As Agentes 355 (“The 355”)

É como se 007 encontrasse com “Oito Mulheres e Um Segredo”, só que com um resultado tão mediano quando este último filme. A trama é tão inconcebível que vou escrever a crítica a partir da própria sinopse.

Um soldado (Edgar Ramírez de “Ouro e Cobiça” rouba de um traficante colombiano um aparato hacker que pode controlar tudo no mundo. Mas ele não sabe disso. Só quem sabe disso é um tal vilão que ninguém sabe de onde veio. Então ele quer vender à CIA que, aparentemente, já sabe disso (mas como se quem fez o aparato não contou para ninguém?).

Dois agentes da CIA vão negociar a troca e sai tudo errado porque aparentemente (devo repetir essa palavra bastante) as agências da Alemanha, China e Colômbia já sabem disso. Ou seja, do nada um mecanismo totalmente desconhecido virou doce na boca do povo.

Jessica Chastain, aparentemente (de novo) repetindo seu papel de “Ava” é a agente Mace da CIA que vai atrás da peça terrorista e se junta de forma peculiar com uma agente da Alemanha (Diane Kruger de “Em Pedaços”), uma agenda da Colômbia (Penélope Cruz de “Rede de Espiões”) e da Inglaterra (Lupita Nyong’o de “Pequenos Monstros”), ou melhor da MI6 britânica que, curiosamente parece ser a única agência que não sabia desse imbróglio.

Sabe-se Deus como, elas também passam a ser caçadas pelas suas respectivas agências. Só que essas agências são muito fraquinhas, porque deixam elas fazerem o que querem e quase não aparecem no filme. A facilidade com a qual elas entram e saem dos lugares que, em tese, deveriam estar cheio de agentes de todos os lugares do mundo é impressionante. Ainda tem uma cena de leilão de artigos raros que é praticamente uma cópia de “Oito Mulheres e Um Segredo”.

Interessante que a agência da China aqui representada por Bingbing Fan de “Fora do Rumo” que incrivelmente já sabia até como programar o aparelho.

O diretor Simon Kinberg do fraquinho “X-Men: Fênix Negra” não se importou com os aspectos mais básicos para um roteiro fazer sentido e forçou a barra na agenda de colocar mulheres empoderadas para acabar com os machos escrotos sem ter o mínimo de contexto e ainda com direito a piadas sexistas que seriam engraçadas numa comédia.

Jessica Chastain que também é produtora, aqui parece querer realizar o sonho de ser durona, só que Diane Kruger foi bem melhor. E ainda melhor que as duas foram Penélope Cruz e Lupita Nyong’o, essas sim, interpretando papéis de mulheres mais complexas que não deixam de ser independentes e empoderadas.

O desfecho é um conjunto de clichês e o que se salva são algumas ótimas cenas de ação que podem, dependendo do grau de exigência do espectador, borrar um pouco as crateras que o roteiro deixou.

As Agentes 355” é mais uma tentativa frustrada de forçar a barra da agenda feminista numa história tão simplória que tiveram que complicar ao máximo para ninguém saber direito para onde vai.

Curiosidades:

– A atriz chinessa Bingbing Fan foi investigada por evasão de divisas e fraude fiscal e só foi liberada para viajar e fazer as suas cenas.
– Todas as atrizes que interpretam as agentes do filme são gerenciadas pela mesma agente de talentos, Hylda Queally.

Ficha Técnica

Elenco:
Jessica Chastain
Diane Kruger
Penélope Cruz
Lupita Nyong’o
Bingbing Fan
Sebastian Stan
Jason Flemyng
Edgar Ramírez
Pablo Scola
Marcello Cruz
Eddie Arnold
Federico Trujillo
Leo Staar
John Douglas Thompson
Sylvester Groth
Jason Wong
Raphael Acloque
Dom Dumaresq
Alexander Cardona
Francisco Labbe
Waleed Elgadi
Zaydun Khalaf

Direção:
Simon Kinberg

Produção:
Kelly Carmichael
Jessica Chastain
Simon Kinberg

Fotografia:
Tim Maurice-Jones

Trilha Sonora:
Junkie XL

 

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