Estrelas Além do Tempo (“Hidden Figures”)

É o azarão do Oscar. Direto, sem firulas, com todos os clichês dos temas fortes que a academia aplaude juntando o racismo com o empowerment para as mulheres e tudo funcionando linearmente bem sob a batuta de Theodore Melfi (“Um Santo Vizinho”).

Talvez o diferencial desta produção foi encarar um assunto tão sério de forma bem humorada, principalmente ao som da trilha composta pelo astro, compositor e cantor Pharrell Williams (que participou da trilha de “O Espetacular Homem-Aranha”) na hora de relaxar e do mestre Hans Zimmer (“Inferno”) na hora de emocionar.

Aliás é quase inconcebível que a história não fizesse menção às três mulheres negras que foram essenciais no desenvolvimento do programa espacial da NASA na década de 60, chegado – com essa importante ajuda – a levar o primeiro americano para orbitar em torno da Terra (coisa que o governo vem se retratando nos últimos anos). Elas são Katherine, Dorothy e Mary interpretadas com garra respectivamente por Taraji P. Henson (“Karate Kid”), Octavia Spencer (“James Brown”) e a cantora Janelle Monáe que já emprestou a sua voz em “Rio 2”. Elas se destacam dentro de uma seção apartada para negros na NASA e começam a trabalhar em importantes projetos mesmo enfrentando o preconceito por serem mulheres e negras.

Com uma reconstituição de época impecável, sua narrativa dá espaço para todas mesmo apontando o claro protagonismo de Taraji P. Henson, cujo arco de história envolve um colega cientista arrogante (Jim Parsons interpretando o próprio Sheldon de “Big Bang Theory”) e seu chefe que quebra paradigmas (Kevin Costner de “Mente Criminosa”, surpreendente”). Já Dorothy luta para receber um reconhecimento de sua superior (Kirsten Dunst de “Melancolia”), enquanto Mary tenta entrar num mestrado apenas para brancos e assim poder subir de posição.

É confortável para o espectador o fato de que os três arcos de história são bem separados e delineados, mesmo as três personagens interagindo boa parte do tempo e é o tipo de filme que vence pela superação individual, por mais que maquie através do glamour hollywoodiano boa parte dos eventos, ao mesmo tempo em que choca por vermos como os negros e as mulheres eram tratadas há menos de 60 anos atrás, o que naquela época não era apenas concebível, como costumeiro e cultural. Tanto que muitos negros estavam acostumados.

Por isso que o discurso de Mary na hora de batalhar pela sua vaga na universidade ou o de Katherine após o incidente do banheiro e até mesmo a doce frase de Dorothy quando afirma que os brancos apenas pensam que não tem nada contra os negros é tão poderoso, tem tanto impacto para mais tarde surgir com um desfecho tão edificante.

Estrelas Além do Tempo” pega um tema típico e quase obrigatório na lista de indicados ao Oscar, faz o arroz com feijão, mas o faz com tamanha articulação que vira um filmaço recomendadíssimo.

Curisiodades:

– O incidente do banheiro na vida real aconteceu com Mary, mas os roteiristas optaram por colocar no arco de história de Katherine por ser mais aderente à linha narrativa.
– A marca de café usada no filme é Chock Full o’Nuts que em 1957 foi a primeira empresa a contratar um executivo negro.
– Mark Armstrong, filho de Neil Armstrong, primeiro homem a chegar à lua em 1969 faz uma participação como figurante durante a explanação sobre órbita feita pelo personagem de Jim Parsons.
– O cenário da sala de controle de lançamento de foguetes já foi usada nos filmes “Apollo 13” e “Jogos Vorazes“. Reciclagem é tudo!

Ficha Técnica

Elenco:
Taraji P. Henson
Octavia Spencer
Janelle Monáe
Kevin Costner
Kirsten Dunst
Jim Parsons
Mahershala Ali
Aldis Hodge
Glen Powell
Kimberly Quinn
Olek Krupa
Kurt Krause

Direção:
Theodore Melfi

Produção:
Peter Chernin
Donna Gigliotti
Theodore Melfi
Jenno Topping
Pharrell Williams

Fotografia:
Mandy Walker

Trilha Sonora:
Benjamin Wallfisch
Pharrell Williams
Hans Zimmer

 

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