Senna (Brasil / Inglaterra, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Ayrton Senna, muito mais que um dos melhores pilotos que a Fórmula 1 já teve, também vivenciou momentos extraordinários. E essa combinação homem somado à sua vida e infelizmente à sua morte prematura já dá um ótimo filme. E por incrível que pareça, foi uma produtora britânica e um diretor com descendência indiana que deram conta do recado.

Tomaram a decisão corretíssima de mostrar Senna não a partir de sua morte – fato mais marcante na mente dos torcedores – mas a partir de sua escalada ao tri-campeonato, desde a época em que começou sua carreira no kart. A seqüência dos créditos iniciais já mostra um diferencial em torno da maioria dos comentários (principalmente os brasileiros), pois tem uma edição ágil e efeitos como se estivéssemos prestes a ver algo como “Velozes e Furiosos“.

Mesmo tendendo a mostrar Senna como o herói presente na tradição nacional, o documentário vai mais a fundo e apresenta um corredor compenetrado, focado na segurança com uma ambição de vencer que ultrapassa várias barreiras e resulta numa das competições mais dramáticas da Fórmula 1 de todos os tempos com o francês Alain Prost. Presente mais no segundo ato, o espectador vê as faíscas saindo da tela no embate entre os dois companheiros da equipe McLaren. A produção também escapa do erro de focar na vida amorosa de cena. Quando o faz é somente para se ter um contraponto de como sua carreira afeta positiva ou negativamente seu lado pessoal e, é claro, como os entes de sua vida o verão em sua carreira e em sua morte.

O ato final, é claro, dá destaque para um povo que perdeu seu grande herói e mostra como o país do futebol que com todos os seus problemas econômicos e políticos, se curvou à Fórmula 1 na breve carreira do gigante Ayrton Senna do Brasil (sobrenome batizado pelo Galvão Bueno). Talvez a parte mais emocionante é a última entrevista que o corredor dá no filme onde contextualiza a narração em off dele próprio sobre o início da sua carreira logo nos primeiros minutos.

Senna” fez algo pela personalidade retratada que muitos documentários ou até filmes de ficção não conseguiram: retratá-lo como um ser humano comum, falível, com seus pecados e, no final, constatar que ele continua um herói.

Curiosidades:
– No enterro, podemos ver Rubinho Barrichello carregando o caixão. Detalhe: ele é o segundo da fila.
– No programa da Xuxa ela dá vários beijinhos, desejando feliz ano novo para os anos que se seguem. Ela pára de falar em 1993. Senna morreu em 1994.

[rating:4.5]


Ficha Técnica

Direção:
Asif Kapadia

Produção:
Tim Bevan
Eric Fellner
James Gay-Rees

Fotografia:
Gregers Salt

Trilha Sonora:
Antonio Pinto

 

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