O Discurso do Rei (“The King’s Speech”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Independentemente de quem vai levar o prêmio máximo da Academia, uma coisa é certa: “O Discurso do Rei” é a cara do Oscar e foi feito com esmero tal para agarrar a estatueta. Tanto que levou 12 indicações.

Primeiro que não só detém o famoso bordão ‘baseado em fatos reais’ como os fatos foram bastante relevantes para a história da sociedade moderna: a entrada da Inglaterra na Segunda Guerra Mundial, a qual dependia do apoio incondicional do povo. Para esse apoio, o recém coroado Rei George VI deveria fazer um grande discurso encorajador. O problema é que o rei, na verdade, o Duque de York, era gago desde os 5 anos. Ele, interpretado majestosamente por Colin Firth (“Quando me Apaixono”), procura o apoio de um controverso especialista em fala, Logue (Geoffrey Rush de “Elizabeth – A Era de Ouro“) e acabam desenvolvendo uma amizade peculiar.

Como já dito, Firth está impecável, tanto na incorporação do personagem, quanto da sua deficiência. Ele desempenha uma gagueira há anos luz da caricatura e beira a perfeição. Lógico que tanto Rush quanto Helena Bonham Carter (de “Harry Potter e as Relíquias da Morte“) estão a altura do protagonista e suas respectivas indicações ao Oscar são as provas cabais. Mesmo com George VI sendo a estrela, sua esposa (Carter) e Logue (Rush) tem personalidades bastante complexas: enquanto Elizabeth era arredia à imprensa relutando a se casar, mas que se tornou ao mesmo tempo uma esposa submissa e proativa aos interesses do marido e da coroa a ponto de praticamente se tornar a ponte e o alicerce do rei, Logue, apesar de ser até certo ponto cheio de si com seus métodos pouco ortodoxos, exibe uma insegurança e frustração por nunca ter conseguido atingir seu grande sonho de ser um ator de teatro de sucesso.

O diretor Tom Hooper do ótimo “Maldito Futebol Clube” mais uma vez consegue uma reconstituição de época bastante acurada e deixa a trama linear sem parecer enfadonha. E ainda usa recursos de microfonia e reverberação dos proprios aparelhos de rádio da época para criar uma certa dose de tensão e desconforto nas cenas em que o rei deve discursar.

Agora o mais importante e o que pode fazer com que a produção roube muitos Oscar’s de outra favorita, “Cisne Negro“, é a questão da afinidade humana como artifício para arrebatar o espectador, através de uma história de superação. Apesar de “Cisne Negro” poder ser artisticamente superior, ele castiga o espectador, enquanto “O Discurso do Rei” acalenta e fortalece. Muitos críticos devem torcer o nariz pra isso, mas no final das contas, às vezes a maneira com que o público sai do cinema conta mais do que outros aspectos artísticos. A comparação de “Cisne Negro” com “O Discurso do Rei” é próximo do mal que a própria bailarina Nina (Natalie Portman) sofre: “Cisne Negro” é perfeito, mas “O Discurso do Rei” é que arrebata o coração. Em outras palavras, aqui “O Cisne Negro” é o cisne branco e quem pode surpreender é “O Discurso do Rei“.

[rating:5]


Ficha Técnica

Elenco:
Colin Firth
Geoffrey Rush
Helena Bonham Carter
Guy Pearce
Timothy Spall
Derek Jacobi
Jennifer Ehle
Michael Gambon
Robert Portal
Richard Dixon

Direção:
Tom Hooper

Produção:
Iain Canning
Emile Sherman
Gareth Unwin

Fotografia:
Danny Cohen

Trilha Sonora:
Alexandre Desplat

 

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