O Fantástico Sr. Raposo (“The Fantastic Mr. Fox”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

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Wes Anderson, famoso por suas dramédias envolvendo famílias mais do que comlicadas, como o ótimo “Os Excêntricos Tenenbaums” e mais recentemente “Viagem a Darjeeling“, continua no mesmo tema sem saturar. E quem diria que ele se utilizaria de um livro infantil para basear o roteiro e da mais primitiva técnica de animação em stop-motion para essa empreitada. Muito mais rudimentar do que a vista em “A Noiva Cadáver” de Tim Burton, Wes Anderson remonta o que foi feito nas produções de décadas atrás como “A Rena do Nariz Vermelho” de 1964.

O Sr. Raposo (na voz de George Clooney de “Amor Sem Escalas“) se casa, tem um filho e decide parar com a vida de roubar galinhas (sim, ele é uma raposa). Quando a família se muda para uma árvore, eles ficam de frente para três propriedades cujos maléficos donos produzem o que á de melhor em aves e cidras. Encantado, ele decide voltar à vida de ladrão de galinhas, escondido da sua mulher (Meryl Streep de “Simplesmente Complicado“) e com a ajuda de seu melhor amigo (o novato Wallace Wolodarsky), eles elaboram um plano para um roubo sistemático que vai despertar a fúria dos três donos, os quais vão revidar causando problemas para toda a fauna do local e desestruturando a família do Sr. Raposo.

A animação por si só, aliada ao roteiro do próprio Anderson com Noah Baumbach (“Margot e o Casamento“) é um deleite para o espectador, mesmo que alguns elementos sejam jogados na tela com o único propósito de entreter sem precisar grande análises, como o mundo dos animais, onde há a profissão de ladrão de galinhas, mas há a profissão de jornalista; e que o desequilíbrio da relação entre humanos e animais (eles parecem falar a mesma língua) só se dá quando um invade o espaço do outro. A analogia que se faz do roubo de galinhas a casos extraconjugais e a subtrama do filho “diferente” que rivaliza com a visita de seu primo com mais dotes atléticos deixa a marca registrada do diretor, ao mesmo tempo que apresenta um realista conflito familiar, sem perder o humor.

A participação dos atores se fez essencial, já que a animação conta com fortes limitações gráficas com poucas (mas engraçadíssimas) mudanças de expressão. Daí a impostação e entonação de voz fazem toda a diferença e nesse quesito, o elenco está afiadíssimo e todos sendo do time A de Hollywood. Depois do um tanto cansativo “A Vida Marinha com Steve Zissou“, Anderson parece ter encontrado novamente o ponto certo com uma comédia diferente, feito para toda a família e inovando justamente por seguir o caminho contrário a tecnologia. Satisfaz os olhos, a mente e o coração.

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
George Clooney
Meryl Streep
Adrien Brody
Owen Wilson
Willem Dafoe
Jason Schwartzman
Bill Murray
Michael Gambon
Brian Cox
Jarvis Cocker
Wes Anderson
Helen McCrory
Wallace Wolodarsky
Roman Coppola
Mario Batali
Hugo Guinness
Molly Cooper
Eric Chase Anderson

Direção:
Wes Anderson

Produção:
Wes Anderson
Allison Abbate
Jeremy Dawson
Scott Rudin

Fotografia:
Alexandre Desplat

Trilha Sonora:
Tristan Oliver

 

1 Comment

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  • Clayton
    on

    Divertidíssimo, impossível de largar no meio ou dar aquele “pause” para recarregar o refrigerante. O intrigante e muitas vezes supreendente “O Fantástico Sr. Raposo” traz na velha animação stop-motion uma nova forma de divertir, e de maneira mais eficiente e mais adulta que “A fuga das galinhas” por exemplo. Na verdade Wes Anderson faz graça desse tipo de animação, até mesmo zoando com as suas limitações, como por exemplo, nas cenas em que o Sr. Raposo (Clooney, até nisso o cara é bom) pede para que o Marsupial lhe dê pelo menos um sinal de que entendeu o que o mesmo estava lhe dizendo. Aliás, um ator demonstra que fez um bom trabalho quando não consegue se imaginar outro para ocupar o seu lugar, como por exemplo Hugh Jackman no papel de Wolverine, e é assim que vejo Clooney como o Sr. Raposo. O personagem tem todos os trejeitos do ator, inclusive o seu modo de não encarar suas falhas mais essenciais, como quando demonstra não ser um exemplo de pai ao não procurar entender ou encorajar seu filho, que é “diferente”. Note também que o “diferente” em nenhum momento menciona homossexualidade, fazendo com que o espectador exponha seu próprio preconceito atribuindo-o ao personagem. Anderson ainda povoa sua película com diversas discussões paralelas e figurativas sem nunca se aprofundar, para não afetar o mote principal do embate entre o Sr. Raposo e os donos de propriedades. Há o conceito de que os animais só ficam sem comida quando o ser humando avança, e portanto a espécie humana é a única com a capacidade de desequlibrar o meio ambiente. O rato vigia que além de sentir inveja do Sr. Raposo, aceita um sub-emprego de vigia de um dos propritários única e tão somente para estar perto de seu maior prazer, jamais se sentindo capaz de alcançar aquilo por outros meios. O próprio Sr. Raposo traz a mistura de bem sucedido e popular, porém disfarçadamente fracassa como pai e chefe de família, assumindo sua real condição de imperfeito próximo ao final do filme. Enfim, “O fantástico…” é uma mistura de várias parábolas em um único conto utilizando uma técnica antiga e limita, porém nas mãos do diretor certo e nas vozes certas, tornou-se uma diversão “fantástica”.

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