Moana: Um Mar de Aventuras (“Moana”)

Um dos grandes desafios da Disney é ter elementos reconhecíveis na maioria de suas obras, porém com um resultado diferente o suficiente para justificar a própria existência. Um bom exemplo disso são as suas “Princesas”, geralmente a personagem principal que deve demonstrar força e coragem e, quando não muito, apaixonar-se pelo seu príncipe encantado.

Com algumas boas variações, “Moana” cumpre com êxito esse desafio. E teve seus riscos, já que o cerne da narrativa é a cultura Maori, vinda das ilhas da Nova Zelândia e cujo povo viajou e se alastrou por toda polinésia. Numa dessas ilhas vive Moana que acaba sendo escolhida pelo oceano para salvar o mundo da escuridão milhares de anos depois que o semi-deus Maui, rouba uma joia – o coração de Te Fiti e desencadeia uma maldição. Assim, ela deve achar o convencido Maui e ir até a longínqua ilha onde devolver a joia ao seu lugar e restaurar a paz nos oceanos.

Um dos primeiros baques positivos é perceber que a tecnologia evoluiu sensivelmente nessa nova produção: os movimentos dos personagens parecem cada vez mais reais chegando a impressionar, tanto nas expressões, movimentos articulares, tez e cabelos, bem como a natureza e a fluidez das águas que em alguns momentos se torna tão real que fica difícil diferenciar uma paisagem animada de uma em live-action.

A criatividade também é peça chave até nos aspectos técnicos que mistura computação com desenho a mão, como é o caso da movimentação das tatuagens de Maui. É interessante como os realizadores dão pequenos insights dentro da história para, de uma forma bem humorada, subverter alguns dos aspectos clássicos da Disney, como na ótima cena em que Maui chama Moana de princesa, porque ela carrega todo o estigma de uma (princesa da Disney).

O filme sabe dosar muito bem a ação com o musical e, apesar da trilha não ser tão emblemática quando a de “Frozen”, não deixa de ser carismática, em especial a música tema e a hilária canção do caranguejo gigante (por sinal uma homenagem a David Bowie).

Moana” tem uma trama simples, contada com uma extrema simpatia e povoada de personagens que geram conexão imediata com o espectador, além de efeitos especiais surpreendentes. Não tem como dar errado. Ah, e tem cena depois dos créditos finais.

Curiosidades:
– Na hora em que Maui tenta mudar de forma e não consegue, por uma fração de segundo ele se transforma no alce Sven de “Frozen”.
– A cena em que Moana acorda na praia é exatamente a mesma matriz computacional da cena em que Anna acorda em sua cama em “Frozen”.
– Dentre os vários tesouros na carcaça de Tamatoa, o caranguejo gigante, pode se ver a lâmpada de “Aladim”, outro desenho da Disney de 1992.
– É a segunda vez que uma protagonista de animação da Disney é da Polinésia. A primeira foi em “Lilo & Stitch” de 2002.
– Na cena em que Moana entra na praia para achar o coração de Te Fiti, há uma tartaruga gigante nadando. É a mesma de “Procurando Nemo”.
– A perseguição dos navios foi uma homenagem à “Mad Max – Estrada da Fúria”.
– A constelação que representa o gancho de Maui existe de verdade e no Ocidente se chama Escorpião, com o gancho representando a cauda do animal.
– Já existe um filme dos Países Baixos chamado Moana, então por conta dos direitos autorais, a Disney lançou lá com o nome de Vaiana e inclusive o elenco de dubladores teve que refazer algumas partes por causa do nome diferente.
– O galo e o porco são as caricaturas dos diretores John Musker e Ron Clements.
– A flor que desabrocha no fim do filme é a flor mágica que aparece em “Enrolados” (2010).

Ficha Técnica

Elenco:
Auli’i Cravalho
Dwayne Johnson
Rachel House
Temuera Morrison
Jemaine Clement
Nicole Scherzinger
Alan Tudyk
Oscar Kightley

Direção:
Ron Clements
John Musker

Produção:
Osnat Shurer

Trilha Sonora:
Opetaia Foa’i
Mark Mancina
Lin-Manuel Miranda

 

1 Comment

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  • Clayton
    on

    Mais do mesmo feito de forma competente. Como bônus algumas referências a outras produções. Destaque para a maneira como é retratada, chega a ser tocante. Admiro a qualidade do desenho, o último ato com a presença de Te Fiti é um espetáculo visual. Não posso deixar de mencionar o galo, mais um personagem criado para roubar todas as cenas (qualquer semelhança com A Era do Gelo e um certo fanático por nozes…)

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