Regressão (“Mindscape” / “Anna”)

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Release Date : 2013

Regressão” é que nem a música do Gabriel, o Pensador: no final você se acha super inteligente por ter entendido as sacadas super inteligentes do roteiro, mas algum tempo depois, quando olha em retrospecto, você vê que as sacadas nem eram tão inteligentes assim.

Mark Strong de “Inimigos de Sangue” é John, que trabalha numa agência de detetives da mente, isto é, pessoas que tem a capacidade de entrar nas memórias das pessoas para saber o que o passado guarda. Fragilizado após a morte da esposa, John pega um caso aparentemente simples onde a adolescente Anna (Taissa Farmiga de “Bling Ring: A Gangue de Hollywood”), filha de uma família rica e está numa greve de fome. John deveria examinar suas memórias reprimidas para fazê-la comer, mas acaba encontrando muito mais.

O elenco abraça o roteiro e põe o espectador engajado com a trama, a qual por si só já é interessante. Apesar de ter um final satisfatório, os roteiristas ficaram tão embevecidos com a reviravolta do último ato que esqueceram de amarrar pontos soltas que poderiam ter sido resolvida de forma simples.

Sem entregar pontos chave, cito alguns exemplos: em momento algum se explica no passado dela a fonte de seus problemas, além do que é normal em qualquer família; também não se explica se ela realmente foi abusada quando criança; e seu histórico não explica porque ela está presa em seu quarto com câmeras e pessoas vigiando-a 24 horas/dia; é improvável que para uma pessoa tão vigiada, não haja uma câmera justamente no corredor de seu quarto que esclareceria um dos eventos do filme; lá pelo último ato também é inadmissível uma investigação tão rasa por parte da polícia que não encontraria facilmente a verdade; e finalmente a última ação de Anna vai totalmente contra o seu objetivo e sua natureza (depois da crítica explico melhor).

Sendo assim, é até capaz do espectador também ficar realizado com a descoberta que ele fará no último ato e se esquecerá de todos esses furos. Mas com mais atenção, não só é possível antecipar bastante a surpresa, como também perceber todas essas falhas. Os fãs incontestes do filme acharão explicações, mas apenas circunstanciais e nunca definitivas.

Num balanço geral, “Regressão” é positivo, até pela produção bem cuidada em aspectos técnicos e de atuação, mas negar seus sérios problemas narrativos é como ver apenas parte do filme.

Atenção: SPOILERS!

Vamos aos problemas de lógica do filme para que se entenda o que poderia melhorar: (passe o mouse para visualizar)

1. Nada do que Anna fez (a saber: incriminou um professor de assédio sexual e envenenou suas colegas de colégio, mas não a ponto de matar), implicaria num esquema de segurança tão rígido para que ela ficasse presa em casa.

2. Há um forte vestígio em foto de que ela pode ou não ter sido abusada, porém no final descobrimos que nem todas as lembranças dela eram verdadeiras. Mas ainda assim, isso não quer dizer que o abuso ocorreu ou não.

3. Uma investigação policial séria iria comprovar que as fotos no notebook de John foram baixadas de uma vez só com data do dia anterior e iria mostrar a fonte, o que de cara iria comprovar uma incriminação. O fato de não se achar o corpo de Anna contaria a favor para que John não fosse preso (a não ser que fosse uma prisão preventiva, o que não foi o caso). Sem contar que faltava-lhe motivo, arma do crime, enfim, coisas tão básicas, mas totalmente ignoradas pelo roteiro.

4. Também descobrimos no final que o objetivo de Anna era simplesmente se libertar da dominância dos pais e nunca ser encontrada por eles (sim, objetivo bem besta, diga-se de passagem). Primeiro não dá pra entender como ela arranjou dinheiro para desaparecer, visto que tudo estava controlado. Segundo, e que é mais difícil de engolir, é sua atitude de provar depois que estava viva para libertar John. É muito estranho uma sociopata ter uma atitude tão altruísta assim. E o que faz menos sentido: uma vez que todos saibam que ela está viva, é obvio que os pais vão atrás dela, o que joga contra tudo o que ela armou.

Ou seja, só engole essas falhas quem realmente quiser engolir.

Ficha Técnica

Elenco:
Taissa Farmiga
Mark Strong
Brian Cox
Noah Taylor
Indira Varma
Saskia Reeves
Antonia Clarke
Jessica Barden
Clare Calbraith
Rod Hallett
Alberto Ammann
Richard Dillane
Sanny van Heteren

Direção:
Jorge Dorado

Produção:
Jaume Collet-Serra
Mercedes Gamero
Peter Safran
Juan Sola

Fotografia:
Oscar Faura

Trilha Sonora:
Lucas Vidal

 

7 Comments

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  • Yara
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    Muito boa a crítica. Concordo com tudo!

  • Felipe
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    Realmente, boa crítica.

    • Aldo
      on

      Obrigado meu amigo! Continue nos visitando! Abraços!

  • Alexandre Figueiredo
    on

    Achei o filme confuso.

  • carolina
    on

    não consegui ler os spoilers

    • Aldo
      on

      Acesse num notebook e daí passe o cursor em cima do texto. Na época em que escrevi ainda não tinha uma versão mobile decente. Abraços!

  • caio
    on

    Apesar disso nao altera o fato de ser um bom filme, com excelentes interpretações

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