Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (“Birdman: Or (The Unexpected Virtue of Ignorance)”)

Birdman” foi o grande vencedor do Oscar 2015, arrebatando as principais categorias de melhor filme e melhor diretor, sendo que por muito pouco não leva a de melhor ator. Mais do que simplesmente redigir a crítica, vamos também estabelecer os fatores chave que levaram o filme a ganhar o Oscar e se ele mereceu.

A trama

Porque levou o Oscar?
Michael Keaton (“Need For Speed”) interpreta um ator que há muito tempo fez sucesso como um super-herói e depois foi relegado ao ostracismo. Depois de anos, ele tenta retornar à sua glória com uma peça de teatro que passa por inúmeras dificuldades trágicas e cômicas. Na verdade Michael Keaton interpreta uma réplica dele mesmo e de sua carreira, visto que seu último grande sucesso foi na pele do primeiro “Batman” e depois nunca mais deixou a mesma marca, participando no máximo como coadjuvantes de produções que vão de boas a duvidosas. E o tema da arte e propriamente de Hollywood é algo que interessa muito a Academia. Eles adoram que se fale do seu trabalho, mesmo que seja das penúrias também.

E mereceu?
Dizer que esse tema não merece por não ser importante ou relevante é fazer o mesmo com temas simplórios de ótimos filmes concorrentes como “Boyhood” e “Whiplash”. A verdade é que nesse quesito, “Birdman” merece como qualquer outro indicado.

A direção

Porque levou o Oscar?
Sua técnica foi impecável e, com os efeitos especiais que ninguém percebe, fica ainda mais inteligente. Seu conceito não é original: em 2002 o filme russo “Arca Russa” faz a mesma coisa, só que num método mais rudimentar. “Birdman” é filmado como se fosse apenas uma longa tomada de quase duas horas de duração, o que exigiu toda meticulosidade que uma equipe e elenco possam ter, pois mesmo tendo cortes na prática, o elenco chegava a fazer entre dez a quinze minutos de cena numa só levada. Impossível não balançar na hora de escolher um vencedor do Oscar.

E mereceu?
Lógico. A técnica contribuiu para a vitória de todos os prêmios, incluindo o de melhor filme. E não só os cortes invisíveis, como a gestão do elenco, coisa nada fácil, principalmente em longas tomadas.

Michael Keaton

Porque levou o Oscar? (o filme)
Se não fosse um excelente Stephen Hawking interpretado por Eddie Redmayne em “A Teoria de Tudo” que, convenhamos, teve sim o talento do jovem ator, mas também teve muito lobby envolvido, Keaton levaria esse Oscar facilmente, como levou praticamente todos os prêmios do cinema em 2014 por seu papel como Riggs, esse ator amargurado com um transtorno de personalidade que, sendo quase uma esquizofrenia, o leva a ver e falar com seu alter ego, Birdman, personagem que o fez famoso anos antes. Sua interpretação é visceral, indo do carisma à profunda agonia e depressão sem nunca quebrar sua performance nem força a barra. De longe, talvez fora o melhor papel de Keaton em toda a sua carreira.

E mereceu?
O filme mereceu sim o Oscar por causa de Keaton e, lógico, o elenco que o suporta, com destaque para o ótimo Edward Norton (“O Grande Hotel Budapeste”) que também interpreta uma réplica sua, como um ator difícil de se trabalhar que sempre quer mudar suas falas (segundo corre a lenda).

Sendo assim, não é que as demais produções concorrentes não merecessem o Oscar de Melhor Filme. É apenas que “Birdman” foi o filme certo no momento certo que uniu da melhor forma conceitos técnicos e narrativos com um tema extremamente atrativo para a Academia e que não deve ser desdenhado por não ser comercial. Uma ótima experiência para se ver.

Curiosidade: No filme, a última vez em que Riggs interpretou Birdman foi em 1992. Na vida real, a última vez que Michael Keaton interpretou Batman também foi em 1992 em “Batman – O Retorno“.

Ficha Técnica

Elenco:
Michael Keaton
Emma Stone
Zach Galifianakis
Naomi Watts
Andrea Riseborough
Edward Norton

Direção:
Alejandro González Iñárritu

Produção:
Alejandro González Iñárritu
John Lesher
Arnon Milchan
James W. Skotchdopole

Fotografia:
Emmanuel Lubezki

Trilha Sonora:
Antonio Sanchez

 

1 Comment

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  • Fabricio Guilhon
    on

    Filme muito bom e não deixou a desejarem nenhum momento, sem contar que tinha ótimos atores.

    Muito boa a Crítica acim.

    Parabéns.

    ABS

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