge da mesmice graças a diversas técnicas associadas a um roteiro muito bem amarrado. Extremamente eficaz quando os jogos não são mostrados, mas apenas o placar, fazendo o espectador imaginar como foi a decepção ou euforia do time e equipe técnica dentro de campo; ou a passagem do tempo alternada como um timing eficiente; e até mesmo a maneira encontrada de mostrar o posicionamento dos times na tabela do campeonato inglês.

Relembra em muitos momentos o próprio “Frost / Nixon“, como na cena da ligação entre Clough e Revie ou até mesmo no duelo entre eles num programa de TV. Destaque para os créditos finais com fotos dos personagens na vida real e para os extras do DVD com um ótimo featurette sobre a construção do protagonista. Fugindo de alguns clichês e abraçando outros, “Maldito Futebol Clube” é bastante recomendado, tanto para os torcedores do esporte quanto para os apreciadores de um bom cinema.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
RyMichael Sheen
Timothy Spall
Colm Meaney
Jim Broadbent
Henry Goodman
Maurice Roeves
Stephen Graham
Brian McCardie
Peter McDonald
Giles Anderson
Mark Bazeley
Martin Compston
Joe Dempsie
David Roper

Direção:
Tom Hooper

Produção:
Andy Harries

Fotografia:
Ben Smithard

Trilha Sonora:
Liz Gallacher
Rob Lane

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A Era da Estupidez (”The Age of Stupid”, Inglaterra, 2009)

Aldo Alves

Nunca é demais falar dos estragos que o ser humano anda fazendo na Terra e nas possíveis conseqüências para humanidade. O problema é quando se é chato. E é exatamente esse mal que acomete este documentário inglês.

Começando como seria o planeta em 2055, mas usando efeitos especiais da década de 80, eis que aparece o ator Pete Postlethwaite (”Fúria de Titãs“) num reservatório onde supostamente todas as grandes obras dos grandes artistas ficariam estocadas e, conversando com a câmera e usando uma tela que tenta misturar i.Phone com “Minority Report“, pega cenas como no YouTube que na verdade são reportagens feitas em 2007 sobre os estragos na natureza.

A parte em que o protagonista interage é simplesmente um porre. Às vezes o espectador ainda tem que agüentar por muitos segundos o ator “procurando” a cena que ele quer como se essa ação fosse o supra-sumo dos efeitos especiais. Todo o conteúdo é lugar comum: de um lado temos desastres como o furacão Katrina ou o derretimento das geleiras, cujas cenas podem ser encontradas em qualquer rede social de vídeos, do outro temos a parte do capitalismo selvagem que é omisso à situação e contribui com o futuro negro.

E assim vão os 90 minutos com interrupções desinteressantes da impostada voz de Postlethwaite, apenas para voltar a histórias que já foram contadas e que provavelmente por falta de budget, tiveram que se alongar. Talvez faça mais sentido se fosse exibido em partes como num documentário da BBC. Mas ter que assistir “A Era da Estupidez” de uma só vez é tão traumatizante que vai levar o público a realmente contribuir com a natureza só para não fazerem outra produção assim. De repente a idéia é essa.

Cotação: ★☆☆☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Pete Postlethwaite

Direção:
AdFranny Armstrong

Produção:
Paul Eedle
Lizzie Gillett

Fotografia:
Franny Armstrong

Trilha Sonora:
Chris Brierley

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Sedução (”Cracks”, Inglaterra / Irlanda, 2009)

Aldo Alves

Longa de estréia do filho de Ridley Scott (”Robin Hood“), Joseph Scott, e fala sobre um internato para meninas em 1934 onde reside a professora G (Eva Green de “O Justiceiro Mascarado“). Com seu jeito subversivo num ambiente tão conservador, ela é adorada por um grupo de meninas, em especial Di (Juno Temple de “Ano Um“) que nutre um misto de amor e possessividade. Mas G tem um lado sombrio que poucos conhecem e, quando Fiamma – a encantadora María Valverde que já vivera um papel delicioso em “100 Escovadas Antes de Dormir” – uma nova e rebelde aluna chega às dependências da escola, tanto G quando Di se sentem ao mesmo tempo atraídas e ameaçadas o que pode culminar numa tragédia.

Scott soube trabalhar bem aquela tensão no ar como se em algum momento as coisas sairiam do controle, principalmente contando com Eva Green que finalmente se mostra menos como uma beldade (que ela é de verdade) e mais como uma atriz, fazendo um personagem atormentado por seus próprios demônios. John Mathieson, diretor de fotografia e parceiro da família Scott como em “Robin Hood” consegue fazer a mágica de uma diversidade de cenários num ambiente teoricamente pequeno.

Se por um lado temos boas atrizes e um roteiro bem amarrado, por outro, há uma constante quebra de ritmo que torna o filme mais moroso do que poderia. Parece faltar a “Sedução” algum tipo de tempero que prenda o público. Motivo simples: um belo roteiro feito de maneira técnica e burocrática demais. Destaque para um desfecho menos usual do que o normal o que torna a produção mesmo que com os dois primeiros atos mais mecânicos, algo digno de se gastar algum tempo vendo. Mas sem grandes pretensões.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Eva Green
Juno Temple
María Valverde
Imogen Poots
Ellie Nunn
Adele McCann
Zoe Carroll
Clemmie Dugdale
Sinéad Cusack

Direção:
Jordan Scott

Produção:
Kwesi Dickson
Andrew Lowe
Julie Payne
Rosalie Swedlin
Christine Vachon

Fotografia:
John Mathieson

Trilha Sonora:
Javier Navarrete

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