Invasores: Nenhum Sistema Está Salvo (“Who Am I – Kein System ist sicher”)

Dessa vez o cineasta alemão Baran bo Odar de “Crimes na Madrugada” acertou na mosca e aprendeu com os melhores. Fica evidente as influências dos grandes diretores de reviravoltas Christopher Nolan, Guy Ritchie e David Fincher nessa produção que consegue incorporar ótimos plot twists numa abordagem diferente.

Tom Schilling de “Suíte Francesa” é Benjamin, hacker que se junta a um grupo inicialmente por diversão e para burlar o sistema em inofensivos atos de protesto, até que sem querer vaza dados da inteligência alemã e acaba com a máfia russa e as autoridades atrás dele.

A narrativa é elétrica e quase não dá tempo para o espectador respirar. Se no início Schilling parece meio desconfortável, ele vai pegando força no papel e tem seus pares coadjuvantes competentes que juntos tecem a trama que a partir do terceiro ato vai se encher de reviravoltas que são tão consistentes que mesmo vendo o filme duas vezes vai ser difícil pegar um furo no roteiro.

O mais interessante é que o diretor praticamente homenageia grandes clássicos como “O Clube da Luta”, “O Grande Truque”, entre outros, sem que seja uma mera cópia, mas sim uma acertada decisão de colocar as manobras narrativas certas no tempo certo.

Além disso, as edições e efeitos de câmera são impecáveis sem precisar de efeitos especiais caros. A trilha sonora de Michael Kamm parceiro comercial de longa data do diretor, energiza ainda mais a aura dinâmica da história. O desfecho é objetivo ao mesmo tempo em que não revela tudo explicitamente deixando que a inteligência do público possa trabalhar um pouquinho.

Invasores” é ação e suspense de primeiríssima linha com adrenalina máxima e uma inteligência de roteiro muito acima da média. Difícil é desacelerar depois.

Curiosidades:

– Um dos filmes preferidos do CEO da Netflix.
– Depois desse filme seus criadores fecharam um contrato com a Netflix para fazer a série Dark.
– No quarto de Benjamin aparece um poster de “O Clube da Luta”, o que seria um spoiler do que vem pela frente.
– A cena dos hackers ganhando um Porsche foi baseada num caso real ocorrido na década de 90 onde um hacker invadiu o sistema de uma rádio e conseguiu ser ele mesmo o sorteado numa ligação de telefone manipulada.

SPOILERS – SÓ LEIA SE JÁ TIVER ASSISTIDO AO FILME:

– Na cena final onde faz o truque do açúcar, há uma tomada onde se vê por 1 segundo um homem fora do carro com uma máscara do grupo hacker. Isso significa que, apesar de seu plano ter sido bem executado, Benjamin também sobre de transtorno de personalidade, tal qual o protagonista de “O Clube da Luta”.
– O truque do açúcar é uma analogia ao próprio grupo de hackers.
– A cena final do prego é praticamente uma homenagem ao mesmo polt twist de “O Grande Truque”.

Ficha Técnica

Elenco:
Tom Schilling
Elyas M’Barek
Wotan Wilke Möhring
Antoine Monot Jr.
Hannah Herzsprung
Stephan Kampwirth
Trine Dyrholm
Leopold Hornung
Katharina Matz
Leonard Carow
Arndt Schwering-Sohnrey

Direção:
Baran bo Odar

Produção:
Quirin Berg
Max Wiedemann

Fotografia:
Nikolaus Summerer

Trilha Sonora:
Michael Kamm

 

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