Amaldiçoada (“Brimstone”)

Dakota Fanning de “Pastoral Americana” é Liz uma jovem muda, que na colonização do oeste americano vive em paz com seu marido em seu sítio. A chegada de um novo reverendo à cidade (Guy Pearce de “Paixão Inocente”) provoca uma comoção em Liz e o sombrio passado dos dois será revelado dando início a uma implacável perseguição.

A narrativa é contada em quatro atos (quase todos com termos bíblicos), sendo que os três primeiros funcionam com a linha cronológica inversa e é o que há de melhor, pois surpreende o espectador em cada reviravolta para voltar às origens dos protagonistas. O diretor holandês Martin Koolhoven acerta em cheio em não ter “meias palavras” ao mostrar cenas fortes que, com o contexto certo, não se tornam apelativa – pelo contrário – e agregam imenso valor emocional à saga dos personagens.

O roteiro discute temas batidos como amor e religião, sob dois prismas distintos, o de cada antagonista e, o mais importante é que, apesar de sabermos quem é o vilão, entendemos seus motivos distorcidos, mesmo que sejam abomináveis. Se Dakota Fanning está apenas correta no papel, Guy Pearce reina soberano numa persona calma e ameaçadora ao mesmo tempo, sendo uma de suas melhores interpretações nos últimos tempos. Destaque também para Emilia Jones que interpreta Liz mais jovem, com um carisma de menina-mulher que não só encanta, como faz todo o sentido no contexto da trama.

O último ato, apesar de tão forte quanto os outros, tem um desfecho um pouco rápido demais, mas não prejudica o resultado final. Finalmente os aspectos técnicos são de primeira linha com a primorosa fotografia do improvável Rogier Stoffers, que fez um trabalho bem fraco em “O Quarto dos Esquecidos” e um design de produção que não economizou em criatividade, evocando grandes momentos de famosos filmes chamados “westerns spaghetti” e até mesmo relembra mais recentemente “Os Oito Odiados” de Tarantino em seu último ato.

Amaldiçoada” é uma espécie de suspense de western que choca na alma, pois é impecavelmente conduzido e atuado. Mais um pouco, mereceria uma indicação ao Oscar.

Curiosidades:

– Guy Pearce e Carice van Houten que interpretam marido e mulher no filme, engataram um relacionamento, casaram-se de verdade e deram a luz ao seu primeiro filho!
– Carice van Houten e Kit Harington (que interpreta um cowboy) trabalham juntos em “Game of Thrones”.
– Quando um dos investidores do filme deu pra trás depois de toda a equipe contratada e cenários construídos, o diretor Martin Koolhoven foi parar no hospital com ataque de pânico (ele suspeitava até que era ataque cardíaco).
– Esse é o segundo filme de Guy Pearce onde ele atua numa cronologia inversa. O primeiro foi o sensacional “Amnésia” (2000).
– Nos atos 1 e 4, os olhos do Reverendo são negros. Nos atos 2 e 3, são azus.

(SPOILER) – Só leia se tiver visto o filme.
– Especula-se que os olhos do Reverendo são negros nos atos 1 e 4 (ambos situados no futuro), porque ele teria morrido com a garganta cortada no ato 3 e voltado como um fantasma para se vingar. Assim seria por isso que no ato 1, a mulher perde o filho depois que ele toca em sua barriga e no ato 4, o xerife prende Liz dizendo que sua contratação veio de uma orientação prévia do Reverendo. Também, em mais de uma cena, ele se refere ao inferno como algo conhecido, sendo mais um indício dessa teoria.

Ficha Técnica

Elenco:
Dakota Fanning
Guy Pearce
Carice van Houten
Kit Harington
Paul Anderson
Emilia Jones
William Houston
Naomi Battrick
Jack Roth
Ivy George
Carla Juri
Tygo Gernandt
Bill Tangradi
Justin Salinger
Adrian Sparks

Direção:
Martin Koolhoven

Produção:
Uwe Schott
Els Vandevorst

Fotografia:
Rogier Stoffers

Trilha Sonora:
Junkie XL

 

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