No Portal da Eternidade (“At Eternity’s Gate”)

A minha última crítica antes dessa foi de “Doris, Redescobrindo o Amor” e lá escrevi que foi a protagonista, Sally Field, que carregou o filme nas costas. Pois “No Portal da Eternidade” acontece exatamente o mesmo.

Willem Dafoe de “Aquaman” retrata o perturbado pintor Vincent Van Gogh com maestria nessa obra do diretor Julian Schnabel do sensacional “O Escafandro e a Borboleta”.

Só que aqui Schnabel pisou na bola. Tenteou fazer um filme cult demais e desperdiçou minutos valiosos massificando idéias prontas. O protagonista literalmente tenta correr para consertar o que o diretor não fez ou fez em excesso. Passamos grande parte da projeção vendo Van Gogh andando para buscar inspiração. A idéia é essa e somente essa. E já estava fixada. Mas o expectador é quase açoitado com essa dinâmica mais do que morosa e desnecessária como se não houvesse conteúdo para desenvolver.

Já Willem Dafoe faz o contrário: num espaço reduzido ele consegue dissecar a psiquê do seu personagem de onde o público entende perfeitamente suas motivações e atos. Em momento algum se torna caricatural ou estereotipado e sua cadência nas palavras mostra exatamente o gênio atormentado, mas ciente de suas próprias escolhas e loucuras e não a toa o ator indicado ao Oscar.

Nesse meio tempo, aprendemos mais um pouco não apenas sobre a história de Van Gogh, como também sobre sua técnica revolucionária de uma pintura em alto relevo e sua filosofia por trás dela, mostrando inclusive pinturas famosas como seus auto-retratos e também a icônica Noite Estrelada, o que é quase tão fascinante quanto a própria personalidade do pintor.

No Portal da Eternidade” poderia ser bem mais enxuto e menos chato se nos concentrássemos apenas no protagonista e deixasse os delírios do diretor de lado. Que bom que Willem Dafoe arrasou.

Curiosidades:

– Willem Dafoe fez o filme com 62 anos, enquanto o verdadeiro Van Gogh morreu com 37.
– Nem o diretor e nem Willem Dafoe falam francês fluente e por isso grande parte do filme é falada em inglês. A coincidência é que o francês de Van Gogh é pobre e inclusive bastante caçoado pelos franceses.
– Willem Dafoe nasceu com o nome de William. Para seu nome artístico mudou para Willem que é holandês, coincidentemente a naturalidade de Van Gogh.

Ficha Técnica

Elenco:
Willem Dafoe
Rupert Friend
Oscar Isaac
Mads Mikkelsen
Mathieu Amalric
Emmanuelle Seigner
Niels Arestrup
Anne Consigny
Amira Casar
Vincent Perez
Lolita Chammah

Direção:
Julian Schnabel

Produção:
Jon Kilik

Fotografia:
Benoît Delhomme

Trilha Sonora:
Tatiana Lisovskaya

 

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