A Pele que Habito (“La Piel que Habito”, Espanha, 2011) ***NOS CINEMAS***

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Almodóvar de “Abraços Partidos” volta em boa forma com todos os seus trejeitos peculiares. Quem também volta muito bem, após 21 anos sem trabalhar com o diretor, é Antonio Banderas (“Você Vai Conhecer O Homem dos Seus Sonhos“) na pele de Roberto, um brilhante cirurgião plástico que desenvolveu um novo tipo de pele e está testando-a em uma misteriosa paciente, Vera (Elena Anaya de “Inimigo Público nº 1”), a qual parece estar em cativeiro.

Almodóvar constrói a espiral de revelações de forma lenta para aos poucos o espectador descobrir quem é Vera e o porquê da obsessão de Roberto por ela. Tecnicamente o filme prima pelo perfeccionismo do diretor: seja na sensacional e tensa trilha de Alberto Iglesias (“Che 2 – Guerrilha”); seja em edições inspiradas e transposições tão emblemáticas que uma delas mata a charada da trama bem antes do desvelar das cortinas; e sempre com o delicioso elemento bizarro que seu realizador tanto gosta de acrescentar às suas produções.

Já na parte narrativa, há alguns desvios que mais soam como decisões erradas. Uma das partes mais interessantes e relevantes para o filme, que seria sobre a esposa de Roberto, sua traição com o “Tigre” e seu acidente, é explicada de forma superficial e não deixa o público ter a completa noção do amor de Roberto, o que o leva a cometer grande parte dos atos mostrados. Por outro lado, a seqüência em que sua filha é violentada é praticamente explicada duas vezes, o que é um excesso, já que apenas sendo mostrada uma única vez já daria a dimensão correta e apresentaria Vicente (o novato Jan Cornet), que tem um papel chave na trama. Talvez por esse desequilíbrio, não fica tão claro qual a participação de cada tragédia pessoal que levou Roberto a fazer sua atual experiência. Estes são apenas algumas das diversas lacunas de um roteiro que parece ter uma espinha dorsal muito consistente e inteligentemente contruída, mas com vértebras um tanto desconjuntadas.

A Pele que Habito” é mais um grande filme de Almodóvar que conta com um ótimo elenco e direção, o qual discute em última instância a verdadeira filosofia do ser e do parecer. Talvez pelo próprio roteiro ter sido reescrito nove vezes, algumas pontas ficaram soltas o suficiente para não elevar a produção à categoria de obra prima, além de os últimos minutos funcionarem mais como anticlímax. Contudo, ainda será uma delícia para os cinéfilos.
[rating:3.5]

Ficha Técnica

Elenco:
Antonio Banderas
Elena Anaya
Marisa Paredes
Jan Cornet
Bianca Suárez

Direção:
Pedro Almodóvar

Produção:
Pedro Almodóvar
Agustín Almodóvar

Fotografia:
José Luis Alcaine

Trilha Sonora:
Alberto Iglesias

 

1 Comment

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  • Daniel
    on

    Concordo com sua critica o diretor perdeu muito tempo contado a historia do suposto abuso sexual, achei a cena muito estranha tudo aquilo que a menina tomou era o que remedio ou o cara dopo ela? Deu a impressão em um dialogo de Vincente com a irmã que ele já tinha uma queda a homossexualidade. Achei também que deveria realmente mostrar esse amor todo que supostamente ele tinha com a Esposa.
    Essas três palavras na capa define perfeitamente o filme: Loucura, Fúria e Paixão.

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