A Bruxa (“The Witch”)

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Release Date : 2015

Na vida real, terror é qualquer situação negativa que foge do controle até chegar numa tragédia. Em outras palavras, antes de mais nada o terror é algo dramático. E é justamente essa noção de terror que “A Bruxa” explora, diferentemente de outros filmes mais comerciais do mesmo gênero.

A sinopse seria que na época da colonização dos EUA pelas colônias britânicas, uma família extremamente religiosa vai morar num terreno isolado próximo à floresta e são atormentados por uma entidade, a tal bruxa.

Com um elenco desconhecido, a narrativa não se preocupa em levar o espectador rapidamente ao clímax, apesar de colocar logo nos primeiros minutos o fato que dá início a uma implosão familiar (e está no trailer): o sumiço do filho caçula ainda bebê que estava sendo cuidado pela filha mais velha Thomasin (a linda top model e agora atriz Anya Taylor-Joy). E essa escalada gradativa que não joga a família nos braços da bruxa num primeiro momento pode dividir opiniões.

Pouca gente vai perceber que há uma cena crucial para se entender todo o desenrolar do filme que é justamente a primeira, quando a família é expulsa de uma comunidade por causa de suas crenças exacerbadas, o que já denota uma instabilidade que chegou ao ponto de perturbar a ordem de uma comunidade inteira. Portanto percebe-se que era só uma questão de tempo para que o núcleo implodisse. Assim, podemos concluir que a bruxa funciona mais como uma alegoria para as adversidades da vida que sempre se potencializam para aqueles que levam uma vida desequilibrada e consegue afetar a todos aqueles mais próximos independentemente do amor que é trocado entre essas pessoas.

Não é à toa que “A Bruxa” é uma versão “colonial” do clássico de Stanley Kubrick, “O Iluminado” de 1980. A influência é tão clara que o diretor e roteirista Robert Eggers fez questão de inserir os personagens dos gêmeos que são praticamente uma réplica dos fantasmas dos irmãos gêmeos do hotel. Também não dá pra deixar de notar as referências a outro clássico de terror que versa sobre o mesmo tema, “Terror em Amityville” de 1977 e refilmado em 2005.

As atuações que chegam a ser amedrontadoras, não só pelo talento, mas também pela maquiagem que deixa os personagens (com exceção de Thomasin) caricaturas próprias de seres perturbados. E finalmente a fotografia de Jarin Blaschke (“Noite Sangrenta”) cujas imagens contemplativas e algumas vezes desfocadas evocam uma paradoxal claustrofobia a céu aberto, enquanto a trilha sonora de Mark Korven do sensacional clássico “O Cubo” repete aqui pequenos sons e ruídos que compõe uma apavorante harmonia até mesmo quando nada acontece, como se o mal pairasse independente do espaço e tempo.

E “A Bruxa” é tão perturbador porque fala justamente de um mal que não morre nunca: aquele que fica em cada um de nós e que consegue corromper até os mais justos. Recomendadíssimo, apesar de não comercial.

Curiosidade: Pasmem, mas o filme é uma co-produção brasileira. Inclusive, sua execução só foi possível pois o produtor brasileiríssimo Rodrigo Teixeira foi o primeiro a acreditar no projeto e fez o primeiro investimento.

Ficha Técnica

Elenco:
Anya Taylor-Joy
Ralph Ineson
Kate Dickie
Harvey Scrimshaw
Ellie Grainger
Lucas Dawson
Bathsheba Garnett
Sarah Stephens
Julian Richings

Direção:
Robert Eggers

Produção:
Daniel Bekerman
Lars Knudsen
Jodi Redmond
Rodrigo Teixeira
Jay Van Hoy

Fotografia:
Jarin Blaschke

Trilha Sonora:
Mark Korven

 

1 Comment

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  • Juliano
    on

    Eu assisti o filme e não gostei, também sei que não o aprecei como deveria.
    Mas é impressionante Aldo como você salvou o filme para mim: “… podemos concluir que a bruxa funciona mais como uma alegoria para as adversidades da vida que sempre se potencializam para aqueles que levam uma vida desequilibrada e consegue afetar a todos aqueles mais próximos independentemente do amor que é trocado entre essas pessoas.”

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