Direito de Amar (“A Single Man”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

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Ok, Jeff Bridges mereceu ganhar o Oscar de melhor ator por “Coração Louco“, o que na verdade foi um prêmio que refletiu em homenagem a toda sua carreira. Mas se essa questão não fosse relevante, se fosse apenas cabeça com cabeça, apenas filme com filme, provavelmente Colin Firth (“O Retrato de Dorian Gray“) iria levar essa.

Ele surpreende no papel de um homossexual devastado com a morte acidental de seu companheiro (Matthew Goode de “Watchmen – O Filme“) e que num dado dia decide tomar uma atitude drástica para cessar com seu sofrimento. Apesar de a trama fazer certo suspense, rapidamente o espectador sabe que George (Firth) quer cometer suicídio. Além disso, há a questão da discriminação, a qual se reflete numa bela cena em que Firth declama sobre as minorias invisíveis.

Sendo este o suposto último dia do protagonista, a narrativa transcorre com as lembranças de seu passado feliz, as diversas tentações que se traduzem em motivos para ele não cometer tal ato, e uma subtrama cujo único motivo aparente é fazer passar o tempo com sua melhor amiga, Charley (Julianne Moore de “Ensaio Sobre a Cegueira“). Aliás, Moore está sempre competente, mas não chegava a valer a indicação ao Oscar.

O diretor novato Tom Ford criou uma analogia muito interessante para expressar os sentimentos de George: em seus momentos de depressão (a maior parte do filme), a platéia vê cores dessaturadas; em momentos onde interessantes oportunidades se apresentam (digamos, tentações), mas cores da cena ficam vívidas e fortes; e dependendo do estado em que George se encontra os flashbacks de sua lembrança com seu parceiro variam entre o preto e braço e o tecnhicolor.

A produção ainda abre espaço para alguns poucos, mas interessantes toques de comédia, como na cena em que ele se prepara para o derradeiro ato, mas sem comprometer o clima depressivo geral. E é isso que “Direito de Amar” é: um drama sobre perdas irreparáveis, comportamentos depressivos e a falta de perspectiva de vida mesmo com um mundo de oportunidades à sua porta. Pontos para a honestidade que o filme passa e, mesmo não sendo nenhuma obra prima, só pela atuação de Colin Firth, já é recomendadíssimo.

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Colin Firth
Julianne Moore
Nicholas Hoult
Matthew Goode
Jon Kortajarena
Paulette Lamori
Ryan Simpkins

Direção:
Tom Ford

Produção:
Andrew Miano
Tom Ford
Robert Salerno
Chris Weitz

Fotografia:
Eduard Grau

Trilha Sonora:
Abel Korzeniowiski

 

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