O Irlandês (“The Irishman”)

Pode se dizer que o trio Scorsese / De Niro / Pesci finalmente terminaram o que talvez venha a ser conhecida como trilogia da máfia que começou em 1990 com o sensacional “Os Bons Companheiros”, “Cassino” de 1995 e agora, mais de vinte anos depois, “O Irlandês”, uma maratona cinematográfica de três horas e meia que conta a vida de Frank Sheeran (De Niro), um ex combatente que se tornou caminhoneiro e se envolveu com o poderoso chefe da máfia Russell Bufalino (Joe Pesci), virou matador profissional e fez amizade com o icônico Jimmy Hoffa (o também icônico Al Pacino), chegando a ser um dos líderes do sindicato dos transportes, tudo a custo de sangue e mortes.

A produção é show atrás de show. Martin Scorsese dá um show de direção, inclusive na forma como conduz a narrativa que viaja em três linhas temporais diferentes: o Frank jovem se envolvendo na máfia, o Frank já estabelecido em viagem a um importante evento, e o Frank já idoso que funciona como o narrador da história. O diretor reveza entre a elegância dos closes e angulações de câmera com a crueza de sequências rápidas e eficientes, principalmente na hora da violência.

Também há um senso de humor afiadíssimo que permeia toda a trama sem jamais prejudicar a dramaticidade dos eventos. Até porque no fim das contas, o filme é sobre as escolhas do passado e sobre como tudo no final converge em um só ponto independente de quem se é.

O trio de protagonistas dá outro show e, apesar de Robert De Niro ser o protagonista inconteste, Al Pacino e Joe Pesci também são gigantes e marca o melhor encontro entre esses artistas. Todos os três sem dúvida merecem indicações a prêmios e, mesmo desfilando suas marcas registradas de mafioso, De Niro faz um Frank Sheeran que se conecta com o espectador como seu alter ego ou alguém de fora do sistema que veste perfeitamente uma carapuça, mas que tem que duelar constantemente com a sua noção de certo ou errado.

Os efeitos especiais de “de-agging” (ou rejuvenescimento) feito pela empresa de George Luccas, Industrial Light & Magic, são uma atração a parte e chega a ser fenomenal ver os três atores mais jovens, atestando que a tecnologia quebrou definitivamente a barreira da idade e consegue ser usada não só em filmes da Marvel ou de ação, mas também em complexos e pesados dramas como esse.

“O Irlandês” é irrepreensível e mesmo com a exaustiva duração é uma jornada narrativa seminal que contempla com maestria todos os elementos do melhor do cinema.

Curiosidades:

– Joe Pesci disse “não” ao diretor mais de 50 vezes antes de decidir sair da aposentadoria para trabalhar no filme.
– O filme mais longo da carreira do diretor Martin Scorsese o seu filme que mais demorou para ser filmado (106 dias).
– Apesar do filme se chamar “O Irlandês” não há nenhum artista irlandês no elenco.
– No filme “Os Bons Companheiros” de 1990, o personagem de De Niro se refere à Frank Sheeran pelo seu apelido “o Irlandês” em dois momentos.
– A idéia de fazer O Irlandês veio de Robert De Niro, quando Martin Scorsese o abordou para fazer um filme completamente diferente.
– O verdadeiro Frank Sheeran era um pouco mais de 10cm mais alto que Robert De Niro. Para ficar dessa altura ele teve que usar sapatos com solado alto e às vezes foi filmado em perspectiva para parecer mais alto que os demais.
– A palavra fuck (vocês sabem o que é) foi usada 136 no filme. Mas o recorde está com “O Lobo de Wall Street”: 569 vezes.

Ficha Técnica

Elenco:
Robert De Niro
Al Pacino
Joe Pesci
Anna Paquin
Jesse Plemons
Stephen Graham
Bobby Cannavale
Harvey Keitel
Kathrine Narducci
Jack Huston
Aleksa Palladino
Domenick Lombardozzi
Ray Romano
Steven Van Zandt

Direção:
Martin Scorsese

Produção:
Troy Allen
Gerald Chamales
Robert De Niro
Randall Emmett
Gastón Pavlovich
Jane Rosenthal
Martin Scorsese
Irwin Winkler

Fotografia:
Rodrigo Prieto

Trilha Sonora:
Robbie Robertson

 

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