Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas (“Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides”, EUA, 2011) ***NOS CINEMAS***

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Mais óbvio que essa é uma daquelas continuações caça níqueis de Hollywood, impossível. Apesar de pegar o gancho do fim da terceira parte, isto é, a busca da fonte da juventude, o longa dá uma certa guinada para estabelecer a dinâmica entre seus personagens, incluindo alguns novos que nunca foram citados na primeira trilogia: o pirata Barba Negra (Ian McShane de “Caso 39“) e Angélica (Penélope Cruz de “Nine“) interpretando um suposto interesse amoroso do andrógino Jack Sparrow, criação sempre hilária de Johnny Depp.

Nessa nova aventura, Jack, seus amigos e inimigos buscam a tal fonte da juventude para os motivos mais diversos, os quais infelizmente até se perdem ao chegar ao desfecho. O maior problema da produção é que sua trama é extremamente rasa, igualando-se em conceito a aventuras como “A Lenda do Tesouro Perdido“. Tudo se resume a tal busca e alguns elementos que nunca se explicam direito ao longo do caminho, como rituais bizarros ou até um navio engarrafado.

Os próprios inimigos e percalços parecem ser inferiores às tamanhas ameaças dos filmes anteriores, resumindo-se aqui a zumbis que parecem tudo, menos assustadores; sereias que apenas repetem o que conta as histórias de pescador, e o tal Barba Negra que também parece um vilão como outro qualquer. Ainda querem emplacar em vão um romance entre uma sereia e um missionário apenas para fazer um paralelo com o casal da primeira saga.

A fotografia de Dariusz Wolski (“Alice no País das Maravilhas“) tenta sem muito êxito ser épica como a de seu antecessor, enquanto o diretor Rob Marshall, que trabalhou com Penélope Cruz no péssimo “Nine” apenas mostrou que se um dia entendeu de ritmo (lembro do seu ótimo “Chicago“), parece que agora já está desgastado.

Agora o que SALVA esse “Piratas do Caribe” (e sim, com letras maiúsculas) é mesmo Johnny Depp que faz a mágica de ser tão atabalhoado, mas ao mesmo tempo de raciocínio afiado e com ótimas habilidades. Tudo isso sem insultar a mente do espectador. Seu carisma consegue quase ofuscar tantos e todos os defeitos do filme. Destaque também para a sua relação com o Capitão Barbossa (Geoffrey Rush, outro craque, de “O Discurso do Rei“). Aliás, Rush e seu Capitão Barbossa conseguiram dar uma reviravolta em seu personagem desde as produções passadas, transformando-o do hediondo pirata sobrenatural da primeira parte, a praticamente um anti-herói do mesmo calibre de Jack, porém em sintonias opostas.

Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas” diverte, sem sombra de dúvida. Entretanto não funciona além do riso rasteiro. Vale por Depp e talvez pela história que já foi construída. E tem uma cena após os créditos. Só espero que a próxima continuação não se construa a partir dessa cena.
[rating:3]

Ficha Técnica

Elenco:
Johnny Depp
Penélope Cruz
Geoffrey Rush
Ian McShane
Kevin McNally
Gemma Ward
Stephen Graham
Kevin McNally
Sam Claflin
Astrid Berges-Frisbey
Paul Bazely

Direção:
Rob Marshall

Produção:
Jerry Bruckheimer

Fotografia:
Dariusz Wolski

Trilha Sonora:
Hans Zimmer

 

1 Comment

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  • Clayton
    on

    Acho que o Aldo já falou tudo sobre essa produção, na verdade já a um certo tempo a saga só tem sentido quando Johnny Depp entra em cena. E se alguém puder, por favor me esclareça que fim levou o peregrino e a sereia, será que o final idiota deles é aquele mesmo? O jeito é editar os filmes e assistir as cenas de Jack, aliás, Capitão Jack, e a perguntar que não quer calar desde o primeiro filme, dito por um dos soldados do Rei: Ele planeja tudo ou só improvisa?. Malvados demais.

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