Alfie – O Sedutor (“Alfie”, EUA, 2004)

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O tempo vai passando e a sociedade mudando. Talvez evolução não seja a palavra, mas com certeza há uma mudança de padrões e comportamentos no mundo com o passar das décadas. Assim, quando “Alfie” foi feito em 1966 estrelado por Michael Caine, a platéia ficava horrorizada com seu comportamento, (des)tratando todas as mulheres a sua volta, como se fossem apenas objetos. Ele até as chamava de isso em vez do pronome feminino.

Porém já no século XXI e, apesar do comportamento antes descrito continuar sendo abominável, já não é motivo para a polêmica que foi há quatro décadas. Em sua nova roupagem “Alfie – O Sedutor” é Jude Law (“Um Jogo de Vida ou Morte“), um cara boa vida cujo passatempo é transar com o maior número possível de mulheres, sem distinção de raça, credo ou idade. Sua narrativa é familiar para muitos brasileiros que acompanhavam programas como “Os Normais” porque seu protagonista divide seu tempo contracenando com os demais e conversando com a câmera, ou melhor, com o expectador. Dessa forma, ficamos como amigos íntimos compartilhando das suas glórias e dores.

Sua fotografia também é destaque já que sempre há alguma placa ou sinal que indique o sentimento de Alfie no momento. Ela também é eficaz ao mostrar os dois lados da Big Apple New York, hora brilhante, hora suja, fazendo alternância da dualidade do protagonista.

Em suma, o filme é bastante leve e perfeitamente palatável. E esse é o grande problema: após ver uma atuação visceral onde Michael Caine, em 1966, tornou Alfie um ser desprezível, subentende-se que na nova versão Jude Law teria que ser ainda pior para chocar o público. Pois eis que ele toma o caminho contrário: seu personagem capta cada vez mais a empatia do expectador, chegando a ponto de nos fazer torcer para que ele seja feliz. E enquanto Michael Caine nos remete a todo um passado nos fazendo pensar nos motivos que o levaram a ser tão desprezível, fica claro que o Alfie de Jude Law é apenas um bom-vivant sem nenhuma profundidade.

O roteiro, mesmo tendo um fundo edificante, o faz de maneira mecânica, dividindo a história em ‘quando tudo dá certo para Alfie’ e ‘quando tudo dá errado para Alfie’. E as próprias personagens femininas que caiam aos seus pés na primeira parte, transformam-se em mulheres letárgicas na última metade. A mudança de tom no filme não é suave e faz o expectador perceber a artificialidade do roteiro.

O diretor Charles Shyer (“O Pai da Noiva”) fez um bom filme pra quem nunca viu o original, porém perde a força frente ao maior canalha de todos os tempos: Michael Caine como Alfie em 1966.

[rating:3]


Ficha Técnica

Elenco:
Jude Law
Jane Krakowski
Marisa Tomei
Omar Epps
Susan Sarandon
Sienna Miller
Nia Long

Direção:
Charles Shyer

Produção:
Elaine Pope
Charles Shyer

Fotografia:
Ashley Rowe

Trilha Sonora:
Mick Jagger
John Powell
David A. Stewart

 

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