O Mensageiro (“The Messenger”, EUA, 2009)

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Em dezenas de filmes de drama ou guerra há uma cena específica que usualmente gera certa emoção no público: é quando dois soldados batem à porta da família de outro soldado que acabou de morrer na guerra para dar a triste notícia. Certamente todo cinéfilo já viu uma cena assim. Este novo filme de um gênero que só fez crescer depois dos ataques do 11/09 no World Trade Center e ganhou força com a interminável guerra no Iraque foca justamente na vida dos soldados que tem a árdua missão de comunicar a morte de um combatente à respectiva família.

Mais precisamente conta a história de Will (Ben Foster de “Pandorum“) que recém chegado do Iraque e com alguns distúrbios psicológicos é alocado para essa tarefa ao lado do seu mentor, o veterano e freqüentador dos Alcoólicos Anônimos Tony (Woody Harrelson de “Defendor“). Ambos devem descobrir nessa conturbada amizade o que é preciso para exorcizar seus demônios.

Os dois atores são perfeitos para interpretar papéis de desajustados. Provavelmente foram escolhidos pelo seu histórico de trabalho. Eles mostram desempenhos bem acima da média e conseguem convencer em cenas onde praticamente não há trilha sonora nem cortes. Interessante ver que eles tentam equilibrar sua própria dor e suas culpas carregadas da guerra no desespero, lamento e luto daqueles para os quais darão a mais terrível das notícias.

Além da amizade, a história experimenta com sucesso cruzar a linha do profissionalismo quando Will se interessa na viúva de um dos soldados que deram sua vida na guerra (Samantha Morton de “Sinédoque, Nova York“). Inclusive os dois protagonizam uma belíssima cena de tensão emocional sem cortes que dura mais de 10 minutos. Nunca foi tão agonizante esperar um beijo.

Agora nada… digo nada se compara aos momentos em que Will e Tony devem partir para a missão. Filmado com a câmera na mão num estilo quase documental e com ausência de trilha, chega a ser enlouquecedor ver as famílias (brilhantes coadjuvantes por sinal) se contorcendo de dor pela morte de seu ente querido.

O diretor estreante Oren Moverman fez um trabalho não menos que belíssimo e conseguiu capturar uma dramática atmosfera que até então tinha sido deixada de lado pelas outras produções. Filme para não perder de vista.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Ben Foster
Woody Harrelson
Jena Malone
Eamonn Walker
Steve Buscemi
Samantha Morton

Direção:
Oren Moverman

Produção:
Benjamin Goldhirsch
Mark Gordon
Lawrence Inglee
Zach Miller

Fotografia:
Bobby Bukowski

Trilha Sonora:
Nathan Larson

 

1 Comment

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  • Clayton
    on

    Um filme onde é palpável o mérito da boa Direção. A filmagem com câmera na mão nos transporta diretamente para a cena como se estivéssemos presentes, ora focando o desconforto dos militares ao dar a nótícia da “baixa” ás famílias, principalmente por parte de Will avesso a função e ao procedimento, contrastando com Tony que procura ser o mais pragmático possível, ora focando nos familiares em ruínas com a perda. Destaque para a cena em que um pai briga com sua filha por conta de um relacionamento proibido, e no minuto seguinte tem que lhe prestar solidariedade, tudo ali sem a edição com a qual estamos acostumados. A ausência de trilha sonora deixa ainda mais “crua” a cena. Ben Foster é correto e demonstra qualidade nas cenas com a viúva. E Woody Harrelson surpreende por transformar um personagem que tinha tudo para ser caricato, em algo digno de pena, pois demonstra que em todos os campos de sua vida ele tenta ser o mais “raso” possível, para não mergulhar em desespero diante de tudo que presencia. Seus relacionamentos amorosos e opiniões sobre as mulheres são (perdoem-me ladys) engraçadíssimos. Mas são apenas comprovantes do quanto superficialmente tenta apenas sobreviver. Não foi o melhor, mas levou o Oscar. Uma ressalva a ponta dada por Steve Buscemi, sempre brilhante, merecia até mais espaço. Para quem gostou de “O Mensageiro”, não deixem de assistir o não menos que brilhante “Retorno de um Herói” com Kevin Bacon, que conta como são realizadas as transferências e escoltas dos corpos de soldados do local de guerra até o seu local de sepultamento. Neste filme a trilha sonora e Bacon (ator até a raiz da alma) fazem todo o trabalho com o mínimo de diálogo, mas tão ou mais emocionante quanto “O mensageiro”.

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