A Cabana (“The Shack”)

A Cabana” é um filme bom sim. Tudo bem que comparar com o livro de William P. Young lançado em 2007 e que já vendeu mais de 15 milhões de cópias é desleal. E só não é melhor porque acaba forçando uma visão peculiar de religião, mesmo que minta dizendo que não.

Pra quem não leu o best seller é assim: Sam Worthington de “Até o Último Homem” é Mack, que perdeu sua filha caçula de forma brutal para um psicopata. Ele se culpa, mas principalmente a Deus. Até que um dia recebe um misterioso convite para voltar à cabana onde encontrou sua filha morta e se depara com três entidades que são ninguém menos que o próprio Criador (que no frigir dos ovos é a competente Octavia Spencer de “Estrelas Além do Tempo”). Então Mack começa uma jornada de redenção e autodescobrimento.

Como toda “jornada de redenção”, haja clichês dramáticos, frases de efeito e uma trilha melosa como a que Aaron Zigman (“O Melhor de Mim”) sabe fazer muito bem, no seu momento “adaptação de Nicholas Sparks”. Tudo isso untado pelo diretor Stuart Hazeldine de certa forma funciona. Principalmente no nível de derramamento de lágrimas crônico que chega a virar lugar comum. Independente da manipulação com o espectador, chegar nesse nível exige sim competência. E não dá pra deixar de citar que a própria história é emocionalmente devastadora e enaltecedora.

Já num nível filosófico, o filme dá a primeira escorregada (que o livro não dá): ele não consegue com clareza resolver o dilema de porque Deus faz coisas ruins com pessoas boas, entre outros questionamentos do protagonista. Não que seja culpa só do filme, visto que fica difícil resumir o livro em meras duas horas. Contudo, a verdade é que Mack é meio que vencido pelo cansaço, de tantas frases que parecem enigmas saídos do Mestre dos Magos (lembram de Caverna do Dragão?) e de tantas provações que geram mais um cansaço emocional no personagem do que uma epifania ou redenção.

E duas coisinhas incomodam ainda: inexplicavelmente todo mundo fala suspirando o tempo todo, como se fosse algum pecado (desculpe o trocadilho) falar num tom normal; e a mania que o roteiro teve de forçar uma visão católica para algo que o próprio Jesus (o ator israelense Avraham Aviv Alush) descarta, contradizendo a própria mensagem de que amar ao próximo deveria ser uma prerrogativa universal e não apenas de uma determinada religião (outro ponto que o livro acerta).

Independente de seus erros, “A Cabana” passa uma mensagem do bem e emociona em todo o caminho. E se fica há anos-luz do livro, que pelo menos seja um chamariz para ler ou reler a belíssima obra.

Ficha Técnica

Elenco:
Sam Worthington
Octavia Spencer
Tim McGraw
Radha Mitchell
Megan Charpentier
Gage Munroe
Amélie Eve
Avraham Aviv Alush
Sumire Matsubara
Alice Braga
Graham Greene
Ryan Robbins
Jordyn Ashley Olson
Laura MacKillop
Emily Holmes

Direção:
Stuart Hazeldine

Produção:
Brad Cummings

Fotografia:
Declan Quinn

Trilha Sonora:
Aaron Zigman

 

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